Cena Repórter – GloboTV possui conteúdo diverso, mas se esqueceu do compartilhamento

fevereiro 12, 2012


No início do mês de fevereiro, a Rede Globo mudou completamente a área de Vídeos do seu portal, a Globo.Com. Agora, com o nome de GloboTV, a emissora carioca criou uma  plataforma de vídeos que permite assistir a programação de canais da TV Globo, SporTV, Globo News, GNT, Multishow, Canal Brasil, Universal Channel e Canal Off. Há trechos de programas e matérias jornalísticas liberados para os internautas e muitos programas na íntegra para assinantes.

A ideia de colocar tudo na mesma plataforma é excelente, além de ser uma janela importante para que o internauta que ainda não conhece um desses canais listados possa ter acesso a eles pela internet. Porém, a Globo mudou a sua própria política de compartilhamento de vídeos retirando a opção embed do ar. Inicialmente, achei estranho porque o embed do vídeo é uma forma de compartilhar o conteúdo da Rede Globo em outros sites e blogs – o que aumentaria ainda mais o page rank do portal, sem contar na divulgação deste conteúdo internet à fora.

Mesmo não concordando com essa nova política, eu a entendi. Por conta dos últimos debates envolvendo proteção e direitos autorais na internet – principalmente após a repercussão massissa do SOPA, PIPA, e afins, a Globo decidiu que se o internauta quer assistir a um vídeo dela, que entre na Globo.Com. É uma estratégia de mercado perigosa e que induz o internauta a ser assinante para poder assistir ao conteúdo na íntegra. Atualmente, um dos passatempos preferidos de quem está na web é assistir vídeo e a Globo sempre atenta também quer estar nesta fatia do bolo.

Retirar o embed dos vídeos – não os que estão na íntegra, mas sim os trechos ou as matérias jornalísticas, pode ser um tiro no pé no quesito de divulgação, de outros internautas darem credibilidade ao conteúdo produzido, replicando ele nas redes sociais, blogs e outros sites. O embed é um instrumentos importante para conquistar outros espectadores. Vejo o fim do embed como uma estratégia egoísta. É um modo de não dividir com os outros o próprio conteúdo, uma tentiva que olha apenas o lado comercial, não o comunicativo.

De uma forma ímplícita, o fim do embed é uma atitude que incentiva a pirataria. O internauta sabe que não pode mais publicar trechos ou produções na íntegra no YouTube, mas procura outros sites de compartilhamento de vídeo para fazê-los. E são muitos. Mesmo com o fim do MegaUpload, há sites do mesmo estilo, em outros tantos países, que ainda possuem leis mais brandas em relação a esta ideia de compartilhamento que – a princípio, não teria fim comercial para o internauta possa continuar postando.

Você pode estar se perguntado: mas tem o link, não tem? Então dá para linkar. Claro que dá, mas isso não é a mesma coisa. Nem todo o internauta clica. E trabalhar com vídeo em um post, mostra que o autor está antenado aos recursos multimídias. Ter um post que possui um vídeo, uma imagem e um texto é muito mais interessante para o internauta que está ali pesquisando um determinado assunto no Google, do que um post que tem apenas blocos de textos. O internauta hoje, por conta das redes sociais, é um curador de conteúdo. Ele expõe na própria página na internet aquilo que ele considera de relevante. E um player de vídeo ali, pedindo para ser assistido, é muito mais simples do que colocar um link para abrir uma outra página.

Confesso que apesar de entender os motivos, me decepcionei. A Globo é pioneira aqui no Brasil no lançamento de ações comerciais na área da comunicação utilizando a plataforma web. Lembro-me que há muitos anos atrás, logo na época do “boom” do YouTube, a emissora carioca fez uma parceria para colocar os capítulos das novelas na íntegra ou, até mesmo, trechos. Era genial! Geralmente, os capítulos das novelas estavam figurando sempre entre os vídeos mais vistos. Ou seja, a Globo tem a liderança na TV aberta e, consequentemente, tinha o mesmo na internet.

Com a nova política e filosofia comercial do YouTube, a Globo teme perder receita para o site de compartilhamento de vídeos da Google – e, principalmente, para o internauta que posta este vídeo e cria um canal muito assistido. A internet ainda está caminhando e, todos estamos vendo juntos, os passos que ela está dando, tanto para o lado comercial, quanto para o conteúdo. Estamos todos vivendo de perto a história da comunicação. O futuro já começou!



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Observação: Este artigo faz parte da seção Cena Repórter, do site Cena Aberta, onde todo sábado um tema de destaque da última semana, principalmente sobre bastidores de TV, é debatido, analisado e esmiuçado. No dia posterior, o texto é publicado aqui no Café com Notícias.




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4 comentários

  1. Francisco Bertoletta12 de fev de 2012 12:41:00

    Muito boa a sua observação sobre o compartilhamento de vídeos, Wander. Eu mesmo desconhecia a função embed pq não sou blogueiro. Na minha opinião, a Globo perde com isso. Você mesmo era um dos que colocava matérias dos noticiários de lá. Abraços

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  2. Ei Wander! Ontem acabou que não deu tempo de ir lá no Cena Aberta para ver o seu artigo da semana. Como sempre, você arrasou na crítica querido. Beijos

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  3. Para mim a Globo está certa de fazer isso. O povo usa o embed dos vídeos para aumentar o page rank do próprio site. Uma coisa é você que coloca conteúdo e mescla com o vídeo, Wander. Outra é a pessoa que cria um post só com o embed do vídeo. Quem quiser que assine a Globo.Com, pronto.

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  4. Oi! Que delícia ler esse texto viu. Cada vez que entro no blog e dou te cara com um texto bem elaborado, bem escrito, cheio de propriedade de fato me emociono. Acredito que as mudanças promovidas pela TV GLOBO vao de fato causar prejuízos à própria emissora, isto é fato. Entretanto como esta tem por hábito sair sempre à frente, creio que talvez, entre outras coisas isto justifique tal atitude. Eu não tenho o mesmo conhecimento de mídia que o meu amigo Wander Veroni um ás no assunto, mas gostava do fato de poder acessar todos os vídeos da GLOBO a hora que eu quisesse sem ser assinante. No texto do Wander ele argumenta que para o internauta é muito mais interessante ler um post que tem além dele tem um vídeo, concordo plenamente e diria mais um player pedindo pra ser assistido é sedutor, não há quem resista. Vamos ver no que vai dá.

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