biografia
#CaféLiterário: Ex-Twister, Sander Mecca fala sobre a cadeia e superação das drogas
setembro 15, 2011Ele viu de perto o antes e depois da fama. Fez sucesso com uma boyband, no inícios dos anos 2000. Por conta de escolhas equivocadas, viu a vida mudar da noite para o dia. De artista consagrado nos programas de auditório da TV aberta, para a solidão de uma cela, após ser preso com uma grande quantidade de droga. Essas e outras histórias podem ser conferidas no livro “Inferno Amarelo”, do músico e ator Sander Mecca, que ficou conhecido em todo Brasil por fazer parte da banda Twister.
Lançado em parceria com a Fundação Juscelino Kubitscheck, o livro “Inferno Amarelo” faz parte do projeto “Fala Sério”, que tem como objetivo promover o enfrentamento das drogas por meio de debates e palestras com jovens, a partir de uma linguagem que seja próximo da realidade do público infanto-juvenil. A divulgação do livro tem sido feita até então, de forma independente, pelo próprio artista.
Em forma de diário, o livro é um retrato autobiográfico de todos os caminhos que levaram o artista a passar quase dois anos (613 dias) numa penitenciária acusado de ser traficante, quando na verdade ele era apenas usuário de drogas. Mais do que uma biografia, no livro podemos ver um @sandermecca completamente desnudo, transparente e sincero o bastante para mostrar o quanto o vício nas drogas o fez pagar um preço muito alto: a perda da própria liberdade.
"É engraçado como aqui na cadeia passamos a dar valor a coisas tão pequenas que, se muitas vezes parecem coisas inúteis quando estamos na rua, aqui se tornam dádivas". Trecho do livro "Inferno Amarelo", página 93.
Não é a toa que o livro chama “Inferno Amarelo” – uma referência ao uniforme dos presidiários. Na obra, Sander descreve como é a vida na cadeia, as gírias, os códigos de conduta e o mundo paralelo que é o Sistema Penitenciário Brasileiro, vendo de perto o horror e as barbaridades disfarçadas de regras de convivência entre os detentos.
Durante a leitura, não tem como não se emocionar com a comparação marcante que Sander faz entre as duas prisões que viveu: a imposta pelo empresário do Twister, que cuidava da carreira dos meninos como um fantoche; e o horror de ver o “sol nascer quadrado”, por conta de um vício destrutivo.
Ao final do livro, por mais duro que isso possa ser, chego a conclusão que talvez Sander precisasse passar pela cadeia para não jogar a própria vida no lixo, por conta do excesso de consumo de entorpecentes dos mais variados tipos. Claro, foi um trauma gigantesco, porém um aprendizado que lhe fez ver a vida com outros olhos e, principalmente, sair do vício. Mas, foi esse choque de realidade, cruel e injusto, que o artista conseguiu perceber o quanto o uso de drogas não valia a pena.
“Inferno Amarelo” é uma leitura gostosa, leve, como se fosse uma conversa entre amigos. Uma prova viva de superação de quem conseguiu dar a volta por cima e mostrar que todos nós temos direito a um novo começo. Um desabafo sincero de quem precisou ir para o inferno de uma Penitenciária para valorizar a vida, a liberdade. Vale a pena conferir!
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Jornalista


