
Os números impressionam. Estariámos diante de uma guerra? Infelizmente, não. Só se for uma "guerra" de interesses particulares, e não do público. Somente em 2008, na BR-381, 277 vidas foram perdidas em acidentes. Tragédia após tragédia rendeu à estrada o nome de "rodovia da morte". Uma das partes mais críticas, que liga Belo Horizonte (BH) ao litoral capixaba, é o caminho de 110 km que vai até João Molevade, onde curvas perigosas e buracos na estrada são verdadeiros desafios aos motoristas.
Neste mesmo trecho, só no ano passado, foram registradas 88 mortes que não foram capazes de sensibilizar as autoridades para a duplicação dessa importante rodovia que sofre do descaso do tempo e do poder público.
Na noite desta última quarta-feira (11/03), um acidente matou seis ocupantes de uma van na BR-381, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Quatro das vítimas eram estudantes universitários que retornavam das aulas na capital mineira. Outras 13 pessoas sofreram ferimentos e foram encaminhadas aos hospitais de Pronto-Socorro João XXIII, Odilon Behrens e Risoleta Neves.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a van Sprinter placa GVQ-2696, de Caeté, bateu de frente com o caminhão placa DAH-6020 (Jundiaí-SP), no km 435, da rodovia. Várias testemunhas afirmaram que o caminhão, que seguia no sentido BH e estava carregado com vergalhões, passou desgovernado em uma curva e invadiu a contramão. Para piorar ainda mais a situação, o filho do condutor da van estava em outro veículo, logo atrás da Sprinter, e viu o momento do acidente do próprio pai e foi a primeira pessoa a ajudar no socorro dos feridos.
O que será preciso acontecer de mais grave para que se tome uma providência perante a situação crítica, não só desta estrada, mas de toda malha rodoviária do Brasil? Será que vai ser preciso um filho de um político ou um familiar de um importante empresário morrer em um acidente para comover a opinião pública e pressionar as nossas autoridades?
As vítimas desse acidente da van foram os estudantes Ranaly Peres de Castro Rosa, de 21 anos, Alberty Silva Syrio, de 23, Fernanda Cristina de Melo Rodrigues, de 19, e Osvaldo de Pádua Santos, de 20. Eles foram sepultados em cemitérios de Caeté. A universitária Lígia Aparecida Costa Pereira, de 27 anos, faleceu às 5h da manhã, deste sábado (14/03), no Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII, onde estava internada desde a quinta-feira (12/03).
A jovem teve uma parada cardiorrespiratória e foi enterrada na manhã deste último domigo (15/03). Como deve ser triste para um pai ver o filho tão jovem morrer. São sonhos que acabaram por causa do descaso de um estrada e da falta de atenção de um motorista imprudente.
O problema já chegou a nossa porta e não foi preciso um familiar ou amigo morrer para nos chocar. Vidas e sonhos são perdidos todos os dias nessa rodovia. Como uma estrada pode fazer tantas vítimas e chegar, em alguns momentos, ser comparada a uma guerra? Claro, o acidente só reforça o descaso que há na estrada.
Mas existem vários outros problemas, como buracos, a falta de atenção dos motoristas, o uso de bebida alcóolica no volante, caminhões que tranportam toneladas de produtos sem a menor preocupação com a segurança e sem contar com a poeira e o pó de minério que, em temporadas de calor, deixam algumas estradas de Minas Gerais sem qualquer condição de uso. Será que o pedágio é a única solução? E o dinheiro dos nossos impostos que deveriam ir para estradas: esse montante vai para aonde?
As estradas estão matando pessoas e a sociedade assiste aos casos indignada. E isso não é uma questão de criminalidade, mas sim de bom senso para evitar que entra ano e sai ano, cada órgão responsável não assuma o problema e fica um jogo de empurra-empurra.
O Café com Notícias está de luto hoje em repeito não só as vítimas da tragédia da semana passada, mas por todos aqueles que, de alguma forma, tiveram parentes ou amigos que passaram por essa dor de perder alguém no trânsito. Até quando Minas Gerais vai querer esse título de rodovia da morte para a BR-381?
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Jornalista