Dicas para facilitar a relação entre assessores de imprensa e repórteres

novembro 08, 2011



Na rotina jornalística diária, os trabalhos de assessor de imprensa e de repórter se complementam: seja um querendo emplacar o seu assessorado como fonte, seja o outro buscando um especialista que saiba falar bem sobre um determinado assunto para dar embasamento à reportagem.

Mesmo sendo algo que deveria partir da premissa de uma parceria saudável e amistosa, isso nem sempre acontece. Há alguns assessores que filtram os veículos que o seu assessorado vão falar e tratam mal quando um repórter de um veículo menor [em visibilidade] se apresenta. Ou ainda, por falta de traquejo e educação, o repórter ou o produtor que se acha a "última bolacha do pacote" exige que o assessor esteja a disposição a qualquer hora do dia, como se fosse uma babá, literalmente.

Por isso, se faz necessário, um meio termo. É preciso ter bom senso! Foi pensando nisso que criei uma lista baseada na minha experiência pessoal como repórter/produtor de coisas que facilitam a relação entre assessor de imprensa e jornalistas. Deixo bem claro que não sou o dono da verdade e que a intensão é contribuir para que essa relação profissional aconteça da melhor forma para ambas às parte. Vamos as dicas:

1) Release ou sugestão de pauta precisa ter dois elementos básicos: noticiabilidade e objetividade. Existe uma diferença BEM CLARA entre uma sugestão de pauta [jornalística] e um texto de marketing cheio de adjetivos. O jornalista mais esperto não vai comprar esses elogios e replicá-los na pauta, muito menos na matéria finalizada. Além disso, é preciso pensar se essa sugestão de pauta que está sendo oferecida tem potencial para ser uma nota ou uma matéria para o veículo em questão. Que tal usar o semancol? Saber a linha editorial do veículo, o fechamento das pautas e estabelecer um diálogo aberto com os profissionais ajudam na hora de se pensar em quais veículos você deve enviar uma sugestão de pauta.
2) Ao enviar um release ou sugestão de pauta, pense no valor jornalístico dessa pauta, avaliando se ela é direcionada para jornais impressos, revistas, portais de notícias, blogs, emissoras de rádio ou TV. Dependendo de cada caso, às vezes, vale considerar a elaboração de um release diferente para internet e para TV, por exemplo. Claro, a pauta é a mesma. Mas para a internet, por exemplo, será exigido foto e a entrevista pode ser feita também por telefone ou email....e isso é algo que deve ser considerado.
3) Primeira Mão: oferecer informação ou entrevistas exclusivas a determinados jornalistas que possuem um trabalho de credibilidade, independente do veículo. Muitas vezes, procurar um blogueiro ou um colunista pode ser um ponto inicial para despertar o interesse dos outros veículos em relação a sua pauta. Da outra ponta, é interessante os repórteres [produtores e redatores] terem uma boa agenda e saber qual especialista recorrer ao gerar informação exclusiva ou repercutir determinado fato. Agenda é tudo! Jornalista sem agenda de fontes [contato de especialistas e assessorias de imprensa] não produz notícia relevante e exclusiva para o veículo que trabalha.

4)   Leitura e ronda diária: tanto o repórter, quanto o assessor de imprensa precisa praticar o hábito da leitura. Isso significa estar atento ao noticiário do dia e ficar de olho em acontecimentos do cotidiano, pois muitas vezes é daí que sai uma boa sugestão de pauta que pode virar reportagem. Para os assessores de imprensa, é sempre melhor emplacar o seu assessorado como fonte/especialista em um determinado assunto ou como personagem das matérias. Como dizem por aí: anteninhas ligadas, sempre.
5)  Banco de Imagens: uma assessoria de imprensa/comunicação eficiente precisa ter um bom banco de imagens do seu assessorado. Nada mais frustrante para um repórter [produtor ou redator] do que ligar para um assessor e ela não ter uma boa foto de divulgação [recente e em boa resolução] para ilustrar o release que ela acabou de enviar. No caso de veículos com pouca estrutura - principalmente se não é na mesma cidade que o entrevistado, ofereça a possibilidade de fazer uma foto exclusiva para o assessorado que será emplacada como fonte. Bom relacionamento com os colegas da imprensa abre portas!
6) Não despreze os blogueiros: se a intenção de uma assessoria de imprensa é divulgar o seu assessorado e fazer ele ter uma presença nos mais diferentes meios de comunicação, é interessante avaliar o potencial dos blogs nos seu plano de mídia. Blogueiros produzem um intenso trabalho de produção de conteúdo independente na internet e de credibilidade. Por exemplo, o Ministério da Saúde tem um mailing específico para blogueiros, que o ajuda na divulgação de campanhas relacionadas à saúde. Esses blogueiros não são apenas aqueles que têm blogs de saúde, mas também os de variedades, jornalísticos, de comportamento, femininos, enfim, aqueles que estão aptos a divulgar para um público direcionado e que tem a ver com o seu assessorado.
7) Divulgação e produção de conteúdo em redes sociais: e por falar em blogs, atualmente, é impensável excluir da rotina de afazeres de uma assessoria de imprensa/comunicação o trabalho de divulgação e produção de conteúdo informativo nas redes sociais. Isso significa atualizar o site e/ou blog do assessorado, divulgar os últimos posts nas redes e interagir com os internautas no Twitter, Facebook, G+, etc. Já para os repórteres e produtores, estar interagindo nas redes sociais é uma forma de se pescar boas sugestões de pauta ou até mesmo descolar personagens/fontes.

8) Educação é fundamental: no caso de assessores de imprensa/comunicação, saiba tratar bem os repórteres [produtores ou redatores] que procuram o seu assessorado. Fazer pouco caso quando lhe é passado um demanda de um veículo com menos visibilidade pode "queimar o filme" da assessoria. Geralmente, os jornalistas trabalham em mais de um lugar e mantém diálogo com outros colegas de veículos diferentes. Pense que um bom atendimento pode render uma boa reputação para a sua assessoria e, principalmente, para o seu assessorado.
9) Mídia Training: uma assessoria de imprensa/comunicação que lida com uma instituição (pública ou privada) que oferece vários tipos de especialistas precisa conversar com essas fontes sobre a disposição de falar com jornalistas diariamente. Claro, não há dúvidas que parar o que se estar fazendo para dar uma entrevista seguida da outra é incômodo, mas daí cabe uma negociação entre todas as partes envolvidas. Qual é o melhor dia e horário para falar? A entrevista é factual? Pode ser feita por telefone ou email? Nada pior do que entrevistar uma fonte mal educada e que não está com vontade de conversar com o repórter.
10)  Respeito: produtores, redatores e repórteres não devem ser arrogantes, nem achar que o crachá da empresa que eles trabalham lhe dá o direito de serem “divindades na Terra”. É preciso ter respeito e paciência com o trabalho dos assessores de imprensa para resolver algumas demandas que, às vezes, demora pesquisa ou uma decisão que está acima do profissional. Educação e respeito são a base de tudo!


11) Pegadinha do Malandro: no caso de assessores de imprensa/comunicação, seja sincero e objetivo ao convidar um repórter para uma determinada cobertura de um evento ou festa de lançamento. Do que se trata o convite da cobertura? Isso é noticiável no veículo que o repórter trabalha? Quais as autoridades ou personalidades estarão presentes? Não tente vender gato por lebre. Divulgação a qualquer custo - ainda mais construída na mentira ou omissão, queima o filme. Como repórter, já fui convidado para cobrir um evento e quando cheguei lá, na verdade era outra coisa: queriam promover uma empresa e não um evento que ela estava sediando. É uma situação chata tanto para o repórter, quanto para a assessoria, pois aquilo tudo não era noticiável, era apenas marketing. Foi lamentável!
12) Coletiva de Imprensa: no caso de cobertura de eventos onde há um autoridade ou personalidade que irá atrair atenção dos jornalistas, é uma demanda da assessoria tentar combinar com os repórteres uma coletiva de imprensa ou uma ordem para quem vai gravar primeiro. Dependendo do horário do evento - se for na hora do almoço, por exemplo, algumas emissoras de TV e de rádio tem noticiários locais e podem querer entrar ao vivo. Cabe a assessoria pensar nesse tipo de detalhe para evitar bagunça. Se o assessor de imprensa/comunicação não tem vivência de redação, converse com os colegas sobre a rotina de uma redação de TV, de rádio, de jornal impresso, de revista, de portais de internet e, até mesmo de blogs profissionais. Há diferenças sútis nas abordagens das pautas e cabe ao assessor planejar a sua divulgação do release pensando nesses detalhes.






Fotos: Stockphoto; Creative Commons; Estadão/Divulgação e Ricardo Stucjert/PR.  






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Wander Veroni
Jornalista

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2 comentários

  1. Fernando Pelejo Gomes8 de nov de 2011 20:17:00

    Muito bom, Wander. São dicas úteis que ajudam os jornalistas na rotina diária da profissão. Vou recomendar para alguns contatos. Abraço

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  2. Parabéns pela excelente postagem. Aqui tem dicas muito interessantes, tanto para quem está em assessoria, quanto quem trabalha no outro lado do balcão, ou seja, na redação. Vai me ser muito útil, viu.

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