A oitava edição do Big Brother Brasil (BBB 8), na TV Globo, tem chamado a atenção. Não por ter participantes vilões ou mocinhos, muito menos por ter criado novos olímpianos do momento, como foi no caso da Siri - hoje apresentadora do TV Fama, na Rede TV!, e de Diego Alemão, contratado da TV Globo. Não, o BBB 8 não revelou nehum ídolo brasileiro. O que chama a atenção nesta edição é o caráter mais psicológico do jogo e a pressão que a produção do programa colocou sob os brothers que concorrem ao prêmio de R$ 1 milhão.
Nesse jogo da convivência, o médico mineiro Marcelo Arantes, aspirante a psiquiatra, tornou-se protagonista. Não por menos, na primeira semana, ele se assumiu gay para os outros participantes e conseguiu brigar com cada participante da Casa, ao seu modo, inclusive com a amiga e fiel companheira Gyselle. Com seu olhar arregalado e derramando verdades na cara dos companheiros de confinamento, Marcelo rouba a cena por demonstrar constantemente que luta contra si mesmo - possui um conflito interno de emoções exacerbadas e sofre pelo seu excesso de sinceridade.
No último paredão, Pedro Bial, jornalista e apresentador do reality show, fez um editorial todo sobre o médico. Condenou os participantes que se afastaram dele e puxou a orelha de Marcelo por ele analisar demais os outros integrantes e instigá-los a lutar ou a questionar o que realmente estão sentido, sem falsidade ou hipocrisia. "Marcelo é malvado", disse a cajuína Gyselle que não aguentava mais ouvir Marcelo ficar "falando mal" dos outros colegas na orelha dela, minutos antes do programa de terça-feira (04/03) entrar no ar. Na briga mais quente dessa edição, Marcelo conseguiu arrancar da participante Tathiana que ela já teve experiências homossexuais antes de entrar na casa. Fora as discussões que teve com os colegas de confinamento Talita e Fernando.Na briga, Gyselle correu para a turma do Trem da Alegria, ou melhor, do Balão Mágico, formada por Marcos, Rafinha,Tathiana, Juliana e Nathália, que se auto-intitularam os melhores amigos de infância e toda hora se esquecem de que estão num jogo de convivência, valendo um gorda quantia em dinheiro, onde está cada um por si. Tudo bem: Marcelo foi agressivo com Gyselle - insinuou que ela foi trabalhar na França com prostituição. A modelo foi vencedora da versão francesa do reality show Ilha da Tentação, já exibido aqui no Brasil pelo SBT, no qual belas modelos precisam fazer com que homens casados traiam suas mulheres e foi a única que conseguiu tal façanha e, portanto, foi a vencedora do programa.
Apesar do passado um tanto "complicado", Gyselle é a preferida do público ao lado do músico Rafinha, de Campinas. A saída de Juliana, na última terça-feira (04/03), com 50% dos votos, criou uma incógnita nos participantes. Muitos deles acreditavam piamente que Marcelo iria sair do programa por representar o vilão. Como disse Bial nesse último paredão, o BBB 8 não tem vilão, nem mocinhos, apenas pessoas comuns que querem levar a bolada e, de quebra, a simpatia do público. Querendo ou não, o médico Marcelo tornou-se a pimenta da atração.
Tirá-lo, seria um erro. Como nas novelas, os autores tem consciência de que os vilões movimentam a trama e ajudam a história esquentar, ou seja, criam conflitos. No reality show, apesar de não ter vilões, nem mocinhos, Marcelo com a sua atitude bipolar tomou para si os dois papéis. Fez de Gyselle a sua musa-heroína e até chegou a questionar novamente a sua sexualidade, ao revelar que sentia atração pela cajuína. A mais psicológica de todas as edições, seja qual participante for o ganhador, este terá vencido a prova mais dura de resistência: o auto-conhecimento.
Essa semana eu volto com mais Café com Notícias.
Jornalista
