
Tudo na rua pode ser uma pauta. Mas, nem por isso, esse "tudo" pode virar uma notícia. Essa semana, após terminar a reunião de pauta da revista da qual trabalho, me ocorreu essa constatação. Numa série de coisas que acontecem no mundo, o que realmente é interessante, a ponto de poder repercutir como história para o público? Depende da linha editorial e do objetivo do veículo de comunicação em questão. Principalmente, dos assuntos que precisam ser investigados com mais profundidade na sociedade ou que ainda não foram tocados pelos outros colegas da imprensa. Atividade esta que não é nada simples e que exige ética, conhecimento científico em Comunicação, técnica jornalística, responsabilidade e compromisso com a verdade.
Desde pequeno gosto de ouvir boas histórias. Sou bom ouvinte e leio de tudo. Hoje, como jornalista e repórter, sempre que me deparo com uma fonte bem articulada ou que possui uma boa história para contar, tenho vontade de fazer uma matéria apenas com esse personagem. Já tive a oportunidade de fazer isso. Não se trata de um perfil, nem de promoção pessoal do entrevistado, nem de matéria paga. Nada disso.
Desde pequeno gosto de ouvir boas histórias. Sou bom ouvinte e leio de tudo. Hoje, como jornalista e repórter, sempre que me deparo com uma fonte bem articulada ou que possui uma boa história para contar, tenho vontade de fazer uma matéria apenas com esse personagem. Já tive a oportunidade de fazer isso. Não se trata de um perfil, nem de promoção pessoal do entrevistado, nem de matéria paga. Nada disso.

O jornalismo tem como matéria-prima a vida real. E nessa realidade há várias histórias - outras boas e algumas tristes, mas que mereçam ser divididas com o público. Dois exemplos que me marcaram muito como repórter, nesse um ano de Revista Diário de Bordo, foram a matéria sobre Desaparecidos, na qual inclusive lancei o projeto aqui no blog, Café Cidadão, onde divulgava fotos de pessoas desaparecidas. Nesta matéria tive a oportunidade de contar a história da empresária de classe média alta Fabiana (nome fictício), que aos 36 anos, faz o caminho inverso de muitas pessoas que procuram entes queridos desaparecidos: ela procura os seus pais biológicos. Segundo consta nos autos da Polícia Civil de Minas Gerais, a mãe de criação dela teria supostamente roubado ela quando bebê e a criado como sua filha legítima.
Mesmo com o forte apelo que o caso poderia ter se ela procurasse um emissora de TV, por exemplo, Fabiana aceitou conversar comigo com exclusividade e dividir detalhes da sua intimidade familiar. A matéria chegou a ter uma boa repercussão na época. Mas, mesmo assim, Fabiana continuou firme e disse que não daria entrevista para mais ninguém, apenas para mim. Esta confiança que tenho com a fonte não tem preço e foi galgada com meses de entrevista. Não foi de um dia para o outro. Infelizmente, Fabiana ainda procura pelos pais biológicos.
Ainda não publiquei essa matéria no Café com Notícias, pois pretendo usá-la em agosto, para comemorar os dois anos do blog, pois tem muita história de bastidores dessa resportagem em si que quero dividir com você, que lê este espaço e que acompanha meu trabalho há algum tempo. Ah, além disso, em agosto estréia o novo layout do Café, mais moderno e clean: aguardem!

Pois bem, a outra matéria - que foi mais tranquila, mas no qual aprendi muito como ser humano, além de ter tido a oportunidade de fazer um amigo, foi a reportagem que fiz com o jornalista e radialista Humberto Araújo, que por ser um apaixonado por animais, deixou de lado a profissão, para ser adestrador e consultor de animais de estimação, aqui em Belo Horizonte (MG). Humberto, depois de anos, conseguiu realizar o seu sonho e trabalhar apenas com aquilo que gosta. O trabalho dele é muito parecido com o que faz o Dr. Pet, no programa "Domingo Espetacular", da Rede Record.
Sou uma pessoa apaixonada por animais. Além disso, gosto de boas histórias, como já disse. E Humberto é do tipo de pessoa que há troca de conhecimento constante no bate-papo e que agrega conhecimento. E, por ter uma história tão boa, não tive como não colocá-lo como foco principal da matéria. Em breve, para quem não teve a oportunidade de ler a última edição da Revista Diário de Bordo (maio/2009), poderá acompanhar, em agosto, esta reportagem na íntegra e também os bastidores, aqui no Especial de 2 ANOS do Café com Notícias.
Sou uma pessoa apaixonada por animais. Além disso, gosto de boas histórias, como já disse. E Humberto é do tipo de pessoa que há troca de conhecimento constante no bate-papo e que agrega conhecimento. E, por ter uma história tão boa, não tive como não colocá-lo como foco principal da matéria. Em breve, para quem não teve a oportunidade de ler a última edição da Revista Diário de Bordo (maio/2009), poderá acompanhar, em agosto, esta reportagem na íntegra e também os bastidores, aqui no Especial de 2 ANOS do Café com Notícias.

Mas, esses meus dois exemplos de personagens que renderam boas reportagens, serviram de pano de fundo para falar do mestre mor do Novo Jornalismo e/ou Jornalismo Literário: o jornalista e escritor norte-americano Gay Talese, que sabe como ninguém explorar um personagem e mostrar que uma história não é só um lead, mas pode ser um aprendizado para a vida toda. Vasculhando na internet, achei duas entrevistas ótimas de Talese, que aos 77 anos, gosta de ter o tempo que for preciso para ir a fundo nas suas pautas e transformá-las em reportagens. Se você não o conhece, vale a pena ler e se deliciar com este aprendizado em forma de entrevista.
Nesse primeiro ano de vida da Revista Diário de Bordo, a veiculação dela era trimestral, apesar de ser uma revista de variedades e segmentada para o público A e B. Tinha aproximadamente dois meses para cumprir cada pauta. Com esse tempo, aproveitava para ir a fundo na reportagem e investir em apuração. Fiz trabalhos que me emocionaram - não só pelo resultado final, mas pela oportunidade de aprender muito sobre a realidade de cada personagem que entrevistei. Agora, a revista mudou de nome. A periodicidade, a partir do próximo mês, é mensal. Em breve, será anunciada este novo projeto pioneiro que fico feliz de poder fazer parte. Ainda não posso falar o novo nome da Revista, mas espero dividir com você todo esse momento de reestreia.O ritmo de trabalho aumentou. E, com isso, a oportunidade de me dedicar a cada pauta ou personagem, diminuiu. Queria poder ter mais tempo para aprofundar. Mas, nem por isso, deixarei de trazer esse diferencial para o leitor, pois o bacana de ser repórter de revista é saber que é possivel ir além da notícia e mostrar que existe diálogo entre o texto e quem lê. O desafio de ser mensal me anima! Peço licença poética ao pegar para mim essa definição que Gay Talese deu à profissão de jornalista, em entrevista ao Estadão, que explica muito bem o ofício: "sou um historiador de pessoas que não têm história registrada em público".
Essa semana eu volto com mais Café com Notícias.
Wander Veroni
Jornalista

