Café Folia 2013 – Volta do Teste de Fidelidade sacode a transmissão do Carnaval na TV

fevereiro 10, 2013




Entra ano e sai ano, o Carnaval na TV aberta é a mesma coisa. Se não são os desfiles das escolas de samba no eixo Rio-São Paulo, o público fica com a euforia dos trios elétricos do Carnaval de Salvador e nas demais capitais nordestinas. No entanto, desde que foi criada, a RedeTV! chama a atenção do telespectador por justamente mostrar os bastidores da folia, de uma maneira nada convencional, diga-se de passagem.

Em meio a erros, micos e uma passarela de gostosas que ganham visibilidade de uma hora para outra, a emissora de Almicare Dalevo e Marcelo Carvalho parece que resolveu dar uma de Silvio Santos e apostar na volta de um clássico que a consagrou logo nos primeiros anos de vida: a volta do Teste de Fidelidade, criado pelo humorista e apresentador João Kléber, que passou oito anos em Portugal fazendo este mesmo quadro e, agora, retorna de vez ao Brasil.

Por mais tosco que seja, este ano a RedeTV! está mais segura nos bastidores do Carnaval: o mico deu lugar a apelação de mostrar as gostosas cada vez mais a vontade. A sua maneira característica, a emissora tem conseguido mesclar entrevistas gravadas com o conteúdo ao vivo. Houve ano que o negócio foi bem mais constrangedor. Este ano senti certo amadurecimento, apesar da vulgaridade de desfilar gostosas sem nada a dizer continua sendo a tônica da cobertura dos bastidores.

A novidade deste ano ficou mesmo com o retorno do Teste de Fidelidade, ao vivo, em pleno Carnaval paulista. Como comunicador, João Kléber é mestre na arte de prender o telespectador na frente do televisor. Por um momento, cheguei a acreditar na veracidade do tal teste. Mas a coisa é tão tosca que a impressão que tenho que a intensão é ser desse jeito mesmo: um grande jogo de 7 erros, onde o telespectador é convidado a rir do ridículo de ver um casal se desfazer a partir de um teste de fidelidade. Tem até um quê de voyerismo. Abaixo, assista a volta do Teste de Fidelidade em pleno Carnaval:

No Twitter, os internautas foram desvendando os erros do quadro um a um e, ao mesmo tempo, morrendo de rir com o circo eletrônico proposto por João Kléber. O primeiro erro foi o mais gritante: o teste foi gravado às 19h da noite, segundo o apresentador. Mas antes, ele fez questão de mostrar um e-mail enviado por uma telespectadora que queria testar a fidelidade do marido. Detalhe: o e-mail tinha sido enviado às 21h [do mesmo dia] e estava impresso na mão do apresentador que fazia questão de mostrar a prova [de veracidade] para a câmera.

É João Kléber voltando no mesmo estilo despudorado. A gente sabe que ele é assim e continua assistindo, numa espécie de transe. A todo momento, João fala para mulher não assistir que o negócio tinha ficado feio que ela iria se surpreender. O marido, um despachante que faz bico como segurança, tinha sido contratado para fazer a segurança de uma filha de um empresário que iria desfilar no Carnaval paulista.

O marido não contou à esposa que ele iria fazer a segurança de uma outra mulher. No palco, a esposa ficou fula. E com razão. O marido cheio de malícia ficou todo entusiasmado quando viu a gostosona dando mole. E ela ainda tinha uma amiga tão maliciosa quanto. O teste não foi mostrado até o final. Mas no estúdio a esposa já queria comer o marido vivo.

Em um tablet, João disse que ia achar a localização exata do marido no Carnaval, pois a esposa havia instalado um GPS no celular dele. A esposa agride o marido e o João Kléber. As gostosas saem correndo. No final, algo criativo por parte do rei das pegadinhas de fidelidade: o marido tinha descoberto que a esposa havia pedido o Teste de Fidelidade e resolveu fazer uma pegadinha com ela, fingindo que tinha caído no teste. A esposa foi surpreendida e o quadro terminou com um beijo romântico do casal e um buquê de flores.

No Twitter, os telespectadores descobriram a verdadeira identidade do tal marido que, na verdade, é ator. Enquanto João Kléber marcava o seu retorno à TV aberta brasileira trolando o público com mais uma encenação, a audiência da RedeTV! crescia como a muito tempo não se via. A brincadeira toda rendeu a vice-liderança, com uma média de 3 pontos e pico de 5 pontos, ficando atrás apenas da Rede Globo que exibia o Carnaval paulista. Mesmo propondo um grande circo, João Kléber mostra que ainda entende o que o público quer ver. Enquanto o teste esteve no ar, a exibição do circuito de trio elétricos baianos comeu poeira. Até a Record, com o programa Legendários, ficou na frente.

O mais engraçado de tudo isso é que o custo da RedeTV! em armar mais um Teste de Fidelidade (piloto de carnaval) e a cobertura dos bastidores tem um gasto pequeno, se compararmos com o investimento de logística e de transmissão que as suas concorrentes diretas – Band e SBT, precisam fazer para colocar o Carnaval no ar. É apelativo, trash e uma volta ao fundo do baú da TV aberta, onde nada se cria, tudo se copia e recicla.

O faturamento comercial da transmissão do Carnaval nordestino feito por SBT e Band pode até fechar a conta das emissoras e ser lucrativo, mas há algo no modelo de transmissão que afasta o telespectador. Talvez seja a hora certa de rever o formato de cobertura deste Carnaval e torna-lo mais atraente. Só o show ao vivo em cima do trio elétrico não é capaz de segurar a audiência. E isso vale também para a transmissão chata do Carnaval paulista e carioca. O telespectador quer ser surpreendido. E a surpresa da noite de ontem tinha cheiro de mofo, nome e sobrenome. O Teste de Fidelidade está de volta mais vivo do que nunca.



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3 comentários

  1. Francisco Bertoletta10 de fev de 2013 15:28:00

    Não tenho a menor paciência com esse João Kléber, mas tenho que admitir que ele consegue fazer a gente ficar preso para ver o que vai acontecer no Teste de Fidelidade.

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  2. Eu assisti de madrugada este Teste de Fidelidade enquanto estava voltando da balada. Era a coisa mais interessante que estava passando na TV naquele horário. Quando era adolescente, todo mundo comentava desse teste de fidelidade na minha escola...rolava muita baixaria.

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  3. Não teria coragem nunca de fazer o meu marido participar de um Teste de Fidelidade. Isso é da mole pro azar...rs. Sou muito ciumenta....kkkkk.

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