#Pose: Série do canal FX mostra que atitude é quesito de desempate num show de preconceitos!

agosto 07, 2018



Por Joney Fonseca*


Transexual, mulher, negra e pessoa com o vírus HIV. O ano é 1986. Estados Unidos da América. São características e localização de uma das personagens da série da televisão americana "Pose", na TV Paga.

A série que teve a sua estreia no @canalFX_br em junho de 2018 nos permite concluir nitidamente que o preconceito e a reprodução do preconceito são o tônus provocador de reflexão enquanto assistimos o esboçar de cada personagem e as situações às quais são submetidos.

Nos guetos de Nova York está a comunidade gay resistindo às imposições culturais da sociedade americana branca, machista, heteronormativa e elitista. À margem da segmento gay estão os clubes de bailes voltados para negras e negros LGBTs. 

É a reprodução do preconceito traduzida por homens gays brancos avessos a gays, bissexuais, travestis e transexuais negras e negros. Em um bar gay, uma transexual negra sequer era atendida pelo barman.

Nos clubes de bailes a reprodução do preconceito persiste, dessa vez entre as famílias rivais formadas por gays, bissexuais, travestis e transexuais negras e negros que competem não só pela riqueza e perfeição estética de suas produções de moda ou fantasia, mas sobretudo competem pela força interna e poder de dominação que cada família tem dentro da comunidade LGBT negra. 

Estamos falando da cultura dos bales nos fins dos anos 80, bailes nos quais eram promovidos desfiles para premiar o melhor figurino ou fantasia de acordo com o tema proposto na noite. As candidatas e os candidatos tinham como pré-requisito fazer poses! Quanto mais troféus uma família tinha, maior era seu status perante a comunidade negra LGBT.

Questões de identidade de gênero ou de orientação sexual explodem endossando a temática espinhal da série. Há o preconceito do homem branco encharcado pela heteronormatividade social e que não assume sua orientação, mas que clandestinamente vive relações afetivo-sexuais com transexuais ou travestis. 

Fruto do preconceito instituído está a crise existencial vivenciada por transexuais e por travestis que não reconhecem seu reflexo no espelho, mas não podem bancar financeiramente ou psicologicamente os escassos procedimentos estéticos ou cirurgias de redesignação sexual.

O acabamento estético que embrulha todas e todos personagens em todas as tramas pulsantes da série fica por conta da “praga gay” que “veio para dizimar os desviantes” e “limpar o mundo”: o vírus da Aids. Era uma sentença de morte numa época em que a medicação disponível era ainda mais temível que a própria doença. 

A desinformação sobre o vírus, a forma de transmissão e sobre a doença potencializava o preconceito da sociedade heteronormativa contra o segmento gay que, por sua vez, reproduzia o mesmo sentimento contra a comunidade negra LGBT que, por seu turno, não conseguia conviver com as pessoas soropositivas. Um show de preconceitos!

Posar é ter postura, atitude. Pose é o título da série, mas é uma ordem que vem sido dada não só nos anos 80, mas ainda agora se realmente quisermos nos destacar nessa competição que extrapola as plumas e os paetês.


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*Perfil: Joney Fonseca é jornalista, ator, artesão e funcionário público estadual há mais de 20 anos.





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