Belo Horizonte
#SURDA: Benedita Casé Zerbini transforma perda da audição em teatro no Festival Acessa BH
setembro 04, 2026Como é perceber que o mundo continua falando enquanto, aos poucos, você deixa de ouvi-lo da mesma maneira? É dessa experiência íntima, desconcertante e bastante humana que nasce “SURDA”, espetáculo protagonizado por Benedita Casé Zerbini, filha da atriz Regina Casé, que chega a Belo Horizonte para apresentação única no Festival Acessa BH. A montagem ocupa o Centro Cultural Unimed-BH Minas no dia 12 de setembro, às 20h, e ainda propõe um bate-papo com o público após a sessão.
Com dramaturgia autobiográfica de Julia Spadaccini e direção de Debora Lamm, “SURDA” acompanha uma mulher durante o processo de perda da audição. Em vez de tratar a surdez apenas pelo viés clínico ou transformar a personagem em exemplo edificante, a peça parece interessada pelas pequenas e grandes confusões que surgem quando a maneira de se relacionar com o mundo muda.
Família, trabalho, afetos e espaços públicos entram nessa equação. Afinal, ouvir não é somente captar sons. É também comunicação, pertencimento e relação. Para entender mais sobre a peça, assista ao video abaixo:
A montagem marca a estreia de Benedita Casé Zerbini nos palcos, depois de uma trajetória construída como diretora, roteirista, atriz e palestrante. A temática, porém, já atravessa seu trabalho no audiovisual: Benedita protagoniza “90 Decibéis”, filme que aborda a perda auditiva e tem lançamento previsto no Globoplay em 2026.
Há ainda uma coerência importante entre discurso e prática. “SURDA” conta com interpretação em Libras, realizada por Diana Dantas, e legendas em tempo real. Recursos que não aparecem como acessórios simpáticos na programação, mas como parte fundamental da experiência de acesso à cultura.
A apresentação integra a sexta edição do Festival Acessa BH, que acontece de 04 a 27 de setembro e reúne cerca de 30 atividades. Com artistas de seis estados brasileiros e uma atração internacional do Reino Unido, o festival coloca a cultura DEF no centro da cena e propõe algo que o próprio espetáculo ajuda a provocar: talvez acessibilidade não seja simplesmente adaptar o mundo para algumas pessoas. Talvez seja ampliar as maneiras pelas quais todos nós podemos percebê-lo.
E, nesse caso, “SURDA” tem muito a dizer. Inclusive sobre aquilo que nem sempre estamos dispostos a escutar.
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Jornalista









