15ª Mostra de Cinema de Tiradentes valoriza a produção do cinema nacional

janeiro 30, 2012

Exibição do longa-metragem "O Mineiro e o Queijo" durante a 15ª Mostra
de Cinema de Tiradentes. Foto: Leo Lara / Universo Produção.


Incentivar o fomento do cinema, além de ser um espaço para que o público possa conhecer e debater o que há de mais interessante na atual safra cinematográfica nacional. De 20 a 28 de janeiro, a cidade mineira de Tiradentes foi palco da 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Durante os nove dias de programação intensa e gratuita, mais de 35 mil pessoas passaram pela cidade.

Com a realização da Mostra, cerca de 1.500 empregos diretos e indiretos foram gerados, fortalecendo a economia e a vocação turística. A equipe dos bastidores do evento foi composta de 138 pessoas e mais de 150 empresas foram contratadas para a montagem da estrutura do evento e prestação de serviços. As 12 oficinas culturais oferecidas gratuitamente certificaram 310 alunos durante o período.

Ao todo, a Mostra teve a apresentação de 116 filmes – sendo 31 longas, um média e 84 curtas, além da realização de 19 encontros com a crítica, o diretor e o público. O festival também contou com sete debates temáticos abertos ao público e convidados. Cerca de 500 convidados, entre cineastas, produtores, jornalistas e críticos prestigiaram esta edição comemorativa. 
Gravação da Blue Drop Jazz Quartet em um tablet.
Foto: Leo Lara / Universo Produção.

“Toda a movimentação do cinema gera profundas modificações na estrutura de Tiradentes. O evento contribui muito para o desenvolvimento da atividade turística na cidade”, afirma Maria do Carmo, presidente da Associação Empresarial de Tiradentes (Asset).

O Secretário Municipal de Cultura e Turismo de Tiradentes, Felipe Barbosa, acrescenta que o anúncio da sala de cinema no Centro Cultural Yves Alves, uma das grandes novidades desta 15ª edição, é motivo de comemoração para a população da cidade.

Temática

O tema da 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes foi “O Ator em Expansão”. A proposta foi justamente debater a função dos preparadores de elenco e a utilização de não-atores foram questões que não se restringiram às mesas propostas para o tema e foram assunto em debates dos filmes e rodas de discussão.

Marat Descartes, um dos protagonistas do longa Corpo Presente, concorrente da Mostra Aurora, disse que a preparação de elenco pode ser importante para um filme, mas que deve ser utilizada de maneira menos indiscriminada. “O problema é a padronização do método de se preparar os atores, que pode levar à padronização da atuação no cinema brasileiro, algo que já temos que combater em função do padrão estabelecido pela TV”, afirmou Marat.
O ator Selton Mello durante coletiva de imprensa da Mostra de Cinema
de Tiradentes. Foto: Leo Lara / Universo Produção.

Homenageado desta edição, Selton Mello concorda com o diagnóstico. “Dá pra contar nos dedos da mão os diretores que sabem trabalhar com o ator, daí a demanda por produtores de elenco”, disse Selton. Já o cineasta Eduardo Valente ponderou a questão: “Já utilizei preparadores de elenco e nem por isso deixei de dirigir meus atores. Creio que isso é apenas mais uma ferramenta para o diretor que, logicamente, se for mal utilizada, pode ser prejudicial ao filme, como qualquer outra ferramenta”.

A relação entre crítica e realização também foi um dos principais, e mais controversos, temas das conversas na segunda metade de Tiradentes, a partir da realização das duas mesas do Panorama Crítico da Crítica. A discussão foi além daquelas pessoas presentes na Mostra e repercutiu pelas redes sociais, a partir da transmissão ao vivo dos dois eventos pela Internet.

“Quando escrevemos sobre cinema brasileiro, isso demanda outro nível de responsabilidade e isenção, por mais que isso devesse ser o padrão, pois falamos a partir e para um meio do qual fazemos parte. Não tenho nenhuma ilusão de que o que penso sobre um filme é puro e imaculado em relação ao que lhe é externo”, afirmou o crítico Fábio Andrade no primeiro debate.
Cauã Reymond, Grazi Massafera, Vânia Catani, Raquel Hallak e José Eduardo
Belmonte. Foto: Leo Lara / Universo Produção.

No segundo encontro, alguns realizadores demandaram um maior cuidado por parte dos críticos para com o cinema brasileiro. “Não se trata de dourar a pílula ou passar a mão na cabeça dos realizadores, mas partir para um corpo a corpo com os filmes e criar um pensamento crítico em torno de nossa produção, quer se goste dos filmes ou não”, explicou Rodrigo de Oliveira, diretor de As Horas Vulgares, que participa da Mostra Aurora.

Premiação

Na noite deste sábado (28), foram anunciados os filmes premiados na 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes. Pelo quinto ano consecutivo, o Júri Jovem e o Júri da Crítica escolheram cada um seu Melhor Filme entre os longas apresentadas dentro da Mostra Aurora, seção dedicada a diretores em início de filmografia. Como Melhor Filme, foi eleito pelos cinco membro do Júri da Crítica o longa do Distrito Federal, A Cidade é Uma Só, de Adirley Queirós. Já o Júri Jovem elegeu, como Melhor Filme da Mostra Aurora, o documentário carioca HU, de Pedro Urano e Joana Traub Cseko.
A Coordenadora de Produção da Quimera, Denise Flores, estava representando 
o cineasta Helvécio Ratton, do longa "O Mineiro e o Queijo", que recebeu o Troféu Barroco
das mãos de José Eduardo, da Petrobras. Foto: Leo Lara / Universo Produção.

Já os vencedores do Júri Popular foram escolhidos a partir da votação do público após as sessões da Mostra. Entre os curtas-metragens, o vencedor do Troféu Barroco do Júri Popular foi L, de Thais Fujinaga, agraciado assim com o prêmio Aquisição Canal Brasil, que contempla o valor de R$ 15 mil e a exibição do filme na grade de programação. Entre os longas, foi escolhido pelo público da Mostra de Tiradentes como Melhor Longa o documentário O Mineiro e o Queijo, de Helvécio Ratton. “Dedico o prêmio a todos os produtores de queijo de Minas Gerais”, disse Denise Flores, que representou o diretor durante a premiação.

Abaixo todos os premiados da Mostra de Tiradentes:

Júri da Crítica
Prêmio Aurora de Melhor Filme – A Cidade é Uma Só?, de Adirley Queirós (DF)
Prêmio Aurora de Melhor Curta – Quando Morremos à Noite, de Eduardo Morotó (RJ)

Júri Jovem
Prêmio Aurora de Melhor Filme – HU, de Pedro Urano e Joana Traub Cseko (RJ)

Júri Popular
Melhor Curta – L, de Thais Fujinaga (SP)
Melhor Longa – O Mineiro e o Queijo, de Helvécio Ratton (MG)

Prêmio Aquisição Canal Brasil
L, de Thais Fujinaga (SP)



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* Colaborou: Ariane Lemos / Universo Produção.




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3 comentários

  1. Que delícia deve ser essa Mostra de Tiradentes, hein. Fiquei morrendo de vontade de ir. Até os Globais deram pinta por lá. Adorei a reportagem porque amo cinema. E festivais como esse precisam acontecer sempre. Beijos

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  2. Francisco Bertoletta30 de jan de 2012 20:14:00

    Wander, apesar de não ter comentado aqui no blog, lembro-me do seu post do ano passado sobre a Mostra de Cinema de Tiradentes. Imagino que deve ser um evento muito interessante para o fomento do cinema em Minas. Um dia ainda irei nesta Mostra.

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  3. Não conhecia essa festival de cinema em Tiradentes. Achei bacana por ele ser gratuito e um espaço para que todo mundo que está ali possa conhecer os filmes brasileiros. Parabéns pela matéria, Wander. Abraço

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