Cada pessoa tem um ritmo. Em
determinadas etapas da nossa vida, alguns questionamentos ficam mais latentes
do que outros. E o sexo faz parte disso. De forma muito leve, o filme As Sessões (The Sessions) trata deste
universo. Baseado em uma história real – mais precisamente em um artigo que o
jornalista Mark O´Brien escreveu
sobre como foi o processo dele de descoberta sexual, aos 38 anos de idade e
completamente paralítico.
O filme se passa na década de 1980.
Mesmo sendo deficiente físico, Mark conclui a faculdade de jornalismo usando
uma cama mecânica que o levava para onde ele queria. Morando sozinho e, de
certa forma independente, ele precisa contratar um acompanhante para ajuda-lo
nas tarefas mais simples como tomar banho, se barbear e se alimentar.
Interpretado fantasticamente pelo
ator John Hawkes, o espectador consegue entrar no universo de Mark O´Brien e
acompanhar de perto as suas limitações e anseios, de forma bem humorada e
otimista. Ao ser contratado por uma revista para escrever um artigo sobre como
é o sexo para os deficientes físicos, Mark resolve “perder a sua virgindade” em
meio aos próprios questionamentos pessoais que ele já nutria.
Para isso, ele conta com os conselhos
de um padre nada convencional vivido pelo ator William H. Macy e a ajuda da terapeuta sexual Cheryl Cohen-Greene,
interpretada brilhantemente por Helen
Hunt - que lhe valeu uma indicação ao #Oscar2013,
de melhor atriz coadjuvante. "Filmamos
em ordem cronológica, então o espectador acompanha em tempo real nossas
próprias surpresas e emoções. Não precisamos fingir ser um par perfeito. (...)
Foi incrível ter a chance de encarnar esta mulher, particularmente uma que não
está nos seus 20 anos, e celebrar que todos nós temos corpos e todos nós temos
o direito divino de sentir prazer", disse a atriz em matéria publicada
no jornal Folha
de S. Paulo. Abaixo, assista o
trailer:
Crítica
“O amor é uma viagem”. Está é uma
frase dita no filme que faz muito sentido e explica, de modo bem franco, o que
é este sentimento e para onde ele levará o protagonista. Em As Sessões, o espectador é convidado
desde o início a “viajar” junto com Mark O´Brien pelas suas experiências, suas
descobertas, prazeres e limitações.
Como poucos filmes conseguiram, o
filme mostra que o sexo é um processo importante de descoberta pessoal e que
cada um tem o seu tempo para se descobrir e descobrir o outro. Em muitos
momentos, chega a ser poético como Mark se apaixona pela vida, mesmo diante das
suas limitações motoras, pelo fato de ter contraído pólio quando criança e ter passado
o resto da vida preso a um respirador artificial.
Veja também:
Chega a ser uma injustiça o fato do ator
John Hawkes não ter sido indicado para o #Oscar2013,
uma vez que a sua atuação já está na história do cinema como uma das mais brilhantes.
Não é um trabalho nada fácil tendo que criar uma atuação baseada somente nas
expressões de rosto e o corpo paralisado. Houve ali todo um trabalho de expressão
corporal e de voz que deram a vida a um personagem da vida real que tem muito a
ajudar a outros portadores de necessidades especiais a descobrirem os prazeres
de uma vida sexual sem culpa.
Helen Hunt é outra que rouba a cena
para si em muitos momentos por construir uma personagem ousada e, ao mesmo,
contemporânea que utiliza um método terapêutico bastante polêmico, diga-se de
passagem, o "sex surrogate" (ou parceira sexual substituta). Aos 49
anos, Hunt se mostra a vontade em desfilar pelo filme completamente nua e em
boa forma. Entre a atriz e John Hawkes não há constrangimentos e as cenas saem
com naturalidade e carisma.
Quanto ao roteiro do filme que se
mostra ágil e divertido logo nas primeiras cenas, tem no seu ato final um
desfecho abrupto e corrido, como se o diretor Ben Lewin – que também é deficiente físico, tivesse pressa de
mostrar que Mark, após as seis sessões com a terapeuta sexual, teve uma vida
normal e que viveu por mais 10 anos feliz e sexualmente ativo.
Faltou um desfecho melhor e mais
sensível à história de Mark. Tudo foi tão rápido que nem deu tempo do
espectador entender a passagem de anos e a conclusão do filme. Talvez, seja aí
o maior pecado da obra e o motivo dela não ter sido indicada ao #Oscar2013 de melhor roteiro adaptado,
pois a história merece.
Fotos: Fox Films / Divulgação.
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Jornalista



