#Parosmia: Disfunção, que pode ser temporária, altera o olfato e pode ser causada pela COVID-19

novembro 18, 2021


Comida com cheiro de lixo, café com odor bem diferente do normal e produtos de limpeza com cheiro ruim? Esses sintomas são comuns de quem teve COVID-19 e está se recuperando da doença, que deixa alguns "resquícios" indesejados. O que poucos sabem é que essa disfunção tem nome: Parosmia.

Ela ocorre pela chegada do vírus às células e se dá pela ligação da proteína S (de spike, espícula) a receptores da enzima conversora da angiotensina 2 (ACE2), que ficam na sua superfície. Os neurônios olfativos não têm esses receptores, o que não é o caso das células de sustentação, que têm muitos. 

Segundo especialistas, essas células mantêm um delicado equilíbrio iônico no muco de que os neurônios dependem para realizarem o envio ao nosso cérebro. Se houver um rompimento no equilíbrio, a sinalização neuronal pode ser interrompida, e, em consequência, o olfato.

Klauber Menezes Penaforte, coordenador do curso de enfermagem da Faculdade Pitágoras, explica que o diagnóstico da parosmia é clínico e por identificação de sintomas. "O indicado é que a pessoa faça uma consulta com um otorrinolaringologista, médico que trata doenças relativas à garganta, nariz e ouvido. Exceto nos casos já confirmado de COVID-19, qualquer pessoa que perceba alguma alteração no olfato deve fazer um exame de PCR-RT, para verificar se está com o Coronavírus. Essa é uma preconização do Ministério da Saúde", alerta o profissional da saúde.

Vale lembrar que a Parosmia é uma disfunção que pode ser temporária, porém o tempo da recuperação total do olfato pode variar de pessoa para pessoa. "Ainda não se fala em cura definitiva para a parosmia. O que acontece é a realização de tratamentos e, em alguns casos, a pessoa consegue recuperar quase totalmente o olfato, mas uma cura efetiva ainda não é conhecida", ressalta o professor.

O processo de recuperação pode ser acelerado com a procura de profissionais como enfermeiros e médicos otorrinolaringologistas, que auxiliam o paciente a se tratar a partir do 14º dia com a COVID-19. Esses tratamentos podem ser realizados por meio de sessões de treinamento olfatório, com a recuperação dos sentidos básicos. 

"No tratamento olfativo, o paciente é colocado frente a diversos odores como rosas, pó de café e eucalipto. Os aromas são acomodados em recipientes fechados e você vai colocando o cheiro em contato com o paciente a cada 20 segundos para avaliar a percepção da pessoa em relação aquele odor. Normalmente, esse teste é realizado mais de uma vez ao dia. Em alguns casos, é possível que o médico receite alguns medicamentos como antibióticos, corticoides e vitaminas que possam ajudar na reabilitação do organismo".

Em relação ao tempo de recuperação, Klauber afirma que não há um padrão. "Varia de pessoa para pessoa. Mas sabemos que há uma boa chance de recuperação. E percebemos também que tem pessoas que perdem o olfato por muito tempo. É importante destacar que os odores têm um papel muito importante na memória das pessoas, no humor e nas emoções dos seres humanos. A parosmia implica diretamente na qualidade de vida dos indivíduos e precisa ser tratada", conclui o coordenador de curso.




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