Café com Notícias
Denúncia - Jornalistas mineiros são acusados de serem funcionários fantasmas
julho 04, 2009
O Jornalismo vive um dos seus momentos mais críticos na sociedade, onde o STF (Supremo Tribunal Federal) coloca em xeque a atividade perante à imprensa e o público. Em linhas gerais, de acordo com a Justiça, qualquer profissional graduado pode ser Jornalista, numa atitude que desvaloriza completamente o ensino superior, o conhecimento científico produzido até então - ligado a Ciências da Comunicação, e a técnica jornalística. Ou seja, ao invés da sociedade evoluir, damos não só um, mas dois passos para trás.
Mesmo com essa decisão polêmica, muitas empresas de comunicação afirmam que continuarão buscando na academia os seus futuros talentos profissionais. Dúvido! Infelizmente, se isso fosse verdade, todos os veículos de comunicação se uniriam para impor mais profissionalismo à categoria e combater esse desrespeito a qualidade da informação repassada ao público - valorizando, principalmente, os profissionais graduados que exercem este ofício com respeito, conhecimento e dignidade. Querem desmoralizar o Jornalismo! Mas, antes que isso aconteça, o tapete das empresas de comunicação, aos poucos, começa a ser puxado.
Se os jornalistas não possuem uma categoria firme, unida e representativa, o que dirá dos salários que estão cada vez mais achatados - para não dizer humilhantes. A maior parte dos profissionais, mesmo sendo empregado em um lugar específico, acaba tendo que se aventurar em mais de um emprego ou em trabalhos freelancer para poder melhorar o seu orçamento no final do mês. Foi por causa de salários, que o debate entre o público e o privado tem sido alvo de discussões importantes na internet, que afloraram questões de ética, moral e dever como cidadão, nesta última semana.

Pois bem, o jornalista Fábio Pannunzio - que também atua como editor online do Blog do Pannunzio, trouxe a público uma séria de reportagens, em forma de denúncia, falando que alguns jornalistas de Minas Gerais atuam como "funcionários fantasmas" em gabinetes de políticos em Brasília.
A denúncia em questão trouxe à tona que boa parte dos jornalistas da Rádio Itatiaia estão ou estiveram lotados nos gabinentes dos senadores Hélio Costa (PMDB-MG, atual ministro das Comunicações), Wellington Salgado (PMDB-MG) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Inclusive, o diretor de jornalismo da emissora - Márcio Dotti, mantém a própria esposa lotada no gabinente de Wellington Salgado, desde 2003, sem ela nunca ter aparecido por lá.
A denúncia em questão trouxe à tona que boa parte dos jornalistas da Rádio Itatiaia estão ou estiveram lotados nos gabinentes dos senadores Hélio Costa (PMDB-MG, atual ministro das Comunicações), Wellington Salgado (PMDB-MG) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Inclusive, o diretor de jornalismo da emissora - Márcio Dotti, mantém a própria esposa lotada no gabinente de Wellington Salgado, desde 2003, sem ela nunca ter aparecido por lá.
- Repórter da Itatiaia não aceita rótulo de "fantasma"
- Mulher do diretor de jornalismo da Itatiaia está na folha do Senado
Ainda, nos comentários dessas postagens do Blog do Pannunzio, é possível ler denúncias (que ainda precisam ser apuradas) de como funciona esse esquema que é encarado com naturalidade por muitos colegas de imprensa. Ainda, pelo que se foi levantado, não são só os jornalistas da Rádio Itatiaia atuam como funcionários fantasmas. Há denúncias de que jornalistas de outros grandes veículos de comunicação mineiros também mantém essa prática não só em Brasília, mas em prefeituras, secretarias e Câmara de Vereadores da Grande BH e na Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Não que trabalhar em mais de um lugar seja desonesto. Muito pelo contrário, trabalhar não é vergonha para ninguém. Mas, o fato em questão, é que esses jornalistas citados serem "fantasmas", ou seja, nunca terem ido trabalhar nesses gabinetes e receber altos salários por isso. Claro, quando lemos notícias desse tipo na internet, a primeira coisa a se fazer é apurar e ver a procedência disso.
De acordo com alguns colegas da imprensa, que pediram para não se identificar com medo de alguma represália por parte das empresas de comunicação, essa prática é antiga, pois muitos diretores sugerem que o jornalista aceite tal função para ter um "adicional" no final do mês.
"Os jornais de Minas não vão repercutir isso nunca, porque todo mundo tem o rabo preso. Se um começar a denunciar, o outro vai atrás e no final das contas todos os grande veículos bebem da mesma água. Quem não gostaria de receber sem trabalhar?", afirma um editor de uma importante emissora de TV.
"Os jornais de Minas não vão repercutir isso nunca, porque todo mundo tem o rabo preso. Se um começar a denunciar, o outro vai atrás e no final das contas todos os grande veículos bebem da mesma água. Quem não gostaria de receber sem trabalhar?", afirma um editor de uma importante emissora de TV.
Para quem não conhece, Fábio Pannunzio é jornalista, repórter e escritor, graduado em Comunicação Social pela Faculdade Cásper Líbero de São Paulo. Atualmente, reside em Brasília e faz a cobertura política para a Rede Bandeirantes de Televisão, além de ser substituto de Bóris Casoy no "Jornal da Noite", exibido pela mesma emissora. Pannunzio foi o primeiro repórter de TV brasileiro a entrevistar as Farcs - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, em seus acampamentos, em plena selva colombiana. A experiência forneceu material para o livro "A Última Trincheira", lançado pela Editora Record, em 2001.

Só pelo currículo de Fábio Pannunzio, percebemos logo de cara que ele não colocaria no ar algo que não tivesse procedência e que não sofresse alguma apuração. Além disso, ao conversar com vários colegas da imprensa mineira - inclusive que atuam como funcionários públicos concursados, percebi outra denuncia: a prática de contratação de comissionários "fantasmas" por padrinhos políticos ou poderosos é mais comum do que imaginamos, não só na comunicação, mas em qualquer setor/ocupação do poder público.
Ser contratado, não ir trabalhar e receber por isso todo quinto dia útil do mês: isso é justo? Pode até não ser, mas para alguns políticos, isso é perfeitamente corriqueiro e legal. Será que alguém no Ministério Público ou Justiça toparia investigar esse escândalo dos funcionários fantasmas?
Ser contratado, não ir trabalhar e receber por isso todo quinto dia útil do mês: isso é justo? Pode até não ser, mas para alguns políticos, isso é perfeitamente corriqueiro e legal. Será que alguém no Ministério Público ou Justiça toparia investigar esse escândalo dos funcionários fantasmas?
Ano que vem é tempo de eleição. Mas, antes de gritar fora fulano ou cicrano, pensemos muito bem em quem iremos eleger para nos representar. Se a política está podre, cheia de falta de ética e moralidade, a culpa é nossa que ainda não aprendemos a pesquisar antes de votar. Pense nisso! A mudança está nas suas mãos. Além disso, os blogs tomaram para si a prerrogativa de mídia independente e que denuncia atos de irresponsabilidade - coisa que a mídia tradicional geralmente se cala pelo fato de ter o "rabo preso".
Por isso, a blogosfera ou as redes sociais são vistas atualmente como "coisas menores" pelas mídias tradicionais (TV, Rádio e impresso) para confundir o público, porque a revolução, o debate e o pensamento crítico são terrenos férteis neste espaço. Então, seja contra ao monopólio da informação. Leia mais de um jornal ou revista, ouça várias emissoras de rádio, acesse vários blogs e sites e troque de canal de TV mais vezes para não ficar refém de uma única forma de pensamento. Isso sim que é liberdade de expressão!
Por isso, a blogosfera ou as redes sociais são vistas atualmente como "coisas menores" pelas mídias tradicionais (TV, Rádio e impresso) para confundir o público, porque a revolução, o debate e o pensamento crítico são terrenos férteis neste espaço. Então, seja contra ao monopólio da informação. Leia mais de um jornal ou revista, ouça várias emissoras de rádio, acesse vários blogs e sites e troque de canal de TV mais vezes para não ficar refém de uma única forma de pensamento. Isso sim que é liberdade de expressão!
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