#SaúdeMental: por que as ações de cuidado e prevenção precisam ir além de setembro amarelo?
setembro 15, 2026Setembro abre as cortinas para palestras em empresas e laços amarelos. Todos querem falar sobre saúde mental no trabalho. Mas, quando os funcionários voltam às suas mesas, como isso acontece na prática? Trabalhar com metas impossíveis e mensagens fora do horário de expediente, expõe um discurso longe da realidade.
A saúde mental no trabalho pede atenção além do Setembro Amarelo. Esse cuidado e prevenção devem ser feita durante todo o ano, seja capacitando profissionais, seja orientando lideranças. Em 2025, a Previdência Social concedeu 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, alta de 15,7% sobre 2024. O total não permite atribuir todos os casos ao emprego, mas dá a dimensão de um sofrimento que também atravessa as equipes.
“Não adianta falar sobre cuidado apenas quando o calendário pede”, afirma Carol Zein, sócia-diretora da Mami&Co, empresa de produtos para a primeira infância. A frase toca num ponto sensível: de pouco serve convidar alguém a respirar fundo se ninguém revê o volume de tarefas que lhe tira o fôlego.
Na companhia, encontros sobre convivência, saúde financeira e saúde mental dividem espaço com a Caixa da Gentileza, destinada a recados entre colegas. Segundo a empresa, um diagnóstico ouviu mais de 60% dos 119 funcionários. Há mérito em abrir a conversa; o próximo capítulo depende do que a gestão faz com o que escuta, inclusive ao definir as metas.
Esse cuidado ganha rosto quando uma mãe retorna da licença-maternidade, alguém enfrenta um luto ou precisa acompanhar um familiar doente. A vida não fica guardada no armário junto com a bolsa. Escutar sem invadir a privacidade e negociar ajustes possíveis são maneiras de reconhecer essa realidade, preservando a competência de cada profissional.
A inclusão dos riscos psicossociais ligados ao trabalho na NR-1 reforça a necessidade de rever sobrecargas, assédio e falta de apoio. Na prática, isso passa por chefias acessíveis, prazos viáveis e liberdade para pedir ajuda sem medo. Aplausos encerram palestras. O cuidado precisa continuar quando só restam as cadeiras para guardar.
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Jornalista



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