#EspelhoDaVida: Novela espírita aborda viagem no tempo e debate as consequências dos nossos atos

fevereiro 09, 2019


Cada escolha, uma oportunidade. Cada erro, um aprendizado. Cada atitude, uma consequência. Será que é possível aprendermos com os erros do nosso passado? A partir desse mote, a novela #EspelhoDaVida, das 18h, da TV Globo, quer fazer o telespectador quer debater o impacto das consequências dos nossos atos na vida, além de refletir sobre o quanto é importante perdoar a si mesmo e os outros para que possamos ser pessoas melhores. 

Diferente das novelas que já abordaram a temática espiritualista, o folhetim da autora Elizabeth Jhin consegue trazer um frescor ao trabalhar com poucos personagens e com núcleos bem construídos em três situações temporais distintas na novela: o passado de Julia Castelo, o presente de Cris Valência e a produção de um filme baseado na história de Julia.

Para amarrar essas narrativas, a mocinha Cris descobre que é a reencarnação de Julia Castelo e tem a missão de voltar ao passado para entender o que de fato aconteceu numa série de intrigas que culminou no assassinato de Julia, possivelmente pelo maior amor da sua vida, o pintor Danilo Brethon. Mas, será que foi mesmo o Danilo? De forma inteligente, a autora tem dado pequenas pistas ao longo da história e levantando outros possíveis assassinos, tais como Gustavo Bruno, Otávio, Dora, Coronel Eugênio e, até mesmo, Hildegard e Dona Albertina.

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Fora isso, “Espelho da Vida” aborda de forma inédita a questão das viagens temporais espirituais, prática existente na regressão e também bastante discutida na física quântica por meio dos portais interdimencionais. Várias vezes na novela, a volta de Cris como Julia no passado é tratada como uma ida a outra dimensão, como se os tempos corressem de forma paralela, mas como cronometragem distinta. Será que as ações no passado de Cris como Julia poderão interferir no presente ou até mesmo alterar esse desfecho trágico?
A autora Elizabeth Jhin na festa de lançamento de "Espelho da Vida". Crédito: TV Globo / Reprodução. 

Outro debate interessante que a novela traz é sobre karma coletivo, onde um grupo de pessoas reencarnam várias vezes juntas, porém em posições parentais ou afetivas diferentes e com a possibilidade de zerar uma pendência emocional ou uma maldade que as impediu, de certa forma, de evoluir. Nessas novas configurações, nem sempre quem era uma pessoa ruim, continua do mal...ou ainda tem pessoas que não conseguiram assumir os próprios erros e buscar pelo perdão pessoal e o do outro.

Há também os personagens que funcionam como verdadeiros “anjos da guarda”, que algumas correntes da espiritualidade chamam de “espiritualidade amiga”: pessoas encarnadas ou desencarnadas que ajudam as outras no seu processo evolutivo, de forma acolhedora e amorosa, como são os casos do Bola com o Alain; o Vicente com a Margot; e a própria Margot com a Cris. 

Além disso, temos dois personagens desencarnados nessa função: a guardiã da Casa e o doce velhinho André. A primeira foi a Dona Albertina, avó da Julia Castelo, cujo o espírito ficou preso no sobrado da família Castelo e tem a missão de ajudar Cris no processo de resgate ao passado como Julia. 

Ela que foi uma senhora amargurada e maldosa com a nora no passado, mas que teve a promessa divina de ajudar Cris para poder reencarnar numa família que a ame e que ela possa ser uma pessoa melhor e mais fraterna. Já o segundo é o filho perdido de Julia e Danilo, um espírito gentil que entrega uma rosa branca para alguns personagens e sempre tem uma fala de conforto e de emoção. André está empenhando todos os esforços para que a história do assassinato possa ser esclarecida.


Em contrapartida, há alguns personagens, como Isabel e Felipe, por exemplo, que continuam vibrando de forma negativa e fazenda maldades em nome do ego, de forma perversa e individualista. Já outros, como Margot e Alain, conseguiram ser pessoas melhores no presente do que no passado, mas ainda precisam superar algumas feridas emocionais para seguir adiante. 

Há outros, como o Américo, que foi o coronel Castelo no passado: de tirano opressor a malandro bon vivant. O tempo inteiro a vida dá oportunidades de ser uma pessoa melhor e mais presente na vida dos filhos, mas ele não enxerga e prefere ficar nos pequenos golpes e no materialismo exacerbado.

Pelo fato da autora Elizabeth Jhin e do diretor geral Pedro Vasconcelos terem escolhido um caminho mais devagar para apresentar de forma bem pontual os personagens do presente e do passado – além dos personagens do filme “Amor Infinito”, “Espelho da Vida” foi considerada complexa e lenta por parte dos telespectadores que estavam ansiosos pelo desenrolar dos acontecimentos. E isso fez com que a novela amargasse uma das piores audiências da década de uma trama das 18h, algo que foi bastante repercutido pela imprensa.

Mas, apesar da audiência patinar na casa dos 16 pontos, “Espelho da Vida” é um sucesso nas redes sociais, principalmente pela ousadia da história e por fazer o telespectador pensar a cada episódio. Perder um capítulo significa realmente perder um elemento importante da história que é revelado aos poucos pela autora. Como se trata de uma narrativa que exige também mais interpretação por parte do público, a novela sofreu uma certa rejeição da audiência que tinha dificuldade de entender que as viagens de Julia ao tempo não era uma abordagem de ficção científica.

Com o passar dos capítulos, “Espelho da Vida” foi reagindo e aparando as suas arestas. Os diálogos bem escritos e as cenas comoventes que fazem o telespectador pensar em como os seus atos podem interferir na própria evolução e vida das pessoas ao seu redor, tem arrancado inúmeros elogios nas redes sociais, principalmente pelo fato de ter personagens bem construídos e com conflitos possíveis no nosso dia-dia. 

Julia/Cris não são mocinhas passivas, enquanto Isabel/Dora não são antagonistas frívolas. Cada uma construiu camadas importantes e que aos poucos o telespectador foi entendendo o motivo das escolhas de cada uma e como isso as impactou.

Assim como o SBT se encontrou na produção de novelas infanto-juvenis e a Record TV tem apostado cada vez mais em novelas bíblicas/religiosas, a TV Globo também tem se enveredado, de tempos em tempos, no filão de novelas com temáticas espíritas/espiritualistas, algo que vai além de religião e nos provoca o debate interior de como podemos ser pessoas melhores no mundo. 
Aline Moraes, João Vicente Castro, Rafael Cardoso e Vitória Strada formam o quarteto principal de "Espelho da Vida". Crédito: TV Globo / Reprodução. 

Tramas como “A Viagem”, “Alma Gêmea”, “O Profeta”, “A Cura”, “Escrito nas Estrelas”, “Além do Tempo”, por exemplo, marcaram época por trazem temas ligados a espiritualidade, como reencarnação e karma, à tona. Arrisco a dizer que “Espelho da Vida” também será um marco nas novelas espíritas, principalmente por abordar questões que até então não foram tão discutidas de forma tão aprofundada nesse segmento. 

Na época da coletiva de "Espelho da Vida", Elizabeth Jhin disse que a ideia para a novela surgiu quando ela ainda estava escrevendo “Além do Tempo” (2015), outro grande sucesso da autora. A proposta era contar uma história de amor que ultrapassa as barreiras do tempo e, ao mesmo tempo, passasse duas importantes reflexões: de que o tempo passa muito rápido, por isso devemos aproveitá-lo da melhor forma possível; e a de que tudo o que fazemos tem consequência. Tudo mesmo. 

Faltando um pouco mais de um mês para a novela terminar, creio que ela conseguiu. Das três atuais novelas inéditas no horário nobre da TV Globo, “Espelho da Vida” é a melhor e a mais original. Uma prova de que nem sempre sucesso de audiência é sinônimo de qualidade. Abaixo, assista o vídeo especial de apresentação da novela:







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