Falta planejamento para a mobilidade urbana em BH. O que fazer?

maio 10, 2013

Foto: Site Ítalo Renno / Reprodução.


De uns tempos para cá, está cada vez mais evidente que o trânsito de Belo Horizonte (BH) deu um nó. Um nó tão bem amarrado que ninguém está sabendo como desfazê-lo. Se para quem tem carro está complicado se deslocar de um ponto ao outro da capital mineira, imagina para quem só tem como opção usar somente o transporte coletivo? A situação é tensa e, aparentemente, pouca coisa tem sido feita. As reclamações são muitas e a BHTrans parece fazer vistas grossas para tudo. Lamentável.

A sensação que grande parte da população tem é que falta planejamento para um real programa de mobilidade urbana em BH. Um projeto que contemple não só passagens de ônibus mais baratas, mas que constantemente crie um diálogo para a população para entender que os ônibus circulares e o metrô podem sim ajudar no deslocamento diário. Quem administra o metrô em BH é a CBTU. Mas, sem dúvida, já passou da hora da companhia criar um diálogo com a BHTrans e com a região metropolitana para que o metrô seja ampliado e, mais do que isso, seja otimizado.

É revoltante pegar um metrô cheio todos os dias, principalmente em horário de pico. E, para piorar mais a situação, tem vez que o maquinista resolve ficar parado no meio do caminho por cinco, dez, quinze minutos e não avisa os passageiros o motivo. Ou ainda: o metrô é guiado da forma mais lenta possível. A população não é passiva. Todo mundo reclama, mas ninguém toma uma providência.

Quando será que teremos mais linhas de metrô que levem os passageiros até ao aeroporto de Confins ou ao Mineirão, que são lugares estratégicos para o deslocamento de pessoas durante a Copa das Confederações e Copa do Mundo? Alguém já pensou nisso? Independente se vamos ter ou não grandes eventos esportivos na cidade, a questão da mobilidade urbana em BH já se tornou algo latente que não pode mais ser jogado para debaixo do tapete. Sejamos sinceros: o BRT é, sem dúvida, uma alternativa interessante, mas nem de longe vai resolver o caos do transporte coletivo na capital mineira. O buraco é mais embaixo.

Planejamento

Engarrafamento em diversos horários, ônibus lotados, motoristas estressados, pedestres apressados, metrô lento, lotado e que não atende todas as regiões da cidade, são alguns dos problemas mais gritantes. Esta é a realidade de BH, da qual este blog faz questão de denunciar em inúmeros posts.

Nesta semana, por exemplo, precisei trabalhar em uma cobertura jornalística de um evento no Expominas. Por morar entre a região da Pampulha e Venda Nova, utilizei o circular 608 para ir até a estação de metrô Vilarinho. Considerei que, sob o ponto de vista de tempo do trajeto, o metrô seria a solução mais rápida de chegar ao local. Ao todo, gastei 40 minutos no 608 e uma hora de metrô. Se não tivesse tantos engarrafamento na avenida Amazonas, provavelmente, chegaria mais rápido se tivesse pego dois ônibus.

Para piorar ainda mais a situação, a administração do Expominas e do metrô Gameleira, mesmo sabendo que tinha um evento de grande porte acontecendo, fecharam a passarela que dá acesso ao Expominas. Ou seja, quem foi ao evento de metrô teve que dar a volta até a avenida Amazonas para poder entrar. Mais uma vez a questão da mobilidade urbana foi esquecida, ou melhor: ignorada.

Curiosamente, o circular não para dentro do metrô, sendo que mais de 80% dos usuários desta linha vão para o metrô em horário de pico. O engraçado é que na Estação Vilarinho há uma interessante estrutura de estação rodoviária que atende não só ônibus de Belo Horizonte, mas os intermunicipais. O engraçado é que o circular 608 que é da região não entra ali. Além disso, depois de sair da rua próxima ao metrô, o ônibus anda mais alguns metros e fica 20 minutos parada em um Ponto Final até a próxima viagem. 20 minutos!!! Qual é o sentido de uma coisa dessas? Nenhum.

O ônibus circular 608 poderia muito bem entrar na Estação Vilarinho, ficar alguns minutos parado para a descida e entrada de novos passageiros e voilà: seguir viagem, uma vez que os passageiros estão saindo do metrô para continuar o trajeto não há nenhuma necessidade de ficar tanto tempo parado.

Cheguei a ligar para a BHTrans para saber como poderia expor a minha sugestão e a atendente, muito ríspida, disse que o órgão só avalia se muitos usuários reclamarem a mesma coisa. Ou seja: a BHTrans não se preocupa em otimizar o itinerário da linha por conta própria, só se usuário reclamar e reclamar muito. Mais uma vez repito: qual é o sentido disso?

Só para fechar esse arco do 608, o circular poderia muito bem ligar a Estação Vilarinho ao Shopping Norte e ainda trafegar pela Rua Padre Pedro Pinto, uma das mais importantes da região, contemplando assim uma gama variada de passageiros em Venda Nova e eliminar de vez esse Ponto Final que não tem nenhum sentido lógico. Se existe uma estação voltada para os ônibus dentro do metrô, porque o 608 não pode fazer parte disso?

Este é só um exemplo simples para provar a falta de planejamento em mobilidade urbana em BH. Mais do que criar novas linhas de ônibus ou estações de metrô é preciso que as atuais funcionem e sejam otimizadas de forma constante e com diálogo, uma vez que o passageiro está pagando por esse serviço e, nem sempre, tem o poder imediato de decisão para melhorá-lo.

Tenho por mim que, com toda certeza, deve haver tantos outros casos por aí com linhas com poucos ônibus, com horários reduzidos e passageiros intrigados com itinerários que fogem da lógica. O que a população espera não é uma sindicância, nem a análise de um estudo ou projeto. O que precisamos mesmo é de ação, de resultados. Já passou da hora dos engenheiros e técnicos responsáveis pelo transporte público de Belo Horizonte saírem das suas cadeiras e começarem a ver de perto os problemas da cidade que são muitos – e que carecem de iniciativa para resolvê-los. A realidade é uma só: falta planejamento para a mobilidade urbana em BH. O que fazer? Quem vai dar o primeiro passo?





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Jornalista

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6 comentários

  1. Sou do RJ, mas seu texto se aplica a várias cidades, inclusive a minha. Aliás, acho que o RJ está ainda pior que MG. Difícil saber quem vai dar o primeiro passo... muito difícil... abraços.

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    1. Oi Sérgio! Pelo que leio, a questão da mobilidade urbana é um problema crítico em todas as grandes cidades. Fui no Rio no ano passado e percebi que vocês também sofrem do mesmo problema de BH em relação ao metrô que não contempla toda a cidade. Enquanto não vermos iniciativa política, dificilmente veremos o primeiro passo. Abraço

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  2. Wander, BH vai se tornando em termos de transito, uma São Paulo, que nada foi feito por muitos anos e hoje não há mais soluções viáveis.
    Estamos no pé daquele velho ditado: "Nada é tão ruim que não possa piorar".
    O mais triste é saber que este problema é causado apenas por falta de vontade política.
    Grande abraço

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    1. Oi Giba! Isso que é o mais triste: a falta de iniciativa política. Por mais caótico que seja o trânsito de SP, pelo menos o metrô e o trem urbano deles funcionam, isso já ajuda muito. BH não tem nem um terço do metrô de SP, mesmo esse metrô não seja o ideal para os paulistas. Abraços

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  3. Francisco Bertoletta11 de mai de 2013 10:53:00

    Wander, realmente Belo Horizonte vive um problema sério no trânsito. Falta educação por parte dos motoristas, dos pedestres e de uma campanha que otimize o transporte coletivo. Quem vai dar p primeiro passo para isso acontecer? Me faço esta perguntas todos os dias quando tenho que ir ao centro.

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    1. Oi Francisco! Também me faço essa pergunta: o que fazer? A quem recorrer? O que mais me assusta é que a questão da mobilidade urbana é algo urgente e a cidade pede socorro. Abraço

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