
Há algum tempo, as redes sociais e a blogosfera já podem ser vistas como um espaço informativo e gerador de notícias para os meios "tradicionais" de comunicação, como TV, rádio e impresso. Depois da explosão dos blogs e do Orkut, agora chegou a vez do Twitter fazer um enorme barulho na sociedade. O site de relacionamentos que anda conquistando várias celebridades ao redor do mundo fez com que muitos jornalistas começassem a ver a internet com os outros olhos.
Não dá para negar: a web se firmou como mídia, e não apenas como uma plataforma de entretenimento ou de convergência. É possível encontrar de tudo, desde humor, diversão, cultura, jogos, venda de produtos, opinião, consciência política, informação e prestação de serviço. Ao contrário das chamadas "mídias tradicionais", o público é quem faz a sua programação (por assuntos) enquanto navega pela internet. Então, se você só consome "lixo" na web, é porque você gosta disso. Não, necessariamente, é culpa da internet. A pesquisa por conteúdos de qualidade, talvez seja a palavra de ordem do internauta que está disposto a ter lazer, entretenimento e informação.
Ao contrário do que muitas pessoas difundem, o Twitter não vai matar os blogs, muito menos o Orkut. Muito pelo contrário: a ferramenta serve como uma forma direta de aproximar o produtor de conteúdo de seus leitores - tanto para blogueiros, como para personalidades que conseguem fazer do Twitter uma extensão para difusão de ideias com mais comodidade e personalidade, pois as atualizações podem ser feitas via celular, por mensagem de texto, por exemplo.

Na última segunda-feira (29/06), o movimento Piratas do Twitter - TW Piratas, formado pelos atores Bruno Gagliasso e Pedro Nescheling; os músico Júnior Lima e Tico Santa Cruz; os humoristas Rodrigo Scarpa (Pânico na TV) e Marco Luque (CQC); o VJ da MTV Felipe Solari e o apresentador da TV Globo Luciano Huck, se apropriaram da campanha #fora sarney - criada por alguns internautas e blogueiros. Com muito bom humor e ingenuidade, a campanha fez barulho dentro e fora da internet. Para você ter uma ideia, a tag #fora sarney conseguiu ser por algumas horas uma das mais populares no mundo, passando a morte do rei do pop Michael Jackson. Clique aqui e leia este artigo que fez um apanhado geral sobre essa movimentação no Twitter.
Na tarde desta última quarta-feira (01/06), várias cidades do Brasil, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte - entre outras, realizaram manifestações em praça pública pedindo o afastamento do Presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) depois do senador estar envolvido no escândalo dos atos secretos e de supostamente estar beneficiamento financeiramente seus familiares. A pressão feita no Twitter - que passou para as ruas, mostrou o tanto que a internet consegue se fortalecer como mídia e como espaço difusor de ideias.
Chupa, Ashton!
Com o intuito de dar repercussão mundial ao #fora sarney, os "Piratas do Twitter" tentaram convencer o ator e humorista norte-amerciano Ashton Kutcher a postar algo relacionado a esta campanha no Twitter dele que possui mais de 2,5 milhões de seguidores. Anteriormente, os mesmos "Piratas" ironizaram Ashton durante o jogo entre Brasil x Estados Unidos, na Copa das Confederações, onde a seleção canarinho ganhou a partida por 3 x 2.

O marido de Demi Moore torcia fervorosamente para a seleção de seu país pelo Twitter, enquanto o jogo era transmitido para todo mundo. Não só os piratas, mas vários seguidores brasileiros enviaram mensagens com a tag #chupa - no qual se abriu uma verdadeira zoação ao ator que levou a brincadeira na esportiva. Depois de ter feito essa aproximação, os "Piratas do Twitter" tentaram convencer Ashton a participar do #fora sarney, mas o ator deu uma resposta à altura. "Só vocês têm o poder de expulsar seu senador. É o SEU país e VOCÊS tem de lutar por aquilo em que acreditam. Eu não tenho votos."
Agressão no Senado
Ao que parece, o Presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP) não está nada contente com toda essa mobilização em torno da sua renúncia. Mesmo sendo eventos distintos, não dá para negar a aproximação dessas notícias. Nesta última quarta-feira (01/06), o apresentador José Luiz Datena, no Brasil Urgente, da Band, informou que o humorista Danilo Gentili, que atua como repórter do "CQC - Custe o Que Custar", sofreu agressões de seguranças de Sarney, após ter tentado entrevistar o senador com perguntas que iam diretamente na "ferida" do político.

Mesmo sabendo que o tema é sério - e que prova que este tipo de assunto, por parte de Sarney, é resolvido na base do coronelismo, Gentilli ao dar entrevista para Datena - e também para outros colegas da imprensa, insistia em tentar fazer piadas com o ocorrido. Não que fazer piada seja ruim, muito pelo contrário: o humor é uma arte que consegue levar a informação e a crítica de uma forma mais leve e caricata. Mas, tudo tem a hora certa. E o momento - com tantos apelos feitos na internet e nas cidades exigindo a renúncia de Sarney como forma de tentar fazer um legislativo mais sério e coerente, foi jogado por baixo pelo humorista.
Fico me perguntando se realmente o #fora sarney é um movimento de promoção da conciência política ou para humoristas terem pauta de piadas. Independente da resposta, o bom é que a politica seja discutida pela sociedade. E isso já é um caminho importante para que tenhamos no futuro uma sociedade mais consciente na hora da eleição e que fique instigada a pensar sobre o nosso Congresso e Senado. Será?
Essa semana eu volto com mais Café com Notícias.
Jornalista