Antes tarde do que nunca: o milagre da multiplicação não terminou em pizza. Após 23 dias de acusações sobre o aumento do seu patrimônio, Antonio Palocci renunciou ao cargo de Ministro da Casa Civil. O anúncio foi feito no final da tarde desta terça-feira (07/06), por meio de uma carta de demissão entregue à presidente Dilma Roussef (PT). Apesar do desfecho sob pressão popular, cabe agora o governo não tentar levar essa história para "debaixo do tapete" e mostrar compromisso com a coisa pública.
Se a entrada de Palocci no Planalto cinco meses atrás causou estranheza para alguns, a saída dele foi encarada como um alívio para muitos petistas que estavam nervosos diante da primeira grande crise do governo Dilma. Entre alguns membros do partido há o entendimento de que se foi “tirado um verdadeiro peso nas costas” que poderia comprometer toda a articulação política entre o Planalto e o Congresso.
Numa jogada rápida, a presidente formou o primeiro casal ministerial da história recente do Brasil. No lugar de Palocci, entra a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) que assume o posto, de forma imediata, no dia seguinte. Gleisi é esposa do ministro das Comunicações Paulo Bernardo e foi eleita para o Senado pela primeira vez no ano passado. De Brasília, as informações que chegam dão conta de que as substituições não param por aí. Dilma também irá substituir o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, com o intuito de fortalecer a interlocução do governo com os parlamentares e deixar a Casa Civil mais técnica.
Em entrevista coletiva, a nova ministra Gleisi Hoffmann está otimista com o novo desafio. "A presidente Dilma quer um funcionamento da Casa Civil na área de gestão, de acompanhamento de projetos e processos, conhecimento da equipe de transição. Trabalhamos em vários projetos quando eu era diretora de Itaipu e ela ministra de Minas e Energia. Ela disse que meu perfil se adequa ao que ela quer agora na Casa Civil, uma ação de gestão e é a isso que estou comprometida".
Já o senador Aécio Neves (PSDB-MG) comentou a demissão de Antonio Palocci. Aécio acredita que a atitude de Palocci põe fim à crise. "Do ponto de vista político, obviamente há um encerramento. Do ponto de vista jurídico, a Procuradoria do Distrito Federal certamente vai ouvi-lo e vai investigar se houve, eventualmente, tráfico de influência". Ainda, o senador tucano afirma que "a oposição continuará atuando em conjunto nas ações para investigar a origem da fortuna de Palocci e rever a estratégia de convocação dele ao Congresso para prestar esclarecimentos".
A crise que culminou na queda de Antonio Palocci teve início no dia 15 de maio, após o jornal Folha de S. Paulo revelar, com exclusividade, que o então ministro multiplicou seu patrimônio por 20 entre 2006 e 2010, enquanto atuava na empresa de consultoria Projeto. Cabem aqui os parabéns à Folha por pautar toda a mídia brasileira e trazer a tona uma denúncia importante para se debater ética, tráfico de influência e compromisso com o dinheiro público.
Esta foi a segunda vez que Palocci renuncia a um cargo de ministro por conta de denúncias. Em 2006, quando era um dos nomes mais fortes do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Palocci deixou o posto de ministro da Fazenda ao ser relacionado a suspeitas de que estaria envolvido na quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Abaixo, confira o videocast da repórter especial da Folha, Vera Magalhães, sobre a queda de Palocci:
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