Luisa Mell e a polêmica do resgate dos beagles no Instituto Royal

outubro 23, 2013


Tenho acompanhado nas redes sociais com bastante entusiasmo os desdobramentos do resgaste dos cães da raça beagles no Instituto Royal, em São Paulo. E um nome tem aparecido com frequência neste caso, o da apresentadora de TV, Luisa Mell, conhecida por defender a causa animal.

Pela primeira vez, o Brasil está realmente colocando em pauta a questão dos testes de medicamentos e de cosméticos em animais. Será que isso é mesmo necessário nos dias de hoje? Particularmente, sou contra a qualquer tipo de maus tratos em animais. Isso é um crime.

E testar remédios/cosméticos em animais é um crime, uma tortura. Não se trata só de um discurso politicamente correto de um entusiasta. Cachorros, coelhos, camundongos, e outros animais que agora não me veem a cabeça, são testados em laboratório, quando há métodos substitutivos tão eficazes quanto.

A grande questão do resgaste dos beagles no Instituto Royal é que o laboratório é uma OCIP, ou seja: recebe dinheiro público para fazer testes em de remédios e cosméticos em animais, mas não revela quem são os seus clientes.

Imagina só esta cena: um grande jornal ou noticiário da TV divulgando a lista de empresas que contratavam os serviços do Instituto Royal? Pensa no escândalo que ia ser.

Muitas empresas de cosméticos e indústrias farmacêuticas são anunciantes destes veículos e investem pesado em publicidade para que justamente isso não ocorra. Talvez, esteja aí o grande embate desta história toda: o interesse comercial nisso tudo é enorme.

Lembro de ter visto duas matérias sobre a invasão no Instituto Royal, uma no SBT e outra na Rede Globo. No SBT, vi cenas dos ativistas retirando os cães de canis sujos, animais machucados e até mesmo sem pata. No da Globo, os canis estavam limpos e o repórter deixou claro que os ativistas praticaram furto, ao invés de resgate.

Também me incomodou uma foto na Folha de S. Paulo de um cachorrinho beagle no canil limpo e todo feliz para as lentes do fotógrafo quando na verdade, pelas redes sociais, o que se via era justamente o contrário. Os ativistas postaram fotos dos cães assustados, alguns sem olhos, outros sem patas e com machucados severos. Muito triste.

Nesse debate todo, a apresentadora Luisa Mell tem ganhado destaque e virando pauta constante por suas declarações. Inclusive, o blog dela tem servido de fonte para muito jornalista, pois a moça entende muito do assunto. Uma coisa é não gostar da Luisa. Outra coisa é desrespeitar o trabalho dela.

Pelo que acompanho há alguns anos, Luisa não está nessa onda de defesa animal por brincadeira ou para aparecer. Por isso, achei sensacional a resposta que ela deu ao colunista da revista Veja que quis depreciar o trabalho que ela realiza. Sem sombra de dúvida, Luisa sambou na cara da sociedade com esta resposta, mas sambou bonito. Curti.

Para o portal iG, Luisa Mell ainda deu uma entrevista muito esclarecedora sobre toda essa polêmica do resgate dos beagles no Instituto Royal. Nada melhor do que ver a contextualização da história do ponto de vista de quem estava lá, vivenciando todo o fato. Vale a pena assistir e tirar as suas próprias conclusões. Confira o vídeo, abaixo:



Fotos: Reprodução / Facebook.




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13 comentários

  1. Agora assistindo a entrevista da Luisa Mell vejo que ela não só entende do assunto, como é de fato engajada com a causa. Bem feito para o colunista da Veja!

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    1. Oi Yolanda! Obrigado pelo comentário. Que bacana que o post te ajudou a entender o contexto da história e o trabalho feito pela Luisa Mell. Também adorei a resposta que ela deu ao colunista. Um forte abraço.

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  2. Francisco Bertoletta23 de out de 2013 11:44:00

    Wander, confesso que achei que esta moça estava se aproveitando da invasão para aparecer. Agora que li o seu post e vi a entrevista dela no vídeo, ganhou o meu respeito. É uma covardia mesmo fazer teste em animais.

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    1. Oi Francisco! Se tem uma coisa que acredito é que a Luisa Mell não está nessa causa para aparecer, até porque creio que ela não precisa disso. Fico contente que de alguma forma o post ajudou a formar a sua opinião. Um forte abraço.

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  3. Eu não vou com a cara dessa Luisa Mell. Mas admiro o que ela faz pelos animais, e o que ela fez pelos cachorros usados como cobaias no Instituto Royal. Tomara mesmo que os ativistas consigam fechar esse lugar.

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    1. Oi Thyago! Fico contente que o post te ajudou a perceber a importância do trabalho da Luisa Mell que é apenas mais uma voz nesta batalha, mas não a única. Um forte abraço.

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  4. Gente, independente se é a Luisa Mell ou o Papa, o negócio é que usar animais como cobaias em laboratório é monstruoso. A gente tem que rever isso....não dá mais para aceitar esse tipo de crueldade. Parabéns pelo post, querido! Temos que defender os animais sempre. Beijos

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    1. Obrigado pelo comentário, Nayara. Também sou defensor dos animais. Esse resgaste do Instituto Rayal foi um marco para esta luta aqui no Brasil. Bjs

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  5. Wander, a questão é polêmica, mas vamos lá. Sou contra maus tratos a animais. Tourada é um crime para mim, assim como rodeio. Quando vejo notícias de pessoas que espancaram, esfolam, matam de fome etc animais, tenho vontade de torturar esses assassinos. Evito comprar roupas e objetos de couro e/ou pele e até o baby beef eu evito quando posso. Essas coisas são maus tratos, são de uma crueldade sem tamanho e totalmente desnecessárias. Infelizmente, a Ciência não entra nesse meio.

    Estagiei na revista Ciência Hoje durante quase um ano, acabei tendo contato com diversos cientistas. E consenso que, se houvesse outra forma de se testar medicamentos, eles não usariam animais. Infelizmente, hoje não há outro jeito em muitos casos. Vamos pegar um exemplo: digamos que desenvolvem uma substância que ajuda a cicatrizar cortes mais rapidamente. Você pega um tecido humano criado em laboratório e passa essa substância, com ótimos resultados. Mas quem me garante que ela não vai dar um efeito colateral, tipo aumento de úlceras no estômago? Ou diarreia? Ou mesmo sonolência? Se você não testa esse medicamento em um organismo completo (como um camundongo, um cachorro ou mesmo um primata - que é praticamente igual ao ser humano), você só vai conhecer esse efeito colateral quando as pessoas tiverem. Aí a mídia vai cair em cima, questionando o laboratório do por que de não ter descoberto isso antes.

    Esses efeitos colaterais não aparecem quando são testados em meios de cultura ou mesmo em programas de computador.

    Semana passada, eu estava discutindo com uma amiga e ela me fez uma pergunta: "Você acha que a vida de um ser humano vale mais que a de um animal?". Não, não acho. Mas meu pai é diabético e, há 25 anos, toma insulina suína. Alguns porcos tiveram que sofrer um pouco para que o laboratório desenvolvesse essa substância, mas é aquela, o que fazer? Deixar a diabetes matar o meu pai?

    Entrevistei um médico que participou da equipe que fez o primeiro transplante cardíaco do Brasil. Ele me contou que a técnica foi desenvolvida a partir de transplantes realizados em cachorros. Não é legal, é verdade, mas pensa comigo: quantas vidas os transplantes cadíacos salvaram? Quantas vidas as vacinas contra polio, tétano, rubéola, sarampo etc pouparam? Todas elas foram testadas em animais. Os soros contra venenos de serpentes são desenvolvidos em cavalos. Infelizmente, é um mal necessário.

    Os testes em animais são (ou deveriam ser) realizados com grande rigor técnico e científico. Cientistas do bem são treinados a causar o menor impacto possível nos animais. Animais esses que são criados com ração, água e ambiente de maior qualidade (muito melhor que muitos bichinhos nas casas). Pra terminar, deixo aqui o relato de um cientista ao matar seu primeiro rato. Não me pareceu desumano. http://scienceblogs.com.br/rnam/2009/12/o_que_um_cientista_sente_ao_sa/

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    1. Oi Lucas!

      Primeiramente, obrigado pelo comentário. Entendo os seus argumentos. Sem sombra de dúvida, a ciência teve que passar por isso para chegar aos resultados que temos hoje. A ciência evoluiu muito e acredito que evoluirá ainda mais.

      Mas, particularmente, não acredito que os testes em animais sejam necessários em todos os casos. E mesmo não entendendo muito do assunto, fico pensando porque alguns laboratórios não fazem testes com humanos aliado com testes substitutivos?

      Já tomei um remédio de alergia que ao invés de me curar me causou uma alergia ainda maior. Meu médico notificou o laboratório e mudamos o tratamento. Não tenho dúvidas que esse medicamento tenha passado por testes antes de ir para a farmácia. Por isso que acho que tudo isso é muito relativo.

      Trabalho como repórter de saúde há quase quatro anos. Não me lembro de ter feito matérias sobre testes em animais, mas já fiz muitas sobre medicamentos. E todo especialista é enfático em dizer que cada organismo é único e cabe ao médico acompanhar essas especialidades durante um tratamento.

      Acho muito rico esse seu depoimento porque mostra o outro lado em torno deste debate.

      Um forte abraço

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  6. Wander, tenho acompanhado algumas discussões bastantes calorosas na internet sobre este assunto. Até onde sei, os testes em animais precisam passar por um protocolo bastante rigoroso e não pode ser feito por sadismo. Em contrapartida, fico preocupada com os beagles resgatados do Instituto Royal.

    Isso sim é cerne da questão que não pode ser alterado. Esses cachorros passaram por um trauma muito grande. Conheço um dos ativistas. Essa minha amiga postou uma foto de um beagle no Facebook com um tumor enorme no ventre, outro com olhos costurados, outro sem patas, e isso é o que me faz questionar a credibilidade do Instituto Royal.

    Não sou hipócrita. Acho que os testes em animais são necessários em vários casos. Mas a questão é porque o Instituto Royal deixou esses cães neste estado? Isso era mesmo necessário? Tem cão que tem uma lágrima amarela nos olhos. Ninguém me contou. Eu vi isso de perto. Uma conhecida resgatou um beagle e o veterinário ainda não descobriu como curar isso. Gente, isso é muito triste.

    Então mais do que falar se os testes são ou não necessários, vamos pressionar o Instituto Royal por esclarecimentos para eles liberarem as fichas desses cães e expor as empresas de cosméticos e farmacêuticas que fizeram essa maldade com os cachorros.

    Não tinha visto esta entrevista da Luisa Mell. Gostei da postura dela, pelo menos. Não é uma louca em busca da fama como estão tentando pintá-la.

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  7. Wander, vi esse post no blog "Querido Leitor" e tem tudo a ver com o seu post. Acho que pode contribuir para o debate. A Rosana dá opinião dela sobre o Instituto Royal e levanta um monte de dúvida que faz muito sentido. Dá uma olhada: http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/instituto-royal-mentiu/2013/10/28/

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  8. Com relação à invasão do Instituto Royal, li uma matéria esses dias que questiona quem é esse Instituto? Não há nenhuma informação válida na internet sobre o trabalho que eles realizam, e sobre os possíveis benefícios que poderiam ter.

    Uma pesquisa minuciosa no Google não retorna nada de útil, nem histórico, membros, quadro de profissionais, capital, nada! Nem publicações, estudos ou algum material informativo relevante sobre suas práticas.

    O que se sabe é que animais estavam ali em situação precária, mutilados, talvez sem alimentação decente, e sem que se saiba exatamente qual o objetivo.

    Ótimo artigo!

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