Anitta
#Mentoria: Anitta mostra no reality show por que saber ouvir pode transformar uma carreira
setembro 20, 2026Anitta sabe como ninguém fazer da sua opinião um canhão nas redes sociais. No reality show Estrelas da Casa, da TV Globo, a patroa atua como conselheira, ao lado dos mentores e também cantores de sucesso, Belo e Junior, dividindo experiências do mercado musical. Entre sarcasmo e bom humor, suas intervenções provocam uma reflexão que atravessa o palco: quem ambiciona crescer precisa estar disposto a aprender com quem tem mais experiência.
Quando lembra que os participantes já são cantores, mas estão ali como aprendizes, Anitta toca numa questão que acompanha qualquer profissão. Todo mundo quer um empurrãozinho na carreira. Até descobrir que ele pode vir em forma de crítica. Para quem começa, ouvir um profissional experiente ajuda a perceber riscos, questionar escolhas e enxergar possibilidades que o entusiasmo, sozinho, nem sempre alcança.
Um microfone mal ajustado pode comprometer uma apresentação. Fora do palco, o equivalente pode ser uma proposta confusa ou uma reunião sem preparo. Quem tem experiência consegue, muitas vezes, identificar essas falhas antes que elas cobrem uma conta maior. A mentoria aproxima o iniciante desse repertório e oferece espaço para discutir decisões, experimentar caminhos e compreender melhor o mercado de trabalho.
Ao perceber a resistência às suas intervenções, Anitta ironizou que passaria a gostar de tudo. Depois, veio a provocação: “Ninguém mandou reclamar das minhas intervenções”. A cena rende risadas, mas também expõe uma armadilha profissional: querer orientação desde que ela confirme tudo o que já se pensa. O elogio é agradável; a observação específica oferece uma chance concreta de melhorar.
Há valor em escutar alguém que já enfrentou cobranças, reviu estratégias e precisou recomeçar. Essa pessoa pode reconhecer dificuldades que o iniciante ainda nem sabe formular. Quando há compromisso com o desenvolvimento do outro, uma conversa ajuda a dar nome ao problema e a pensar em respostas. Para aproveitar essa troca, porém, é preciso admitir que o próprio ponto de vista pode estar incompleto.
Em um dado momento do reality, questionada sobre os haters, Anitta explicou aos participantes que lê comentários para antecipar problemas, sem tomar cada opinião como uma sentença pessoal. É uma aula de leitura de cenário: observar padrões, avaliar o contexto e separar uma crítica útil de uma agressão. No trabalho, essa postura ajuda a analisar o retorno de um cliente ou de uma liderança sem transformar toda discordância em ataque pessoal.
Saber ouvir também envolve perguntar, ponderar e testar. Diante de uma orientação, vale entender por que o ajuste importa, como aplicá-lo e o que observar depois. A mentoria ganha consistência quando essa conversa continua e os avanços são acompanhados. O aprendizado aparece na forma de trabalhar, na qualidade das entregas e na clareza das escolhas.
Porém, o tom ácido que movimenta o reality show merece cuidado quando sai da televisão. Uma crítica produtiva precisa ser específica, respeitosa e aberta ao diálogo. Na vida real, o sarcasmo pode levar a conversa para outro rumo, como por exemplo, gerar conflitos desnecessários. Da mesma forma, a experiência de quem orienta precisa considerar a realidade de quem aprende. Copiar uma trajetória inteira seria como usar o figurino de outra pessoa e esperar que ele sirva sem ajustes.
Isso vale também na hora de escolher uma mentoria. É fundamental conhecer a trajetória de quem orienta e sua capacidade de desenvolver pessoas. Interessa encontrar alguém que faça boas perguntas, apresente contrapontos e relacione ambição com preparo. Essa visão crítica e reflexiva ajuda a avaliar o que se deseja alcançar, por que isso importa e quais competências precisam ser construídas.
Buscar uma mentoria de qualidade deveria ser parte do planejamento de carreira de todo o profissional, sobretudo quem deseja mudar de cargo ou deseja ser uma liderança. Ouvir quem tem experiência e deseja formar profissionais melhores ajuda a examinar ambições, rever certezas e fazer escolhas mais conscientes. Vale perguntar que profissional se pretende ser e quem pode contribuir para essa construção. Sem disposição para aprender, a próxima promoção pode apenas dar um cargo novo aos mesmos erros.
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