#CineCafé: Filme Elvis e Madona debate amor e identidade sexual

setembro 20, 2011



Por mais que o preconceito seja um fantasma da sociedade contemporânea, vivemos em um período de liberdade sexual extremada. E essa liberdade tem provocado um debate interessante: o que é do homem e o que é da mulher? 


Não se trata de machismo ou feminismo. A questão é mais ampla e cabe reflexão: será que estamos desafiando, mesmo que de forma inconsciente (ou não), a identidade sexual da figura masculina e feminina? Porque uma roupa, um gesto, um gosto, um esporte tem que definir essa identidade sexual?


Foram esses questionamentos que pude observar do filme “Elvis e Madona”, uma comédia romântica centrada no romance entre uma lésbica e um travesti. Impossível? Nem tanto. Colocado de uma maneira tão natural, o amor entre Elvis e Madona é universal. 

Fica bem claro que um se apaixonou pela identidade de gênero que o outro representa, e não simplesmente pelo fator sexual. “Elvis e Madona” estreia nas salas de cinema de todo Brasil na próxima sexta-feira (23/09). A convite dos organizadores, o Café com Notícias assistiu o filme antes, nesta terça-feira (20/09), e compartilha com os leitores algumas impressões. Veja, abaixo, o trailer do filme:

Sob a direção de Marcelo Laffitte – que assina o seu primeiro longa-metragem, “Elvis e Madona” é uma comédia romântica inusitada, que se passa do bairro carioca de Copacabana. O filme conta a história da motociclista Elvis (Simone Spoladore) que sonha em ser fotógrafa, mas que para se manter enquanto não consegue viver de fotografias, resolve ser entregadora de pizzas.

No seu primeiro dia de trabalho, ela conhece em uma entrega a travesti Madona (Igor Cotrim), uma cabeleireira que sonha montar um show baseado no glamour do teatro de revista. De um encontro inusitado entre as duas personagens, nasce uma divertida e moderna história de amor. No elenco, nomes como Simone Spoladore, Igor Cotrim, Sergio Bezerra, Maitê Proença, Buzza Ferraz, José Wilker, Wendell Bendelack e Joana Seibel.

“Elvis e Madona” coleciona mais de 20 prêmios em cerca de 50 festivais pelo mundo, entre eles o 12ème Festival du Cinéma Brésilien de Paris  - Melhor Filme no Juri Popular; 11º Festival Internacional do Rio de Janeiro - Troféu Redentor de Melhor Roteiro; 7º Amazonas Cine Festival - Melhor Ator (Igor Cotrim); VI Fest Cine Goiânia - Melhor Atriz (Simone Spoladore), entre outros.

Por conta da excelente atuação como Madona, Igor Cotrim tem recebido diversos prêmios e elogios pela forma humana e natural que compôs a personagem. 

O ator conta como entrou no projeto. "Conheci o Bayard Tonelli (Dzi Croquettes) em encontros de poesia e ele me apresentou ao Laffitte, que marcou um teste comigo. Cheguei lá todo depilado e pronto a fazer o melhor para conseguir o papel. Fiz laboratório em vários lugares, conversei com travestis e fui com a Simone Spoladore assistir a diversos shows de drags e transformistas na Lapa", revela Cotrim, que na televisão atuou na novela "Mulheres apaixonadas" (2003), na série "Sandy e Júnior" (1999) e na segunda edição do reality show A Fazenda (2009/2010).

De acordo com o diretor Marcelo Laffitte a ideia do filme nasceu há 12 anos atrás quando estava em Miami para lançar o curta “Vox Populi”, quando assistia a um desses programas sensacionalistas na TV Americana, no qual os convidados lavam a roupa suja em frente a um auditório. 

“Era a história de um pai que abandonou a família para se tornar travesti. Anos mais tarde, tenta se reconciliar com os parentes, mas se apaixona pela namorada do filho. Escrevi o roteiro imediatamente após assistir o tal programa”, revela.

Divertido e, ao mesmo tempo provocante, “Elvis e Madona” é um convite para que possamos abrir a nossa cabeça sobre identidade sexual e nos livrarmos de preconceitos. 

Apesar da excelente química e atuação de Simone Spoladore, Igor Cotrim rouba a cena em vários momentos pela forma empenhada que construiu Madona. Durante todo filme, ele nos dá certeza de que estamos diante de uma travesti que se apaixonou pela figura masculina de Elvis.

O filme traz um Rio de Janeiro mais urbano e menos solar, o que é um contraste interessante do clichê que estamos acostumados a ver de sol e gente sarada na praia. Talvez, a grande sacada do filme é ir além do debate sexual e fazer com que o espectador torça por um final feliz entre o inusitado casal. Vale a pena conferir!






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Wander Veroni
Jornalista

MAIS CAFÉ, POR FAVOR!

3 comentários

  1. Imagino que deve ser um filme muito legal, principalmente pelo debate que você levantou sobre essa identidade dos gêneros, Wander. Já li na internet várias críticas positivas e elogio ao trabalho do Igor Cotrim...o trailer do filme é muito engraçado...rs. Beijos

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  2. João Roberto Lima21 de set de 2011 12:27:00

    Tive a oportunidade de assistir esse filme em uma mostra restrita em um festival. Igor Cotrim é o maior destaque do filme...com certeza, estamos diante de um grande ator.

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  3. Eu não acho que eu gostaria tanta história. É uma história curiosa, considerando os tempos, este estreante fita de Marcelo Laffitte poderia ser enquadrada mais como uma comédia romântica do que drama. Fiquei surpreso ao ver no elenco Simone Spoladore que está estrelando uma série altamente controversa chamada Magnífica 70, finalmente, voltar para o elenco deve dizer foram chave para o sucesso deste filme. Elvis & Madona é uma grata surpresa e faz jus aos prêmios que tem recebido. Conta uma boa história de amor possível (com seus percalços) e é ousado, abusado e angraçado. Não subestima a inteligência do espectador e muito menos provoca qualquer constrangimento sexo-sócio-cultural.

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