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#StarlightConcerts: Clássicos do Rock reacendem memórias em cenário iluminado por centenas de velas

Com mais de 500 mil espectadores, projeto apresenta uma experiência que une a força do rock à atmosfera intimista da música ao vivo.


Antes de virar estampa de camiseta, o  rock 'n' roll já dava trabalho ao sossego alheio. Nos anos 1950, Chuck Berry e Little Richard ajudaram a transformar raízes negras do blues e do rhythm and blues em linguagem juvenil. Vieram Beatles, Led Zeppelin e Queen, protagonistas da era de ouro dos anos 1960 e 1970. 

No Brasil, Rita Lee e Raul Seixas abriram caminhos para a explosão dos anos 1980, com Legião Urbana, Titãs e Paralamas do Sucesso. Na redemocratização brasileira, muitos desses refrões deram voz a uma juventude disposta a se posicionar. Guitarras embalavam amores e questionavam o mundo, sem pedir licença ao vizinho.

Décadas depois, a guitarra divide a vitrine com o pop e suas combinações eletrônicas, enquanto sertanejo, funk e trap, de trajetórias próprias, disputam a atenção no Brasil. O rock perdeu a centralidade de outros tempos. Dados do Spotify apontam crescimento de 8,6% nas reproduções do gênero no país entre junho de 2025 e junho de 2026. Boa parte dessa escuta, porém, ainda se concentra no repertório consagrado.

É nesse encontro entre permanência e reinvenção que chega o Starlight Concerts. O evento traz “Clássicos do Rock” por meio de dois violinos, viola e violoncelo que reinterpretam sucessos em um cenário iluminado por centenas de velas. Entre os clássicos internacionais, o público poderá conferir Queen, Beatles, Pink Floyd, Eagles e U2. A proposta desloca o foco para melodias e arranjos: reconhecer uma canção sem a guitarra habitual pode revelar detalhes que o refrão cantado aos berros costuma esconder.

A iluminação rende fotos, claro, mas o desafio de uma homenagem assim é fazer a memória trabalhar. A nostalgia pode aproximar gerações e despertar outra escuta, desde que a reverência aos veteranos também deixe curiosidade para descobrir quem faz rock hoje. Afinal, um gênero que nasceu da inquietação merece espaço para continuar surpreendendo.

O projeto já integrou as agendas de Vinhedo e Marília, em São Paulo, em 2025, com programas de música clássica. No conjunto de suas atrações pelo Brasil, a organização informa ter realizado mil apresentações para mais de 500 mil espectadores. A edição roqueira faz parte dessa trajetória de aproximação entre repertórios populares e concertos.

Levar a turnê a Passos, no interior, e a Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ajuda a enfrentar a ideia de que a programação relevante precisa passar pela capital. Essas cidades já produzem cultura; ampliar a circulação é reconhecer seus públicos e somar possibilidades às cenas locais. Para o espectador, deixar de viajar até BH também pode reduzir gastos e tempo de deslocamento.

Essa descentralização precisa, porém, caber no bolso e na rotina. Preços, acessibilidade e transporte influenciam quem consegue ocupar a plateia. E uma política cultural duradoura deve combinar a chegada de atrações com oportunidades para artistas locais. A cidade ganha mais quando o espetáculo deixa caminhos abertos para os futuros encontros.

Passos recebe o concerto nesta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, às 19h e às 21h, no Teatro Gustavo José Lemos, na Avenida Dr. Breno Soares Maia, 459. No sábado, 31, Betim terá sessões nos mesmos horários, no Espaço Monte Carmo, na Avenida Juiz Marco Túlio Isaac, 1119, Ingá Alto.

O roteiro segue no domingo, 1º de novembro, às 17h, para o Centro Cultural Humberto Mauro, na Rua Major Vieira, 10, em Cataguases. As apresentações têm classificação livre e duração aproximada de 70 minutos. A bilheteria anuncia ingressos de R$ 48 a R$ 160; valores, condições e disponibilidade podem ser conferidos na agenda oficial do Starlight Concerts.

Entre uma memória musical e um novo endereço, o concerto convida a pensar em quem pode participar da vida cultural. Ouvir clássicos do rock ganha outro sentido quando mais cidades entram no circuito. Que as velas iluminem também essa possibilidade: um rock capaz de renovar a escuta e uma cultura cada vez mais próxima de quem deseja vivê-la. Assista um trecho da apresentação do Starlight Concerts:



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Jornalista

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