![]() |
| Newsroom da Record News, da Rede Record. Crédito: Divulgação. |
A alma do jornalismo é a notícia! E para se chegar a ela é preciso passar por algumas premissas básicas como a produção, apuração e edição. Atividades estas que funcionam de forma muito organizada e rápida para não se perder nenhum detalhe.
Há alguns anos está no mercado brasileiro o sistema all news (só notícia) para veículos de mídia eletrônica, principalmente rádio e TV, no qual faço questão de englobar também a web (blog, redes sociais e portais de notícias). Existem alguns modelos nacionais que ganharam bastante visibilidade e, nos seus respectivos espaços, fazem um jornalismo coerente e diferenciado.
Antes de mais nada, vamos começar pelo rádio. No Brasil, tanto a @CBN, do Sistema Globo de Rádio, quanto a @BandNewsFM, do Grupo Bandeirantes, são emissoras que priorizarem as notícias 24 horas na sua programação. Ambas emissoras são transmitidas via FM, ou seja: basta ter um rádio comum para ouvir.
Na TV Paga, temos a @GloboNews e a @BandNews, que são emissoras que transmitem nacionalmente seu conteúdo. A única que opera gratuitamente, via TV UHF, é a @RecordNews que completou em novembro/2008 um ano de vida.
Na internet temos vários portais como a @FolhadeSPaulo, o @G1 e @OTempo, entre outros, que cobrem a notícia minuto a minuto, fracionada ao internauta, e que muitas vezes, peca pela apuração precisa e ausência de elementos visuais, como por exemplo a fotografia.
E porque o sistema all news no Brasil privilegia tanto a factual fracionado? Não seria melhor apurar melhor o fato, antes de dar somente uma linha a cada minuto e assim fazer uma matéria mais rica de detalhe a cada meia hora, ou melhor ainda: apurar cada fato corretamente e depois soltar a matéria.
Não precisa ser uma reportagem grandiosa, mas que seja completa e informativa. E, desse modo, no decorrer do dia, abusassem mais de matérias com fotos, gráficos, podcast, vídeos e uma chamada gigantesca.
Já na TV, que tem uma premissa por imagem, deveria se investir em telejornais que cobrissem o factual e no restante da programação all news abusassem de outros formatos e produzissem outras pautas.
No rádio, é ainda mais gritante: quase não há espaço para o não-factual. Dificilmente ouvimos uma entrevista mais descontraída sobre assuntos variados e sem limite de tempo ou programas que investem em reportagem especial investigativa ou no estilo revista eletrônica.
O jornalismo morre quando não investe em outros formatos. Aliena o público e a criatividade do profissional, seja ele repórter, produtor ou editor. O vício da cobertura factual onipresente contamina o jornalismo que esquece que a sociedade possui milhares de outras pautas que podem ser abertas, exploradas e trabalhadas.
De quem é o erro? Dos jornalistas? Do público? De todos. O jornalismo ainda não aprendeu que existe um monte de pauta interessante, não factual ou até mesmo factual, que merece desdobramento, pesquisa e uma apuração mais detalhada.
Na TV All news são poucos os programas, como o Globo Repórter ou o Profissão Repórter, que são programas exibidos também na TV Globo (aberta) que fazem muito bem a cobertura do não-factual. Ou até mesmo o Fantástico ou o Domingo Espetacular que investem no formato de revista eletrônica.
Jornalismo minuto a minuto não é jornalismo, é outra coisa, completamente diferente. Será mesmo que informa a ponto de formar uma opinião? Tenho as minhas dúvidas. O fato acabou de acontecer e noticiá-lo, correndo o risco de se passar informações erradas ao público só pelo prazer do furo, é um desserviço. Falta mais pesquisa, mais criatividade no jornalismo all news, pois são vários assuntos que merecem ser tratados, porém o factual inibe a criatividade por causa do tempo.
Os jornalistas que cobrem o factual sempre reclamam do tempo. Correm contra o tempo - acham que são deuses. De certo, criou-se o mito de que só o novo é notícia. Claro, até concordo, em parte. Mas, o que é notícia? Transformar qualquer assunto em curiosidade não pode ser notícia também? Só um modo de informar é o certo?
Todos querem saber o que há de novo no mundo. Mas, o jornalismo pode ir além do factual também. Talvez esteja aí a maior mudança do jornalismo que ainda está para nascer. E a mídia eletrônica, principalmente a TV e o Rádio que transmitem notícias 24 horas, ainda não acordaram para o jornalismo opinativo, cidadão, pesquisador, instigador e prestador de serviço. Falta um olhar mais local, regional e criativo.
Já no rádio isso quase não existe. Falta programas especiais, grandes reportagens, entrevistas bem produzidas com especialistas ou personalidades, documentários (de áudio), de no mínimo 10 minutos sobre um tema, que pode ser dividido em várias partes.
O jornalismo precisa desacelerar um pouco e deixar o factual para os noticiários maiores da grade - e permitir que o resto da programação respire aliviada e abuse da criatividade para fazer um jornalismo de pesquisa, de apuração e de profundidade. Não é só de desgraças, tragédias e estatísticas curiosas que se faz um bom noticiário.
Gostou do Café com Notícias? Então, siga o blog no Instagram, no Twitter, no Facebook, no LinkedIn e assine a nossa newsletter.
Há alguns anos está no mercado brasileiro o sistema all news (só notícia) para veículos de mídia eletrônica, principalmente rádio e TV, no qual faço questão de englobar também a web (blog, redes sociais e portais de notícias). Existem alguns modelos nacionais que ganharam bastante visibilidade e, nos seus respectivos espaços, fazem um jornalismo coerente e diferenciado.
Antes de mais nada, vamos começar pelo rádio. No Brasil, tanto a @CBN, do Sistema Globo de Rádio, quanto a @BandNewsFM, do Grupo Bandeirantes, são emissoras que priorizarem as notícias 24 horas na sua programação. Ambas emissoras são transmitidas via FM, ou seja: basta ter um rádio comum para ouvir.
Na TV Paga, temos a @GloboNews e a @BandNews, que são emissoras que transmitem nacionalmente seu conteúdo. A única que opera gratuitamente, via TV UHF, é a @RecordNews que completou em novembro/2008 um ano de vida.
Na internet temos vários portais como a @FolhadeSPaulo, o @G1 e @OTempo, entre outros, que cobrem a notícia minuto a minuto, fracionada ao internauta, e que muitas vezes, peca pela apuração precisa e ausência de elementos visuais, como por exemplo a fotografia.
E porque o sistema all news no Brasil privilegia tanto a factual fracionado? Não seria melhor apurar melhor o fato, antes de dar somente uma linha a cada minuto e assim fazer uma matéria mais rica de detalhe a cada meia hora, ou melhor ainda: apurar cada fato corretamente e depois soltar a matéria.
Não precisa ser uma reportagem grandiosa, mas que seja completa e informativa. E, desse modo, no decorrer do dia, abusassem mais de matérias com fotos, gráficos, podcast, vídeos e uma chamada gigantesca.
![]() |
| Crédito: iStock / Reprodução. |
Já na TV, que tem uma premissa por imagem, deveria se investir em telejornais que cobrissem o factual e no restante da programação all news abusassem de outros formatos e produzissem outras pautas.
No rádio, é ainda mais gritante: quase não há espaço para o não-factual. Dificilmente ouvimos uma entrevista mais descontraída sobre assuntos variados e sem limite de tempo ou programas que investem em reportagem especial investigativa ou no estilo revista eletrônica.
O jornalismo morre quando não investe em outros formatos. Aliena o público e a criatividade do profissional, seja ele repórter, produtor ou editor. O vício da cobertura factual onipresente contamina o jornalismo que esquece que a sociedade possui milhares de outras pautas que podem ser abertas, exploradas e trabalhadas.
De quem é o erro? Dos jornalistas? Do público? De todos. O jornalismo ainda não aprendeu que existe um monte de pauta interessante, não factual ou até mesmo factual, que merece desdobramento, pesquisa e uma apuração mais detalhada.
Na TV All news são poucos os programas, como o Globo Repórter ou o Profissão Repórter, que são programas exibidos também na TV Globo (aberta) que fazem muito bem a cobertura do não-factual. Ou até mesmo o Fantástico ou o Domingo Espetacular que investem no formato de revista eletrônica.
Jornalismo minuto a minuto não é jornalismo, é outra coisa, completamente diferente. Será mesmo que informa a ponto de formar uma opinião? Tenho as minhas dúvidas. O fato acabou de acontecer e noticiá-lo, correndo o risco de se passar informações erradas ao público só pelo prazer do furo, é um desserviço. Falta mais pesquisa, mais criatividade no jornalismo all news, pois são vários assuntos que merecem ser tratados, porém o factual inibe a criatividade por causa do tempo.
Os jornalistas que cobrem o factual sempre reclamam do tempo. Correm contra o tempo - acham que são deuses. De certo, criou-se o mito de que só o novo é notícia. Claro, até concordo, em parte. Mas, o que é notícia? Transformar qualquer assunto em curiosidade não pode ser notícia também? Só um modo de informar é o certo?
Todos querem saber o que há de novo no mundo. Mas, o jornalismo pode ir além do factual também. Talvez esteja aí a maior mudança do jornalismo que ainda está para nascer. E a mídia eletrônica, principalmente a TV e o Rádio que transmitem notícias 24 horas, ainda não acordaram para o jornalismo opinativo, cidadão, pesquisador, instigador e prestador de serviço. Falta um olhar mais local, regional e criativo.
Já no rádio isso quase não existe. Falta programas especiais, grandes reportagens, entrevistas bem produzidas com especialistas ou personalidades, documentários (de áudio), de no mínimo 10 minutos sobre um tema, que pode ser dividido em várias partes.
O jornalismo precisa desacelerar um pouco e deixar o factual para os noticiários maiores da grade - e permitir que o resto da programação respire aliviada e abuse da criatividade para fazer um jornalismo de pesquisa, de apuração e de profundidade. Não é só de desgraças, tragédias e estatísticas curiosas que se faz um bom noticiário.
Gostou do Café com Notícias? Então, siga o blog no Instagram, no Twitter, no Facebook, no LinkedIn e assine a nossa newsletter.
Jornalista


