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| Foto: Site RD1 / Reprodução. |
Visivelmente sem graça e rindo de
nervosismo, a jornalista e modelo Nicole
Bahls se viu numa situação constrangedora esta semana, logo após retornar à
trupe de humoristas do Pânico na Band.
Durante o lançamento do livro Arranhando
a Superfície, do diretor teatral e cineasta Gerald Thomas, no Rio de Janeiro, o escritor enfiou a mão dentro do
vestido dela, logo após o início da entrevista. Mesmo constrangida, Nicole se
segurou em frente às câmeras e entrou na “brincadeira” de Gerald que,
inclusive, falou grosserias à atriz Paula
Burlamarqui, tascando um beijo na boca dela.
Muita gente viu e ficou horrorizado. Para
Gerald, tudo é uma grande brincadeira. Logo que a notícia se espalhou nas redes
sociais foi aquele alvoroço. Todo mundo ficou chocado com a grosseria do
diretor que não tinha nada de engraçado. Assédio
sexual e moral é crime. Mas, para ele, a culpa disso acontecer é da mulher,
e não do agressor. E, ainda por cima, o que ele fez não é errado. Faz parte do
jogo cênico de intimidação e humor proposto pela Turma do Pânico. Pão e circo na tenda eletrônica.
"Meti a mão na menina. E tudo termina nos panos
quentes, CPI que acaba em pizza, como todas as coisas no Brasil, esse paisinho
de quarto mundo, Corsa que quer ser Mercedes. (...) faço a olho nu, na frente
dos fotógrafos, das câmeras, das luzes, o que esse bando de carecas e
pseudomoralistas gostaria de estar fazendo atrás de portas fechadas, com as luzes
apagadas!", disse Gerald em reportagem
publicada no jornal O
Globo.
Mesmo sendo uma pessoa estudada e com
ampla bagagem cultural, o que Gerald
Thomas esquece é que a Misoginia
ainda é um dos traços mais marcantes da nossa sociedade latina. Anota aí essa
palavra Mi-so-gi-nia. Não é
machismo. É outra coisa. Trata-se do ódio que muitos homens sentem em relação
ao sexo feminino ou a tudo que está ligado a ele. O exemplo mais comum é o
violentador afirmar que cometeu assédio (moral ou sexual) à uma mulher porque
ela anda com um vestido curto ou muito sensual. A palavra vem de miso (ódio) e (gene) mulher.
Em um artigo
publicado no UOL, a psicanalista Tatiana Ades, fala mais sobre o
comportamento misógino. “Em consultório
constato que essas afirmações e esse ódio provêm de frustrações amorosas. São
homens incapazes de lidar com relacionamentos e, por esse motivo, colocam a
culpa de seu mal-estar na mulher e essa se transforma num ser monstruoso que
merece ser exterminado. Sim, não é exagero, eles chegam a citar a mulher como
responsável pelo estupro e agressões físicas que recebem, afirmam que elas
estão simplesmente recebendo o que merecem”, explica.
O que aconteceu com Nicole Bahls é muito mais sério do que a
gente pensa. E acredito que a ficha dela sobre este episódio ainda não caiu
totalmente. Gerald Thomas foi
desrespeitoso com a modelo – famosa por suas belas curvas, pelos diversos
ensaios sensuais que fez e pela recente participação no reality show #AFazenda, da Rede Record. No domingo
passado (07/04), ao retornar ao grupo do Pânico
– agora como participante e não mais como Panicat, Nicole disse ao apresentador
Emílio Surita que estava disposta a fazer TUDO no humorístico.
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| Foto: Movimento Marcha das Vadias / Reprodução. |
Mas esse TUDO tem um preço. Será que
vale a pena pagá-lo? Debaixo da maquiagem, do vestido justo e do salto agulha
existe uma mulher que quer ser respeitada e amada. Em sua participação no
reality da Record, Nicole se mostrou uma pessoa doce, porém agressiva quando
era tratada apenas como um “corpo”, como objeto sexual. Para os fãs que a
acompanham – e até mesmo pelas declarações polêmicas que a modelo sempre deu à
imprensa, é de se estranhar o fato de Nicole não ter “dado na cara” do diretor.
Brincadeira tem limite. O limite do respeito com o outro. Tão grosseiro quanto “bulinar”
Nicole na frente dos fotógrafos, foi o diretor se referir à Paula Burlamarqui. "Essa foi a única que não comi. Por que
ela não quis!", disse Gerald. Em seguida, o diretor beijou a atriz,
que também ficou visualmente sem graça. Homem abjeto.
Não houve desculpas e, provavelmente,
não ocorrerá. Esta é a triste realidade de um país que gosta de ver a mulher na
“velocidade 5” e na “boquinha da garrafa”, mas o “cinto só aperta” quando a
agressão é com a sua mãe, irmã, esposa ou filha. Isso para mim que é
hipocrisia. Falso moralismo. Ninguém é objeto: debaixo da casca há um coração e
uma explosão de sentimentos. O desejo é algo íntimo e consentido. Homem de
verdade que gosta de mulher, sabe o valor do respeito.
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Jornalista



