Café nas Eleições 2012 – Cobertura política em BH não tem isenção informativa

junho 19, 2012

Foto: Superintendência de Comunicação Institucional / CMBH.




Depois que comecei a acompanhar mais de perto a editoria de políticas dos principais noticiários de Belo Horizonte por conta do meu trabalho, tenho notado que os jornais estão cada vez mais tendenciosos a uma determinada ala política-partidária. A tão sonhada isenção informativa – nem que seja no lead, para depois se oferecer a opinião no relato noticioso, caiu em desuso. Se dependermos apenas da informação dos jornais, o público está f***dido, com o perdão da palavra.

Nesta segunda-feira (19), o executivo da capital mineira tentou, por meio de um golpe de interpretação do regulamento da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), iniciar a votação de Projetos de Lei (PLs) por meio de um requerimento do líder do governo - o vereador Tarcício Caixeta, para votar em bloco os projetos de interesse da Prefeitura, baseado numa premissa já utilizada no Congresso Federal.

O objetivo mor era votar o projeto da venda de 91 terrenos da prefeitura de Belo Horizonte – proposta esta condenada pelo Ministério Público, no qual o atual administrador municipal insiste confundir a população, avisando que o dinheiro vai ser usado para o projeto de habitação popular, sendo que a Prefeitura teve quatro anos – inclusive com contrapartida financeira aprovada pelo Governo Federal, para iniciar o Minha casa, Minha Vida, em Belo Horizonte, e não o fez.

Pois bem, na reunião plenária desta segunda-feira (18), os vereadores Cabo Julio, Iran Barbosa e Neusinha Santos, conseguiram identificar de forma rápida a manobra do Governo que apelou para o método usado pelo Congresso Federal de votação de PLs em bloco, desprezando completamente as outras duas casas legislativas de menor número de parlamentares e que condiz com a realidade da Câmara – que é a Assembléia Legislativa de Minas Gerais e o Senado Federal, conforme aponta o regulamento da CMBH.

Se não fosse o debate incitado pelos três vereadores em questão, a manobra do executivo teria sido aceita sem alarde dos demais parlamentares. Os vereadores Iran Barbosa e Neusinha Santos relataram a monobra do governo em tempo real pelo Twitter.

O presidente da Câmara, o vereador Leo Burguês, ficou visivelmente sem graça e não sabia como agir diante da apresentação do regulamento da Câmara. Temendo uma retaliação popular, Caixeta foi lá na mesa diretora, aos 45 do segundo tempo, e tirou o requerimento para apreciação e votação.

O quórum só caiu depois que a proposta de votação dos PLs em bloco de interesse do governo já tinha saído de pauta, ao contrário do que foi noticiado pelos três principais jornais. Dos 42 vereadores, apenas três mostraram indignação e não deixaram que o executivo ridicularizasse mais uma vez as ações da Câmara. Nenhum jornal contou isso.

O mais impressionante é que, depois da votação, os repórteres dos três maiores jornais diários da capital não queriam focar as suas matérias sobre o fato dessa derrota da Prefeitura, muito menos no “golpe” que foi tentado se estabelecer para se esquivar da recomendação do Ministério Público que veta a venda dos terrenos da Prefeitura. Todos foram polarizar a matéria apenas na versão da liderança da Prefeitura. Complicado. Ainda bem que existe as redes sociais para dar o outro lado da moeda.



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Jornalista

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3 comentários

  1. Concordo com você, Wander. É uma vergonha ter os três principais jornais da cidade amarrados por conta da verba de publicidade. Ás vezes me dá vergonha da qualidade dos jornais daqui, muito ruim. Parabéns pela coragem do desabafo.

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  2. Francisco Bertoletta19 de jun de 2012 14:47:00

    É por essas e outras que cancelei a minha assinatura dos jornais de BH, apesar de viver na região metropolitana. É triste ver a imprensa que deveria defender o povo só noticiando escândalos e mesquinharias.

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  3. Caro colega, infelizmente não existe imparcialidade no jornalismo. Em BH a situação ainda é mais complicada pq a política e o empresariado manda mesmo no que vai ser noticiado. É um grande câncer difícil de ser tratado.

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