#CineCafé: Filme “O Doador de Memórias” fala sobre o perigo de aceitar tudo como verdade

outubro 10, 2014




Por Sílvia Amâncio*



Um mundo limpo, seguro, organizado. Comunidades homogêneas, que desconhecem a fome, dor, guerra, diferenças. Não existe diversidade, somente equilíbrio e uniformidade, muito menos poder de escolha. O sexo foi abolido como forma de reprodução, o controle climático é equilibrado para manter a produção agrícola. Um conceito futurista e mnemônico de existência linear e perfeita.

Esse é o ideal de mundo no filme O Doador de Memórias, onde seus cidadãos nunca mentem, pois desconhecem essa prática. Vivem suas vidas condicionadas e padronizadas pelos anciãos, os únicos que possuem as “memórias do passado” e o poder de escolherem a posição social e o ofício de cada pessoa baseados na habilidade de cada um.

Jonas, um jovem sem grandes aspirações recebe a obrigação de ser o novo “receptor de memórias”, ou seja, saberá de todas as verdades da história do mundo, de nossa evolução civilizatória e mais, ele pode mentir.

O filme mostra a angústia e a revolta de Jonas ao saber de tantos segredos do passado da humanidade, a crueldade do homem, guerras, fome, dor, medo e a pior sensação do mundo, a de perda. O jovem receptor começa a questionar o porque de esquecer e a importância de todos terem acesso ao conhecimento.
Fotos: Paris Filmes / Divulgação.

A atividade consiste em receber telepaticamente todos os acontecimentos da humanidade por meio de seu doador de memórias, interpretado por Jeff Bridges, homem amargurado, quase senil e que carrega o peso de ser um dos únicos a questionar o modelo de sociedade controlada.

A relação conflitante dele com seu novo posto, a possibilidade de mentir e manipular abre um mundo de novas possibilidades, os sentimentos de coletividade e de justiça começam a criar forma. A relação dele com seus amigos e com sua família são postas em jogo e cabe a ele a escolha de manter sua comunidade “pacificada”, porém na escuridão do desconhecimento.

O longa aborda os perigos de se viver em uma sociedade altamente controlada, autoritária, excludente em que a máxima é “quando as pessoas são livres para escolher elas sempre escolhem mal”.

Junte-se a isso uma dose diária de um secreto medicamento que faz com que as pessoas vivam de forma passiva, sem questionar as regras, por mais absurdas que sejam, sem criticar as relações e as posturas impostas por um seleto grupo de pessoas. Qualquer semelhança com governos ditatoriais não é mera coincidência. Aldous Huxley e seu Admirável Mundo Novo mandam lembranças.



Ficha Técnica:
"O Doador de Memórias" (Giver) – 2014 – EUA - Ficção Científica
Direção: Phillip Noyce
Elenco: Jeff Bridges, Meryl Streep, Katie Holmes, Alexsander Skarsgard






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*Perfil: Sílvia Amâncio é jornalista, entusiasta da Sétima Arte e de um tanto de outras coisas. Especializada em comunicação em projetos ambientais e especializando em Comunicação e Saúde. Costuma escrever sobre relações viróticas de trabalho, saúde, direitos humanos e mídia, sempre levando para o lado latino-americano e socialista da vida ao sul da fronteira.









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