7 de junho de 2011

Cine Café – X-Men Primeira Classe desconstrói a polarização entre o bem e o mal

terça-feira, junho 07, 2011 - 7 Comentários



É oito ou oitenta. Quem gosta de uma história, acompanha. Se não gosta, nem se preocupa com os detalhes sórdidos. Mas se gosta quer saber mais e, principalmente, como tudo começou. Foi a partir desse gancho que foi lançado, para o deleite dos milhares de fãs dos heróis mutantes da Marvel, o filme X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class), quinto filme da franquia X-Men pela 20th Century Fox. Dirigido e adaptado por Matthew Vaughn, o novo filme mostra como o time de super-heróis foi montado e revela como a amizade entre Xavier e Magneto se rompeu.

Com estréia no dia 03 de junho, X-Men: Primeira Classe arrecadou nos Estados Unidos, apenas no primeiro final de semana, cerca de US$ 56 milhões, valor suficiente para desbancar o Se Beber, Não Case! Parte II (The Hangover Part II), Piratas do Caribe 4 e Kung Fu Panda 2, que lideraram as bilheterias durante um bom tempo. Já no Brasil, Piratas do Caribe 4 lidera a preferência nas salas de cinema. A nova aventura de Johnny Deep foi vista por 455 mil pessoas e arrecadou R$ 23,5 milhões em três semanas. Enquanto isso, X-Men: Primeira Classe aparece em segundo lugar com 544 mil espectadores e uma bilheteria total de R$ 3,69 milhões.


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O filme @xmenmovies passa boa parte na década de 1960 - e também transita em eventos globais como a 2ª Guerra Mundial e a Guerra Fria. A trama conta um pedaço da biografia de Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lehnsherr (Michael Fassbender), antes mesmo de adotarem os nomes Professor X e Magneto. Dados extra-oficiais de vários blogs na internet dão conta que é o filme de menor verba da saga, algo em torno de US$ 160 milhões. No elenco, nomes como Kevin Bacon, James McAvoy, Michael Fassbender, Rose Byrne e Oliver Platt. 

Uma curiosidade é que X-Men: Primeira Classe teve que ser reescrito após o lançamento de A Origem, de Christopher Nolan. Em entrevista a imprensa norte-americana, Matthew Vaughan revelou que doze páginas do roteiro foram descartadas para evitar acusações de plágio. "Assisti A Origem e amei. Mas meu coração partiu ao meio quando vi que algumas ideias nossas já tinham sido usadas no filme. Podíamos fingir que não vimos, ou mudar tudo. Então optamos por arrancar 12 páginas de roteiro e storyboards", explica Vaughn.

O interessante do filme é mostrar, justamente, Xavier e Erik jovens, descobrindo seus poderes. No começo, os dois não eram rivais, mas amigos próximos, trabalhando juntos e recrutando mutantes para formar um esquadrão de justiceiros. Depois, ao se darem conta do tamanho do projeto, a amizade é rompida, o que dá início à rivalidade. Assista, abaixo, o trailer do filme:





Depois de quatro filmes narrando as aventuras dos mutantes em salvar o planeta - sendo um deles um spin-off do personagem Wolverine, a Fox optou por contar o início da saga dos X-men, revelando aos fãs da franquia como a rivalidade entre os dois mutantes mais poderosos do planeta - Charles Xavier (James McAvoy) e Erik Lehnsherr (Michael Fassbender), adotarem os nomes Professor X e Magneto. Entretanto, o grande destaque do filme são as atuações destes protagonistas, a participação especial de alguns personagens clássicos e a desconstrução de “bem e mal”.


Em X-Men: Primeira Classe, o espectador vê um Magneto mais humano – mas não menos revoltado, que perdeu a fé na humanidade e foi vítima do genocídio aos judeus na 2ª Guerra Mundial. Vingativo, ele gasta toda a sua energia para aniquilar os nazistas que destruíram a sua família. Já Xavier – um jovem milionário e bon-vivant, vê uma oportunidade dos mutantes serem aceitos na sociedade ao poder ajudar a CIA a resolver questões da segurança norte-americana.

Como toda boa história tem dois (ou mais) lados, o filme coloca em xeque a aparente bondade do Professor X. Por ser um dos telepatas mais poderosos do planeta, ele não estaria manipulando as pessoas e a sua equipe para fazer aquilo o que ele gostaria? A hipótese fica presente durante todo o filme de forma subliminar. Muito sincero, Magneto afirma a Xavier que a “a paz nunca foi a sua opção”. Mas, será que a paz é uma opção real para os mutantes?

Mais do que levar às telonas super-heróis poderosos que travam a eterna luta entre o bem e o mal, X-Men: Primeira Classe fala também de amizade, aceitação e compreensão. Porque a humanidade tem tanta dificuldade em lidar com o diferente? E foram essas diferenças e, principalmente, a intolerância em aceitar que o mundo é diverso e plural, que guerras foram travadas e, no filme, os mutantes foram “obrigados” a viver de forma clandestina.

Apesar do lado filantropo de Xavier de ajudar os mutantes, dar casa, escola e treinamento – e ser um pai para muito deles, o filme apresenta também ao espectador um Professor X que muitos fãs da saga desconheciam. Além disso, mostra também que o anseio de Magneto não é, simplesmente, pela maldade nua e crua. Mas sim o desejo de um homem cansado de acreditar na humanidade, que crê que os mutantes são a evolução da espécie humana e, para não ser exterminados, precisam dominar para não serem dominados. Neste filme, finalmente vemos um debate filosófico, como há muito tempo não se via em um blockbuster. Veja, no vídeo abaixo, a crítica do Isabela Boscov ao filme X-Men: Primeira Classe:





Para quem é fã das histórias em quadrinhos ou já assistiu os desenhos do X-men na TV, o filme se perde em pequenos trechos pelo excesso de didatismo, que passa quase que despercebido pela boa atuação do elenco. X-Men: Primeira Classe se mostra um filme sensível aos personagens, vivo e latente por desconstruir esse maniqueísmo das aventuras e abrir espaço para que os personagens secundários possam avançar na trama. 

Ao final do filme, a sensação que dá é de que Magneto – assim como Wolverine, merece um spin-off, principalmente pela carga dramática do personagem e pela excelente atuação de Michael Fassbender, na pele de Erik Lehnsherr/Magneto, antes de encarnar de vez o vilão. A idéia de voltar no tempo e mostrar como tudo começou foi uma ótima sacada. Acredito que veremos mais filhotes dessa franquia, afinal X-men tem muitas histórias que ainda merecem ser contadas. Vale a pena conferir!




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Jornalista

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Sobre o autor

Wander Veroni é jornalista especializado em Mídia Sociais e um entusiasta do empreendedorismo na web. Para segui-lo, basta acompanhar @wanderveroni e @cafecnoticias.
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7 comentários :

  1. Assisti o filme e também gostei muito. Na minha opinião é o melhor filme da série. Conheci o trabalho de Michael Fassbender em Bastardos Inglórios e é um ator de muita qualidade. Agora em X-men foi um dos bons destaques.

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  2. Muito bom Wander, uma excelente matéria, alias bem no estilo do Blog. Parabens

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  3. Ainda não assisti o filme, mas depois que li o seu post fiquei com vontade de ver. Gosto de filme que coloca o espectador para pensar e não fica apenas mostrando lutas e efeitos especiais.

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  4. Vi o X-men: first Class. Quando sai da sala, pensei como seria melhor se a FOX tivesse feito este como o primeiro da saga...explica muita coisa que nunca entendi na relação entre o Xavier e o Magneto. Nossa, imagina se eles tivessem deixado essa parte inspirada em A Origem o filme ia ficar show de bola, hein. Parabéns pelo post e pelo blog...sempre dou uma passada por aqui.

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  5. Tenho por mim que o Magneto de Michael Fassbender entra na lista de personagens inesquecíveis dos vilões de histórias em quadrinhas quando foram levados ao cinema, assim como aconteceu com o ator Heath Ledger, que fez o Coringa, em Batman Begins. Gostei da sua resenha do filme....franca, honesta e informativa. Muito bom seu blog! Já estou seguindo..... 0/

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  6. Bela reportagem Wander. Super completa mesmo. Pois é, fico aqui me coçando para saber o que que Vaughn tirou de seu filme por causa de A origem e se isso não acabou deixando "Primeira classe" mais coeso...

    Grande abraço!

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  7. Eu adorei o filme e acho que seria um desperdício enorme não levar adiante a idéia de uma continuação, principalmente se continuarem inserindo tão bem os mutantes em questões politicas, sociais e históricas. A desconstrução do bem e o do mal, como você bem apontou, é válida pois todo o contexto dos personagens permite isso. Tal caminho torna mais atraente a tão rica mitologia criada para os mutantes nos quadrinhos.
    Discordo do parágrafo em que você levanta a questão sobre a possibilidade manipulação por telepatia. O personagem tem um carisma muito grande e envolve facilmente seus alunos com isso, fora o fato que ele sabe interagir muito bem com eles, algo que é muito bem mostrado no filme. Sobre a frase, a tradução que fica no filme é ``A paz nunca foi uma opção``, que é uma fala de Erik deixando bem claro sua posição frente a questão dos mutantes. Para encerrar a minha visita aqui hoje, caro Wander, faço questão de lhe convidar para conhecer o meu mais novo blog. O nome é Reflexão Heróica e lá também registrei minha opinião sobre o filme. Gostaria muito da sua opinião por lá.

    http://reflexaoheroica.blogspot.com/2011/06/x-men-primeira-classe.html

    Grande abraço e sucesso pra ti.

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Adaptado por Giselle Carvalho | Imagem Header Crédito Psyho .
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