Ponto de Vista – Novela A Vida da Gente revive o bom dramalhão familiar

outubro 01, 2011



Poucos personagens, dramas familiares e muita, mas muita na emoção. Essa é a proposta da nova novela das seis da Rede Globo, A Vida da Gente, escrita por Lícia Manzo e dirigida por Jayme Monjardim. A trama, que estreou no dia 26 de setembro, obteve 23 pontos de audiência – número que se manteve estável durante toda semana. 



Diferente da sua antecessora Cordel Encantado, A Vida da Gente tem outra pegada: uma história mais dramática, densa e que mostra como o tempo é capaz de moldar uma história aparentemente simples, apontando os desafios da nova família contemporânea. No elenco, nomes como Fernanda Vasconcellos, Marjorie Estiano, Thiago Lacerda, Rafael Cardoso, Nicette Bruno, Fernanda Vasconcellos, Stenio Garcia, Marcello Mello Jr, Paulo Betti, Gisele Fróes, Rafael Cardoso, Sthefany Brito, Daniela Escobar, Ângelo Antônio, Regiane Alves, dentre outros.

A Vida da Gente conta a história da tenista profissional Ana Fonseca (Fernanda Vasconcellos) que se apaixona pelo filho do seu padrasto, Rodrigo Macedo (Rafael Cardoso). Entre a separação dos pais, o nascimento de uma criança não planejada pelo jovem casal e o coma de cinco anos de Ana – após um acidente, muita coisa vai acontecer na vida desses personagens. A novela traz discussões interessantes como o autoritarismo dos pais diante da vida dos filhos, as frustrações e decepções da vida adulta, além de debater o amor na terceira idade e os novos laços familiares que a vida contemporânea proporciona às famílias atuais. Assista abaixo o trailer da novela:



Em um primeiro momento, é bem capaz o público que estava acostumado com o jeito alegre e solar de Cordel Encantado estranhar A Vida da Gente. A nova novela das seis é bem mais dramática e a carga emocional dos conflitos é bastante alta. Além disso, a novela da estreante Lícia Manzo capricha nos diálogos do cotidiano, mas peca por deixar a história pesada em muitos momentos. Talvez, um recurso a ser pensado para os próximos capítulos, seria criar pelo menos um núcleo de humor para dar uma quebra no excesso de drama e deixar a novela mais leve [emocionalmente falando].

A fotografia de A Vida da Gente é outra coisa que salta os olhos de tão linda, bem como a trilha instrumental que dá o tom da maioria dos diálogos carregados de emoção, lágrimas e promessas de amor. Apesar de ser conhecido pelo excesso de cenas de paisagens e narrativa lenta que dá às tramas que dirige, Jayme Monjardim está propondo à nova novela das seis um trabalho caprichado e que nos convida a fazer uma releitura dos folhetins clássicos mexicanos onde o drama familiar [emocional] é o fio condutor de toda a história.

Fernanda Vasconcelos – a eterna Nanda Gasparzinho de Viver a Vida, me surpreendeu com uma atuação mais segura, apesar de em muitos momentos ela dar a impressão de estar interpretando a si mesma, bem como a irmã da protagonista Marjorie Estiano que mais uma vez vive uma personagem frágil e com baixa auto-estima. E por falar em repetição de papéis, novamente Ana Beatriz Nogueira faz uma mãe recalcada cujo marido a troca por uma amante mais nova; Nicete Bruno, mais uma vez, interpreta uma avó carinhosa capaz de tudo pela felicidade das netas; Neuza Borges é outra que se repete ao viver a governanta que cuida da família do patrão com esmero, assim como em O Clone.

Com uma narrativa de série e apresentando todos os conflitos do núcleo central da novela de uma vez só, no primeiro capítulo, resta saber se A Vida da Gente terá fôlego para os próximos meses de história, assim que a protagonista sair do coma e ver toda a sua vida revirada, completamente de cabeça para baixo. Diferente de muitos críticos de TV, não acho o texto de Lícia Manzo parecido com o de Manoel Carlos. É uma autora que já tinha mostrado um estilo próprio em Tudo Novo de Novo, que é justamente focar no drama familiar e caneta carregada na emoção. Preparem a caixinha de lenços, a água com açúcar e os olhos marejados porque essa será a tônica da atual novela das seis. Um prato cheio para quem gosta de emoção!


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*Observação: Este artigo faz parte da minha participação na seção Ponto de Vista, do site do Cena Aberta, onde três jornalistas publicam um artigo mostrando pontos diferenciados sobre o mesmo assunto. Todo sábado você vai encontrar artigo escritos por Endrigo Annyston, Emanuelle Najjar e Wander Veroni.




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Wander Veroni

Jornalista

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7 comentários

  1. Gosto dessa novela...fazia tempo que a Globo não trazia novelas atuais no horário das seis. É uma boa história.

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  2. Tô curtindo a novela tb! Amo novelas assim... =D

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  3. Ah, era uma ótima novela pra mais tarde... novela das 21h!! Ela é ótima, mas nem sempre dá pra ver por causa do horário!!

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  4. Antonio Marcondes1 de out de 2011 20:31:00

    Achei essa novela fraca....prefiro Cordel que era mil vezes melhor....a Gasparzinho é muito chata....o melhor dessa novela é a mãe dela, a Ana Beatriz Nogueira que roubou a cena essa semana.

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  5. Lícia, parabéns!

    Quando digo parabéns, isto reside no fato concreto daquilo que sua A Vida da Gente começou, continua e projeta para a vida da gente ─ nós, os que a temos assistido.

    E perdoe a comparação, até porque, inicialmente ela foi sua: para a qual entendo não haver a mínima compatibilidade entre Cordel Encantado e Morde e Assopra com a sua A Vida da Gente. Porquanto naquelas duas ─ me perdoe ─, se ignorou tudo o que é racional, moral e justo; como o horário exige, quando, diferentemente o que se viu nelas foi um mar de sandices: jurídicas, humanas, morais e lógicas; à agredir o principal público do horário, cuja faixa etária demanda plena coerência didática e moral quanto a tudo o que se veicula.

    Lícia permita-me lhe pedir que mantenha o nível atual da sua A Vida da Gente, na sua: Didática moral, coerência jurídica e humana e, sobretudo útil ao publico do horário (também a nós marmanjos).

    Não deixe que a influência daqueles que estão acostumados com o indigesto cardápio atual ─ da pseudo audiência, que ao seu tempo saberá identificar o que é de melhor qualidade ─, nos impeça de continuar a receber essa alimentação cultural de bons nutrientes e ótimo sabor que sua pessoa está nos servindo.

    P.S.: Perdoe a intromissão masculina e aproveito para sugerir a leitura dos meus treze atuais (cada um de assunto específico), com atenção ao: REAL EVOLUÇÃO DA FEITURA DA OBRA DOM CASMURRO, endereço ─ www.verdadedomcasmurro.blogspot.com .

    Atenciosamente. JORGE VIDAL

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  6. Gostaria de quem possa, encaminhar a Lícia Manzo.

    Gostaria de agradecer à Licia Manzo pelo espetáculo de trabalho apresentado em uma simples novela das 18 horas da Rede Globo. Trabalho esse digno de um Best Seler com diálogos coerentes, sérios, sensatos, profundos e inteligentes em todos os núcleos, independente das dificuldades de relacionamento entre os personagens e das tramas muito bem colocadas, elaboradas e expostas em “A Vida da Gente”, não levando em consideração esteriótipos de falta de caráter e de nível social e intelectual de cada personagem. Muito obrigado por nos oferecer um trabalho de alta qualidade e muito inteligente de sua parte aproveitar essa oportunidade para nos mostrar a sua sensibilidade e o seu respeito para com os telespectadores na maioria das vezes simples, mas não menos inteligentes. Obrigado.

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  7. Nossa, os aspectos que você levanta dão ainda menos vontade de assistir. É verdade que vamos ver os mesmos a repetir papéis. A sério... quem aguenta mais discursinho de vovó moderna e visionária de Nicete Bruno, ou aguenta olhar para o rosto algo desfigurado e cinzento de Ana Beatriz Nogueira mais uma vez a dar ordens a uma filha, que mais uma vez será a a Vasconcelos com uma gravidez teenager :P

    A novela vai estrear em Portugal mas pela apresentação não chama a atenção. Ao contrário, parece repelir a vontade de querer assistir à trama. E mais ainda quando repetem esses erros de escalar artista que já fizeram esses papéis antes.

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