#OrgulhoEPaixão: Novela rompe preconceitos ao mostrar casal homoafetivo e conquista o público

agosto 25, 2018

Foto: TV Globo / Reprodução. 

Com uma pegada leve e bem-humorada que lembra muito as novelas de época que Walcyr Carrasco já escreveu para a TV Globo, “Orgulho e Paixão” tem se mostrado inovadora a discutir empoderamento feminino, violência familiar, machismo e, mais recentemente, rompeu todos os preconceitos ao colocar o primeiro casal homoafetivo não estereotipado em uma novela que se passa em 1910, em São Paulo, mais precisamente na fictícia cidade do Vale do Café.

Nesta sexta-feira (24/08), as hashtags #OrgulhoEPaixão e #Lutavio estavam entre os assuntos mais comentados do Twitter. Tudo porque o personagem do mecânico Luccino revelou para a família que ama o Capitão Otávio e, com isso, foi expulso de casa pelo pai e renegado pela mãe. Apesar do clímax catártico desta cena, os fãs da novela estavam a loucura com o possível beijo do casal que, já há algumas semanas, vem entrelaçando olhares, conversas, momentos de amizade e companheirismo.

Escrita por Marcos Bernstein, livremente inspirado nos romances “Razão e Sensibilidade” (1811); “Orgulho e Preconceito” (1813); “Mansfield Park” (1814); “Emma” (1815); “A Abadia de Northanger” (1818) e “Lady Susan” (1871) da escritora inglesa Jane Austen, a novela "Orgulho e Paixão" teve um começo difícil, com personagens açucarados, idealistas e que pareciam está a procurada do par ideal, como se a felicidade humana se reduzisse a condição de estar ou não em um relacionamento amoroso estável, como o casamento, por exemplo.

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Até que o autor sacou que poderia inserir outros debates na novela e aproveitar o espírito livre de Elisabetha para uma virada na história, quando alguns dos personagens resolvem abandonar o Vale do Café rumo a cidade de São Paulo para ganhar a vida e conhecer o mundo. Foi nesse exato ponto que a trama deu uma virada e um salto de qualidade. Os conflitos sociais da época passaram a ganhar uma lente de aumento ou até viraram locação como o cortiço, a greve na fábrica de tecidos e a abertura de um jornal impresso feito por uma mulher e um jornalista negro.
Foto: TV Globo / Reprodução. 

Mesmo com esses ganhos, “Orgulho e Paixão” ainda nos dava a impressão de ter mirado na Jane Austen e ter acertado no Walcyr Carrasco. Não que isso seja ruim. Pelo contrário, o folhetim, em inúmeras cenas, parece fazer uma homenagem direta ao autor que se consagrou por colocar o humor pastelão e vilãs caricatas em seus folhetins de época com muito sucesso de audiência, diga-se de passagem.

E assim, livre de qualquer pudor, Marcos Bernstein resolveu abrir a lente para o introspectivo Luccino. Amigo carinhoso e leal de todas as horas de Mariana e do Tenente Brandão, o jovem mecânico começa a olhar mais para si e colocar para fora o que se sente, se apaixonando primeiro pela figura de Mário, quando Mariana Benedicto, resolve se travestir de menino para poder correr de moto nas corridas promovidas pelos rapazes do Vale do Café.

E quando a gente pensa que Luccino estaria apaixonado por Mariana, o autor vem e nos mostra que não é bem isso. Paralelamente, o Capitão Otávio se vê livre de um casamento forçado com Lígia Benedicto, irmã de Mariana, que ficou grávida do trambiqueiro e sedutor barato, Uirapuru. Lígia cisma em namorar Otávio que foge dela igual o diabo foge da cruz. O casamento não acontece e o capitão passa a querer fazer aulas de direção com Luccino. E assim, dois personagens que até então pouco se cruzavam, passam a descobrir que tinham algo em comum.

O mais legal de “Orgulho e Paixão” foi mostrar a construção do relacionamento de Luccino e Otávio. Não foi algo gratuito, nem amor à primeira vista. Ambos foram se reconhecendo nos seus medos e na vontade de querer experimentar um amor de verdade, sem julgamento. Além disso, ponto para o autor que colocou dois homens gays na história sem o estereotipá-los ou subjugá-los pela lente distorcida do humor.
Foto: TV Globo / Reprodução. 

Para a comunidade LGBTQIAP+ é um avanço e tanto, sobretudo porque a homossexualidade é algo que não é só desse tempo atual, mas sim da história da humanidade. E trazer isso de uma forma natural, mostrando que o casal #Lutavio vai ter que enfrentar sim muito preconceito social para ficar juntos, mas também vai contar com o apoio de pessoas muito queridas da novela que irão os ajuda-los, assim como acontece na vida real.

Desde Félix e o Carneirinho, de "Amor à Vida" (2015), que por coincidência (ou não) foi de Walcyr Carrasco, não se via o público nas redes sociais torcer tanto para um casal homoafetivo. Pode parecer pouco para alguns, mas para a causa é um passo e tanto ver a maior emissora do país e a quinta do mundo permitindo colocar uma história de um relacionamento gay masculino de forma natural, sensível e nada apelativa. Que venham mais novelas assim! Inspiradoras.





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Jornalista

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1 comentários

  1. A novela está linda mesmo, e a trama de Luccino e Otávio soa bem natural. Comecei a acompanhar a novela por conta dos dois personagens, não nego, devido ao "bumm" que eles começaram a causar nas redes sociais. Não consigo pensar no que o final reserva para os dois, pois mesmo sabendo que os 2 devam ficar juntos, devido a época, ambos possuem motivos que os fariam ficar no armário. Mas tenho a esperança de que o autor vai presentear os fãs de Lutavio com 1 beijo entre eles e um final feliz. Eles merecem, e nós, que torcemos por eles, também.

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