Ponto de Vista – Quando o jornalismo é usado de modo irresponsável

dezembro 11, 2011

Esta semana não se falou em outra coisa: a célebre saída de Fátima Bernardes do Jornal Nacional (JN) e a entrada de Patrícia Poeta. Todo mundo comentou. E grande parte dos críticos e jornalistas que cobrem os bastidores da TV também não fugiram da pauta. 

Alguns, com bom censo e ética, apuravam cada informação antes de repassar para o público. Já outros – seja por imaturidade ou por uma linha editorial tendenciosa, preferiram inventar bobagens, em busca de dar um furo jogando qualquer coisa no ventilador para, desse modo, tentar “negativar” a troca de apresentadoras do JN.

Falaram de um tudo: que a saída de Fátima seria por causa do HDTV para esconder as rugas; que a esposa de William Bonner seria uma estratégia da Globo para salvar as manhãs da emissora carioca (que é líder há décadas na TV aberta); que o Mais Você e o Bem Estar iriam virar quadros do novo programa de Fátima Bernardes, entre outras coisas que não vale a pena nem ficar repercutindo. 

Além disso, grande parte dos “colegas” começaram a soltar notinhas especulando como seria o novo programa de Fátima Bernardes, na base da invenção, e não da apuração. Se for isso mesmo, dei um furo. Se não for, deixa como estar....o povo esquece mesmo, né! Tem gente que pensa assim. Credo! No fritar dos ovos, a Rede Globo acabou enviando um comunicado para a imprensa desmentindo toda essa onda de boatos e avisando que quem ia rodar era a TV Globinho, que passaria ser exibido somente aos sábados.

Não é a primeira vez que isso acontece e, provavelmente, nem vai ser a última. Infelizmente, muitos veículos de comunicação não levam a sério a cobertura de bastidores de TV. Ou ainda pior: jornalistas que preferem jogar a própria credibilidade na janela só por conta de uma briga (de egos) entre emissoras X e Y. Isto é triste!

A base do jornalismo é a apuração, independente de qual editoria se está trabalhando. E, infelizmente, alguns colegas estão passando do ponto e se rendendo ao que o Aguinaldo Silva certa vez apelidou de "jornalismo fifi”. Trata-se daquele profissional que inventa um “bafão” que não é verdade, só para poder causar repercussão. Tem uma jornalista que já passou pela Folha e atualmente está no R7 que adora se prestar este tipo de coisa. Jornalista de verdade não inventa, apura.

É graças a uma boa apuração que conseguimos fazer um jornalismo cada vez mais relevante para a sociedade, seja passando as informações de modo correto, seja denunciando politicagens, desvio de verbas, falcatruas, criminalidades, danos ambientais, entre outros. 

Por isso é tão importante ler mais de um jornal para não ficar refém de uma única visão que nem sempre corresponde com a realidade. Só a título de curiosidade, hoje a editoria de entretenimento representa mais de 70% da audiência da internet, por exemplo. Blogs e sites que cobrem entretenimento estão falando para milhões e para o mundo. É preciso ter mais responsabilidade!



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*Observação: Este artigo faz parte da minha participação na seção Ponto de Vista, do site do Cena Aberta, onde três jornalistas publicam um artigo mostrando pontos diferenciados sobre o mesmo assunto. Todo sábado você vai encontrar artigo escritos por Endrigo Annyston, Emanuelle Najjar e Wander Veroni.





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Jornalista

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6 comentários

  1. Ei Wander! Parabéns pelo post meu querido. Concordo com tudo que você falou. Acho que o jornalismo de entretenimento, muitas vezes, vira munição na guerra de ego entre as empresas jornalísticas, o que é muito triste e nojento. Beijos e excelente semana para você.

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  2. Francisco Bertoletta11 de dez de 2011 13:32:00

    Wander, esse seu artigo é um alerta importante para que muitos internautas passem a filtrar melhor o que eles leem na internet ou absorvem da mídia geral. Muito bom, meu caro. Abraço

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  3. É por essas e outras que nem dou credito a que a Fabiola escreve no R7...ela só inventa lorota para alfinetar desafetos dela e da empresa em que ela trabalha. Isso é o cúmulo do desrespeito!

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  4. Oi, Wander!
    Sou aficionada por notícia. Começo meu dia lendo jornais e sites relacionados, entretanto tenho muito cuidado com o que leio e observo atentamente o que cada site, jornal e sobretudo com o que um jornalista escreve. Se o que ele publica se comfirma, se tem fundamento, se é uma pessoa confiável e com credibilidade.
    Isto posto, é preciso dizer que de fato os últimos acontecimentos envolvendo as trocas de âncoras da Globo trouxe à luz quem são os jornalistas sérios e com credibilidade e os que estão apenas querendo lançar uma fofoca para tentar fazer com que o ofendido se manifeste contando pra ele o que não teve a competência de apurar e trazer para seu leitor aquele detalhe que ninguém conseguiu.
    É de fato um jornalismo rasteiro e como dizem vocês do meio, de pouca prática.
    Me assusta ver a Fabíola Reipert se prestar a esse papel que vem fazendo nos últimos tempos. Jogar no lixo um nome e a credibilidade apenas para para se tornar comentário por alguns dias. Já não leio nada que a Fabíola escreve por que não acredito nela, nem mesmo quando fala a verdade.
    Todavia, quero parabenizar meu jovem amigo jornalista Wander Veroni, que a despeito de todo esse lixo apelativo que somos obrigados a presenciar no jornalismo, tem se portado com dignidade e respeito diante dos mais variados assuntos. É uma luz no fim do túnel.

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  5. O jornalismo é o OLHO, a BOCA e o OUVIDO da sociedade, mas seja jornalista com diploma ou não, todos têm de ter um princípio básico: ética. Na faculdade de jornalismo nos ensinam que temos de ter um olho crítico e divulgar os fatos como eles são. Isso é jornalismo sério. Agora, quando a coisa é levada por segundas intenções, é ruim. Abração, amigo Wander. Bom domingo.

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  6. Corretíssimo, jornalista de verdade não inventa, apura os fatos!
    Parabéns pelo ótimo post.

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