Leilão do Campo de Libra aposta no modelo de partilha em consórcio de extração

outubro 21, 2013

Foto: Petrobras / Divulgação.

Em um modelo de negócio até então inédito no Brasil, o consórcio formado entre Petrobras (10%, mais os 30% obrigatórios), Shell (20%), Total (20%) e as chinesas CNPC e CNOOC (10% cada), venceu o leilão do Campo de Libra, na tarde desta segunda-feira (21/10), no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Até 2010, o governo brasileiro adotava o sistema de concessões, no qual as empresas petrolíferas interessadas ficam com todo o óleo de um bloco arrematado em leilão, pagando à União apenas impostos, royalties e participação especial. Este modelo ainda está vigente para os campos fora do pré-sal.

Já no modelo de partilha, as petrolíferas repartem com o governo brasileiro o resultado da exploração, além do Estado possuir uma parcela de produção de cada campo de petróleo. Ainda, a empresa recebe em petróleo a sua parte, caso encontrar o recurso mineral na área leiloada.

A polêmica do Leilão de Libra se dá porque já há estudos que garantem a existência de petróleo, então nenhuma empresa está investindo em algo “no escuro”.

Porém, devido a profundidade equivalente a 23 torres Eiffel (7.452 metros) e o fato do óleo encontrado no fundo do mar ser menos poluente e mais valioso, acredita-se que o Brasil investiria sozinho muito dinheiro para a extração, sob o risco de que nas próximas décadas o petróleo não seja tão valioso como é atualmente.

Pré-sal

As reservas de Petróleo da camada de pré-sal na bacia de Santos foram descobertas em 2006 e, segundo especialistas, podem superar a produção dos 100 bilhões de barris. Para este leilão, ficaram de fora da disputa, as empresas norte-americanas Exxon Mobil e Chevron – acusadas de desastre ambiental no Golfo do México, e as britânicas BP e BG.

O poço de Libra situa-se a 183 km da costa do Rio de Janeiro. De acordo com a Petrobras, a profundidade atingida no poço em Libra é de 5.410 metros, com 22 metros perfurados no pré-sal. A perfuração ainda deve alcançar 6.500 metros de profundidade.
O ministro Edson Lobão e os representantes do consórcio
comemoram a vitória do leilão. Foto: Rony Maltz/Folhapress.

Apesar de ter aberto licitação com bastante antecedência, 11 empresas manifestaram interesse no Campo de Libra, sendo apenas um consórcio ter mostrado a proposta no leilão desta segunda-feira (21/10) e, com isso, se tornou o vencedor.

Mesmo que tivesse outras empresas ou consórcios interessados, a Petrobras entraria como sócia, devido a legislação vigente. Juntos, o consórcio vencedor formado por Petrobras, Shell, Total, CNPC e Cnooc terão o direito de explorar por 35 anos o Campo de Libra, o que consumirá R$ 400 bilhões em investimentos.

Especialistas acreditam que o início da produção pode levar de cinco a dez anos e que o pico da produção pode levar 15 anos para ser atingido. O contrato só será assinado após o consórcio pagar ao Governo Federal a quantia de R$ 15 bilhões – dinheiro este que será usado para chegar à meta de superávit primário deste ano.

Agressões

De acordo com uma nota emitida pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), quatro jornalistas foram agredidos na tarde desta segunda-feira (21/10), no Rio de Janeiro, durante a cobertura de protesto contra o leilão do Campo de Libra.
Foto: Revista Veja / Reprodução.

Houve confronto entre manifestantes e agentes da Força Nacional. A repórter Aline Pacheco, da TV Record, foi agredida por manifestantes com um soco nas costas. O fotógrafo Gustavo Oliveira, da agência britânica Demotix, foi atingido por uma pedrada.

O também fotógrafo Pablo Jacob, de O Globo, e o cinegrafista Marco Mota, da TV Brasil, foram atingidos por balas de borracha disparadas por agentes da Força Nacional. Um veículo da TV Record foi virado por manifestantes.






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2 comentários

  1. Francisco Bertoletta21 de out de 2013 23:23:00

    Wander, podem falar o que quiser mas acho que o Brasil fez um mal negócio. Se Libra tem esse potencial todo de petróleo, acho que valeria o investimento, nem que fosse em parceria. Para mim, esse leilão foi de cartas marcadas, só pra constar mesmo. Esse país não toma jeito mesmo....

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  2. Sabe de uma coisa? Eu só consegui entender esse negócio de leilão de libra depois que li o seu post. Obrigado por esclarecer as minhas dúvidas.

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