
"Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho". Borys Casoy.
O ano mal começou e a TV aberta já ganhou um dos seus maiores micos de 2010. Ou melhor, um verdadeiro King Kong. Se o CQC não estivesse de férias, talvez já tivessem um primeiro lugar garantido no Top 5 da semana. Será? Dificilmente, a Band coloca os seus erros no quadro...mas tudo bem. Isso rende outro post, afinal todos têm o direito de errar.
A emissora do Morumbi esquece que todos nós temos “telhado de vidro”. Falar do erro do outro é sempre mais fácil do que falar dos nossos. Eu mesmo, aqui no Café com Notícias, e durante a minha caminhada como jornalista, já errei. E não tenho vergonha de assumir isso. Estamos sujeitos ao erro, pois somos humanos. A diferença se faz em aprender com eles e, dessa forma, caminhar para o acerto.
No último Jornal da Band de 2009, numa quinta-feira (31/12), o jornalista Borys Casoy teve a infelicidade de ofender os garis em rede nacional ao assumir para os telespectadores o seu preconceito em relação ao ofício. Veja o vídeo abaixo:
Em entrevista à Folha Online, Casoy admitiu o vacilo. "Foi um erro. Vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados", disse. O deslize aconteceu durante a escalada do telejornal que mostrava dois lixeiros desejando votos de feliz ano novo aos telespectadores da emissora.
Logo após o noticiário, o vídeo caiu na internet e foi um dos assuntos mais comentados entre os internautas no Twitter. Muitas pessoas, inclusive jornalistas, chegaram a afirmar que Casoy encerrou a sua carreira de uma forma infeliz. Exagero? Talvez. Ninguém sabe ao certo. Já vimos coisas piores na TV aberta e que continuam no ar. Não é de hoje que vários comunicadores cometem “tropeções” ao esquecerem o microfone ligado. Acidentes acontecem. Ou melhor, verdades são ditas e as máscaras caem.


No ano passado, em uma palestra na UFMG, o jornalista @realwbonner, disse que todos nós deveríamos temer uma frase publicada fora de um contexto, principalmente quando isso é feito em mídia eletrônica. No caso, mais especificamente, ele falava de possíveis vídeos dele no YouTube. Bonner pediu a platéia para não filmar a palestra.Atenta, a platéia aceitou o pedido. “Com o microfone ligado diante de uma câmera, uma frase fora de um contexto pode virar uma bomba!”, disse William Bonner. Brincadeira ou não, o fato é que isso aconteceu com o âncora da Band. Na edição do dia seguinte, Casoy pediu desculpas. Veja o vídeo:
"Ontem, durante o intervalo do Jornal da Band, em um vazamento de áudio, eu disse uma frase infeliz, que ofendeu os garis. Por isso, quero pedir profundas desculpas aos garis e aos telespectadores do Jornal da Band." Borys Casoy.


Casoy foi vítima do seu próprio bordão: “Isso é uma VER-GO-NHA!”. Aliás, ele caiu no erro do sincericídio - neologismo que ficou famoso nos realitys shows onde os participantes que cometem excesso de sinceridade dentro do Jogo e logo são rifados pelos demais participantes.
De fato, foi uma frase preconceituosa. Pedindo ou não desculpa, dificilmente vai mudar a visão de mundo dele – mesmo com todo linchamento virtual que houve. Afinal, o preconceito sempre existiu. E, enquanto pessoas se acharem “melhores” do que as outras, declarações como essa vão ser escutadas. A lição que fica dessa história é que devemos combater o preconceito. Temos que incentivar o RESPEITO, e não só “apontar o dedo na cara do outro”. Afinal, “quem não tem teto de vidro, que atire a primeira pedra”.
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Wander Veroni
Jornalista
