#Crônica: Qual é a sua Tribo? Você já encontrou a sua?

dezembro 21, 2011

Guerreiro indígena brasileiro defendendo a sua tribo.
Foto: André Gardenberg. Link original da imagem.


O músico Tom Jobim já cantava que “é impossível ser feliz sozinho”. Se pararmos para pensar, durante toda a história da humanidade, o homem viveu em coletivo. Gostamos de estar em grupo. Nos sentimos mais seguros quando não estamos sozinhos. Primeiro temos contato com a família e, em seguida, com o grupo social de amigos, colegas da escola e do trabalho. Logo depois, construímos a nossa própria família e o círculo começa outra vez pelos olhos dos nossos filhos.

Estamos à procura da batida perfeita. Da sintonia. Procuramos os nossos pares. E não é só o elo da genética, do tipo físico. Mas o lado emocional, intelectual e afetivo. No decorrer da vida, procuramos o nosso grupo. Aquele círculo de pessoas com quem você pode contar, conversar, ajudar, apoiar e trocar ideias sobre assuntos em comum.

Não tenho o que reclamar em relação a minha família, que é o primeiro grupo que tenho contato desde que nasci. Temos conflitos como qualquer outra, mas no meio das nossas diferenças e semelhanças somos unidos e companheiros uns dos outros, nas horas boas e ruins. Quanto às amizades que construí até agora na minha vida, só tenho a agradecer. São poucos os amigos, mas eles fazem a diferença na minha vida. Pessoas que nos amam de verdade aceitam as nossas diferenças e querem somar e não apenas dividir. Esse ano de uma forma um pouco dura - porém necessária, aprendi o significado da palavra amizade e estou valorizando mais os poucos amigos com quem a vida faz questão de entrelaçar.
Foto: Blog Na Tribo.

Quem me conhece sabe que não sou extrovertido. Sou low profile, independente, carinhoso e leal aos que me amam. Se não gosto de uma pessoa, não forço a barra para ser amigo. Apenas respeito e sigo o meu caminho. Tenho poucos amigos e gosto de debate, de prestar atenção na fala do outro e de ouvir. Amo pesquisa, de ficar antenado ao que está acontecendo e de aprender. Tenho sede de aprender.

Talvez seja por isso que a vida acadêmica sempre teve um cantinho especial na minha trajetória e que este ano redescobri ao me tornar professor de curso de extensão universitária sobre Jornalismo Online, Blogs e Redes Sociais. Mas, mesmo amando a vida acadêmica, não conseguiria largar o Jornalismo. Gosto de pesquisar, de apurar, de criar, de analisar e de propor novas ideias. Fico tocado quando estou diante de uma boa história, de uma fonte/personagem que vale a pena ou quando o Jornalismo tem esse papel transformador e social. Amo a minha profissão e tenho paixão pelo meu trabalho!

Mas, mesmo me sentido amado pela minha família e por meus amigos, ainda me sinto só. O lobo que habita em mim ainda está andando pela floresta a procura dos seus. Creio que ainda não encontrei o meu grupo. Além disso, depois que comecei a fazer análise, estou mais atento a identificar as pessoas das quais sinto empatia, afinidade e que tem gostos parecidos com o meu. Já encontrei algumas, é verdade. Ainda estou montando a minha tribo e/ou procurando uma para me sentir inserido de forma plena, diária e física. Por coincidência, a @rosana escreveu um texto sobre isso no #QueridoLeitor. Clique aqui para conferir.

Eu estou em busca da minha tribo. Não estou desprezando o amor da minha família, nem dos meus amigos. A tribo é outro papo. Quem já se encontrou na sua, dificilmente conseguirá entender. Não se trata de isolamento, de ser antissocial. É de encontrar pessoas em que você pode conversar sobre qualquer assunto e elas sabem tão quanto ou mais que você sobre aquele tema. Pessoas que te compreendam sem julgamentos descabidos. De você não se sentir um E.T por ser o único da sua roda de amigos que entende ou acompanha determinado tipo de assunto. Sabe quando você sai de um papo com aquela sensação de que valeu uma aula dos dois lados? De troca. Eu estou sentindo falta disso.
Foto: Site Crise e Dinheiro.

Também não quero parecer arrogante e transparecer que sei de tudo. Aliás, ninguém sabe tudo de tudo. O aprendizado é um grande mosaico. E o processo de aprender, de apreender fica muito mais gostoso quando se tem companhia. Não estou desprezando as pessoas que de uma forma muito carinhosa compartilham o seu amor e o seu tempo comigo. Como disse lá em cima, a Tribo é outra vibe. É um complemento que quero ter na minha vida diária, com pessoas de carne e osso, onde eu consiga me sentir inserido.

Se pararmos para pensar aqui no Café com Notícias, durante esses 4 anos, podemos dizer que montamos uma tribo virtual. Mas como faço poucos posts pessoais, os leitores acabam me conhecendo melhor pelas redes sociais. Criamos uma afinidade virtual. E sou muito grato a cada um que doa um pouquinho do seu tempo para vir aqui no blog ou mexer comigo nas redes. Mas, peço que lá no fundo do seu coração, livre de qualquer preconceito, que estabeleça também para si encontrar a sua tribo no mundo real, de carne e osso.

O virtual é um barato. Une pessoas, diminui fronteiras e agrega conhecimento. Mas vamos também nos lembrar da importância do real. De ter uma tribo, de se sentir inserido. Essa semana fiz um ano de terapia e pretendo continuar em 2012. A análise me ajuda a me encontrar, de saber viver as emoções e ter a consciência plena do que quero para a minha vida, sem fantasmas, lembranças ruins ou neuras. É preciso seguir em frente, de aceitar as mudanças da vida, de se encontrar. Eu ainda estou em busca da minha tribo. Tenho fé que a matilha que formaremos se revelerá. E você, já encontrou a sua tribo?



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Jornalista

MAIS CAFÉ, POR FAVOR!

9 comentários

  1. Francisco Bertoletta21 de dez de 2011 20:03:00

    Wander, já estou numa outra fase da vida, na terceira idade, mas posso te falar uma coisa: não se sinta sozinho. O que você nos proporciona aqui no seu blog é de uma grandeza sem igual. Você ainda está no início da vida e com certeza encontrará a sua tribo. Não desanime. Abraços fraternos.

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  2. Também me sinto assim deslocada, principalmente porque a maioria dos meus amigos não gosta das mesmas coisas que eu. Adoro ler e discutir os livros que leio, por exemplo. Sempre que falo de um livro os amigos que não leem me olham torto...rs. Quando encontro alguém que lê ficou tão empolgada que até pareço chata...rs. Mas é assim...não podemos desistir de encontrar a nossa tribo. Também estou a procura da minha.

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  3. Muito bom o seu post. Me identifiquei com tudo o que você falou. Mas, o que mais gostei foi da foto do índio. A expressão dele ficou ótima...parabéns ao fotógrafo André Gardenberg pela linda imagem.

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  4. Olá Wander, eu acho que tem sim muitas pessoas que enxergam a vida com olhos parecidos com os seus, ligados, antenados, curiosos, sedentos por descobertas.

    Bom, eu já encontrei minha tribo...e já perdi. Normal. Coisas da vida, como dizem. Seguiram caminhos opostos e aos poucos o contato foi rareando até silenciar.

    Houve tempo em que eu quis me encaixar. Agora não. Sigo tranquila, com poucos e bons amigos, reais e virtuais, sem forçar amizades, mas com os olhos em alerta e sempre atentos.

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  5. Ei, Wander. Li o seu texto e o da Rosana, querido. Cheguei a conclusão que vocês dois são muito parecidos neste ponto: os dois gostam de aprender. Mesmo te acompanhando algum tempo de modo virtual percebo que você sempre está fazendo algo a um passo a frente e por isso é tão admirado. Querido, não se sinta sozinho. Você já tem uma tribo. E se bobear, mais de uma...rs. Fé em Deus que tudo vai dar certo. Um lindo dia para você. Beijos

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  6. Wander, parabéns pelo post. Também estou na mesma, procurando a minha tribo. Mas o que vejo de você e da Rosana são pessoas que conseguem ver além da caixa, que não se acomodam. Acredite em si, pois a sua tribo é maior do que você pensa. Abração

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  7. Olá, tudo bem?
    Estou passando para dizer que fiz um selo para os blogs que a TDN mais gosta, dê uma passadinha no meu blog e pegue o seu presentinho agora mesmo, espero que goste!
    http://aterradeninguem.blogspot.com/2011/12/selo-de-aprovacao-da-tdn.html
    Até mais, beijos! :)

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  8. Parabéns. Excelente texto. Primoroso.

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  9. Mais um ano que se vai e desse jeito o tempo vai moldando nossas vidas! Hoje eu vim pra registrar boas intenções, pra vibrar positivamente em direção a um ano ainda mais feliz pra todos nós!

    Que 2012 nos traga muita inspiração, muitos assuntos pra compartilhar, muito dinamismo... além de saúde, de amor, de dinheiro e fartura!

    Bom natal, feliz ano novo!
    Jr.

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