Ponto de Vista – Crise existencial no Jornalismo e 42 anos do Jornal Nacional

setembro 06, 2011



Depois de anos a procura da batida perfeita, tentando e arriscando novas linguagens, o Jornalismo chegou em sua mais grave crise existencial e foi parar no analista. E com razão: nestes anos todos, “nunca antes na história desse país”, os veículos de comunicação – tanto o de mídia eletrônica, quanto o impresso, estão passando por uma das suas piores crises de identidade e reconstrução do modelo mais rentável de produção de conteúdo informativo. 



Já existem esforços consideráveis para a quebra do monopólio informativo e desgaste do jornalismo que só cobre polícia, tragédia e desgraça. Antigamente, se falava que o público queria ver isso. “O Mundo Cão dá audiência...espreme que sai sangue....rs”, diziam os executivos de televisão, por exemplo. Mas será mesmo? Tenho as minhas dúvidas...

O telespectador já não é mais tão passivo quanto antes. Não gostou de um programa, mete a língua nas redes sociais ou ignora a sua existência. Não tem papas na língua! No entanto, os produtores de TV ainda insistem em ficam surdos diante da crítica do público, dos jornalistas e dos blogueiros. 


“Mas a culpa não é nossa! Somos apenas os operários, o chão da fábrica de sonhos”, contra-argumentam quem trabalha em TV. Mas será que é só assim que a banda pode tocar? Porque não mudar o repertório? Propor novas idéias, sair do lugar comum e tratar o telespectador com mais inteligência? Do que nós jornalistas e comunicadores temos tanto medo?

A TV brasileira que já foi a mais criativa e diversificada do mundo, hoje se presta a repetidora de modelos estrangeiros e de um jornalismo – principalmente local, cada vez mais superficial e alienado. Mas a TV trabalha com o tempo, não dá para ser analítico o tempo todo. Será? 


Quem disse que é para fazer um telejornalismo “cabeça”? O público e porque não dizer, também os profissionais da imprensa, estão ansiosos pelo nascimento desse novo modelo de jornalismo que realmente consiga falar do regional, do local, do Brasil e do mundo de forma mais próxima e conversada, sem avacalhação ou egocentrismo. Trabalhar a notícia de forma plural e original...e noticiários assim a gente pode contar nos dedos que não enche uma mão.

Na crista da onda da pior crise [de criatividade] da história do telejornalismo brasileiro, comemoramos os 42 anos do Jornal Nacional (JN), da Rede Globo. Com um formato de sucesso que atravessou décadas e se tornou uma referência, o JN ainda alcança vôos editorias significativos que o credencia como patrimônio cultural e midiático da TV brasileira. 


Claro, o telejornal ainda sofre com as normas dos Princípios Editoriais da Globo, mas consegue ser pioneiro na linguagem e no cuidado editorial, provando que por mais que seja tradicional, o telejornalismo não pode se acomodar. Acomodação: talvez seja este o pior erro, até então. Onde está a nossa criatividade?


___________________________________________
*Observação: Este artigo faz parte da minha participação na seção Ponto de Vista, do site do Cena Aberta, onde três jornalistas publicam um artigo mostrando pontos diferenciados sobre o mesmo assunto. Todo sábado você vai encontrar artigo escritos por Endrigo Annyston, Emanuelle Najjar e Wander Veroni.




Gostou do Café com Notícias? Então, siga-me no Twitterassine a newsletter e participe da página no Facebook e da comunidade no Orkut.




Wander Veroni

Jornalista

MAIS CAFÉ, POR FAVOR!

5 comentários

  1. Rafael Ramos Duarte6 de set de 2011 23:26:00

    Achei um barato você falar que o Jornalismo foi parar na análise...rs.....acho que é bem isso mesmo. Num desespero de fazer o novo, fazem muito mal o básico. Daí tanto o público, quantos os profissionais saem perdendo.

    ResponderExcluir
  2. Não sou muito fã do Jornal Nacional, mas tenho que admitir que o jornal é referência, tradição. Fico triste de ver que os noticiários locais não procuram se renovar e só falam de criminalidade...será que numa cidade as notícias mais importante do dia são só tragédias? É por isso que a cada dia que passa estou vendo menos TV.

    ResponderExcluir
  3. Pela primeira vez, não achei legal um texto teu. Não concordo q o jornalismo esteje em crise, e acredito que a interatividade faz parte de um bom jornalismo.

    ResponderExcluir
  4. Acho que entendi o que você quis dizer quando falou que o Jornalismo está em crise. Não é a profissão em si, mas o modelo de jornalismo praticado nas mídias tradicionais, até então. Wander querido, eu passo longe de jornal "espreme que sai sangue"....não gosto. Prova disso é o Cidade Alerta que voltou e não disse até agora a que veio. Faltam bons noticiários na TV aberta.

    ResponderExcluir
  5. Marcos Leandro Nogueira7 de set de 2011 22:45:00

    Respeito a tradição que o JN representa pra TV aberta, mas acho um dos piores jornais pra se assistir....a manipulação da notícia me causa asco. Quanto ao jornalismo local, pelo menos aqui em BH, é muito preguiço e acomodado....falam de violência só pq dá audiência....o dia que outra pauta der mais visibilidade, chamar atenção do público, todo mundo muda na cara dura.....isso é revoltante.

    ResponderExcluir