A Vida da Gente e o final de novela mais bonito que já assisti

março 04, 2012


Sei que estou atrasado. O capítulo final de A Vida da Gente foi na sexta-feira (02/03), mas tinha que fazer este post hoje. Ainda dá tempo. Creio que foi o final de novela mais bonito que já assisti. O final de novela que mais representou aquilo que estou sentindo. Uma reverência ao tempo, senhor de todos os destinos. Tempo, tempo....como diz a música de Caetano Veloso cantada por Maria Gadu, na abertura do folhetim.

Peço licença aos fãs da novela, porque não quero falar dos desfechos. Quero comentar sobre o texto primoroso de Lícia Manzo e, principalmente, a minha experiência pessoal me aventurando por esta obra. Haja coração para tanta emoção! Foi lindo se emocionar com cada cena, com cada tomada, com cada olhar dos personagens. Fazer drama não é fácil. E fazer drama com filosofia não é para qualquer um: tem que ter competência e, mais do que isso, SENSIBILIDADE. Clique aqui e veja uma entrevista da autora sobre como foi escrever A Vida da Gente.

Há um pouco mais de dois anos faço análise. E, só agora, é que consigo entender o quanto a vida nos oferece mudanças o tempo todo. A beleza da vida é a mudança. E mudar é a parte mais bacana de se viver. As pessoas mudam o tempo todo. Nós mudamos o tempo todo. Você muda e eu mudo. Ainda bem que é assim.

Aliás, nem todo mundo muda. Tem pessoas que mesmo errando, batendo a cabeça nos próprios erros permanecem errando, sempre no ataque e na defesa. Idealizam algo que não existem. Estão em guerra consigo mesmo. Só podemos ajudar quem quer ser ajudado. Quando você veste a capa de herói sem ser chamado, só por achar nobre, o seu ato pode ser uma criptonita a longo prazo. Não vale a pena! E eu aprendi isso às duras penas.

Para esse tipo de pessoa, que não quer mudar e só jogar a semente da discórdia, só podemos ter compaixão e distanciamento. Infelizmente, conheço pessoas assim. Para poder viver, tive que fazer como avó Iná (Nicette Brunno), sugeriu à Manu e Ana: o distanciamento. Parece uma situação radical, mas é o melhor que podemos fazer para o nosso próprio bem estar emocional. Tem pessoas que não mudam. Tem pessoas que não vão mudar por mais que você dê duas, três, quatro, cinco, mil chances. Mudar tem que ser algo de dentro para fora. Mudar é atitude, não é só fala.

Tenho para mim que está foi a mensagem mais bonita de A Vida da Gente. A redenção está dentro do nosso coração e são poucas as pessoas capazes de tê-la, de se propor a este ensinamento. De ser humilde o bastante para saber que o outro é diferente. Que não podemos jogar as nossas frustrações em cima dos outros. Que não devemos idealizar demais. Que, no final das contas, temos que aprender com os nossos erros. Temos que aceitar o doce e o amargo da realidade como ela é, sem rodeios, sem joguetes.
Lícia Manzo autora da novela das seis, A Vida da Gente.
Foto: TV Globo / Divulgação.

Não assisti todos os capítulos de  A Vida da Gente porque emocionalmente não estava bem. A angústia do texto das personagens me afetava não por ser ruim, mas porque naquele momento eu precisava me recuperar. Era como estar em análise na frente da TV. Talvez é difícil de entender, mas não é impossível. E com o passar do tempo me recuperei e aceitei o desafio pessoal de ver muitos dos meus problemas retratados. Não é fácil. A novela tratava de assuntos que ainda não tinha resolvido por completo, como a saudade imensa que sinto da minha avó materna. 

No início, cada cena da avó Iná me desequilibrava. É muito duro perder quem se ama e no momento certo não viver esse luto. E eu demorei muito para viver essa despedida. Mas ainda bem que a fiz. Era necessário. Depois, me deu tanta PAZ de saber o quanto tenho para mim só lembranças boas da minha avó. Ver aquela avó sábia da novela foi uma homenagem linda a minha avó que está comigo dentro do meu coração. 

Agora, olhando para trás, em muitos momentos, percebo que a novela me ajudou a entender melhor este e outros vários sentimentos que precisava colocar para fora. Foi muito bom! E hoje, um domingo (04/03) à noite, dois dias depois do término final, é bom olhar para trás e ver que há cinco meses, quando a novela começou, eu estava emocionalmente de um jeito e hoje estou de outro. E isso me dá tanta PAZ...senti que precisava dividir este sentimento.

O tempo foi mesmo o senhor do meu destino. Não foi só uma coisa de novela. Aprendi a aceitar. Aprendi a me aceitar. Aprendi a aceitar que o outro não muda só porque eu quero que mude. Aprendi que o mundo é diferente. E graças a Deus somos todos diferentes. Com a novela, por mais incrível que isso possa parecer, aceitei que as relações familiares são e podem ser muito diferentes. Agradeci a Deus pelas pessoas que passaram e estão passando pela minha vida, deixando cada um uma semente de aprendizado. Cresci e me conheci. Ou melhor, me conheço a cada dia. O tempo me muda diariamente...e aprendi a aceitar isso.

Lícia Manzo, Jaime Monjardim e elenco de  A Vida da Gente, obrigado por me fazer sentir, como diria um grande amigo. Deus os abençoe!



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Jornalista

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4 comentários

  1. Ei Wander, achei lindo também o final de A Vida da Gente. E o seu comentário pessoal sobre o que a novela te representou é muito bonito, tocante mesmo, de verdade. Você é uma pessoal especial, a gente sente isso pelo seu texto. Tenha fé que tudo vai dar certo. Beijos

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  2. Francisco Bertoletta4 de mar de 2012 23:38:00

    Wander, é por isso que gosto tanto do seu blog. Você escreve com o coração e faz o seu leitor pensar, coisa rara em se tratando de blogs de entretenimento ou noticiosos. Também custei a aceitar que a vida é mudança, que precisamos mudar para poder viver. Sou mais velho que você, mas compartilho da mesma experiência. É preciso se aceitar para poder seguir em frente e ser feliz. Acredite em você. Abraço

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  3. Wander do céu, chorei litros com o final desta novela e agora me emocionei também lendo o seu post. Também perdi a minha avó que era como se fosse uma segunda mãe, sei o que você está passando. Mas que bom que você está se permitindo se conhecer. E acredite: tem gente que prefere ficar no comodismo da caverna dos próprios sentimentos.

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  4. Emocionante o teu texto Wander.
    Realmente você "escreve com o coração".

    E a novela foi linda do começo ao fim.
    E o que falar do desfecho final?
    Que foi simplesmente perfeito.

    Como foi divulgado pela Globo, avisando que haveria reprise do último capítulo, esta merecia estar no horário nobre.

    Mas são com as novelas das 18h que me identifico mais e assisto assiduamente.
    Sou noveleira? Sim, sou e adoro.
    Em especial as últimas novelas das 18h que estão me fascinando, como: Escrito nas Estrelas e Cama de Gato.

    Parabéns pelos comentários Wander.

    Abraços,
    Suelen Caroline Block

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