Ponto de Vista – Fátima Bernardes deixa o JN em busca de um novo desafio profissional

dezembro 03, 2011



Se 2011 terminasse neste final de semana, sem dúvida alguma, a notícia da saída de Fátima Bernardes da bancada do Jornal Nacional (JN), após 14 anos, seria a notícia do ano. Uma verdadeira BOMBA! Seria se não fosse a maneira tranquila que a própria Rede Globo se prestou a fazer, de modo leve e humanizado, essa “dança das cadeiras” entre JN e Fantástico

Quem em sã consciência imaginaria o JN sem o “casal nacional”, ou ainda pior: o telejornal de maior audiência da TV aberta e o de mais tempo no ar, sem um dos membros desse casal? Eu não consigo. Se você ler o livro “JN – Modo de Fazer” vai ver quanto de entrega há dos dois para que esse telejornal aconteça.

Pois bem, aconteceu. A mudança bateu na porta e fez a energia circular. Tudo e possível! Difícil imaginar, mas não impossível. Mas, o mais bacana é o que repito: a emissora carioca fez essa transição de uma maneira tão positiva que o telespectador ficou feliz em saber que Fátima está “indo embora” do JN não porque foi “trocada”, mas porque está realizando um sonho de ter um programa do jeito que ela sempre quis. Não sei se isso é só impressão minha, mas de uns tempos para cá sinto a Globo mais maleável e menos engessada, o que é um bom sinal.
Dança da cadeiras entre as apresentadoras da Globo Renata Ceribelli,
Fátima Bernardes e Patrícia Poeta. Foto: Alexandre Durão.

Recentemente, no ônibus, sem querer prestei atenção na conversa de duas senhoras que falavam sobre essa troca entre Bernardes e Poeta. Uma delas me fez lembrar de um momento de transição da TV do qual havia me esquecido: quando Glória Maria saiu do Fantástico para um “período sabático” e entrou no lugar dela Patrícia Poeta, que até então era conhecida do grande público como a “garota do tempo” dos noticiários. “Não duvido nada que a Poeta puxou o tapete da Fátima igual fez com a Glória Maria, coitada. Será que ninguém mais pode envelhecer na TV? Só cabe rostinho bonito? Daqui a pouco a Poeta vai querer o lugar da Ana Maria Braga também”, disse uma das senhoras. Morri de rir...rs.

Claro, pela a imprensa, a gente sabe que a mudança não foi dessa forma. Na coletiva, Fátima estava bastante à vontade com a situação e foi muito cortês com a Patrícia Poeta. Se tivesse rolado isso, uma mulher, por mais elegante que seja, não iria conseguir segurar toda essa onda. Graças a Deus não houve nada disso. Mas, esse lance de envelhecer é algo que a TV ainda está aprendendo a lidar de uma forma menos traumática.

Mas, voltando ao assunto principal deste texto, o que sinto dessa história toda é uma vontade enorme de Fátima, no auge da carreira e da consagração como jornalista, de se propor um novo desafio, de fazer aquilo que gosta. Chega um momento na vida que é importante olhar para nós mesmos e saber qual é o rumo que queremos dar e não, simplesmente, acomodar. Fátima fez isso e ela sempre terá o meu aplauso, a minha admiração. No meio disso tudo, a notícia que mais gostei foi a efetivação de Renata Ceribelli no Fantástico, ao lado de Zeca Camargo e Tadeu Shimidt. Ela merece....tan-nan-nan...
Novos apresentadores do Jornal Nacional: William Bonner e Patrícia Poeta.
Foto: Alexandre Durão.

Confesso que, particularmente, não me simpatizo com a Patrícia Poeta. Pelo que já escutei de algumas profissionais, ela é uma pessoa difícil de lidar no dia-dia, para não dizer outra coisa. Mas, o fato de não me simpatizar não significa que desmereça o trabalho dela e nem que não concorde que ela esteja apta para assumir tal função, independente de como ou em cima do que ela tenha sido a escolhida. Posso me surpreender? Claro. E, do fundo coração, espero que sim. Mas, até então, tenho o “meu pé atrás” em relação a essa escolha e uma torcida enorme pelo crescimento profissional da Ana Paula Araújo (RJTV), que é carismática e super competente.

Enquanto a nossa querida Fátima Bernardes – da qual sou fã desde a época em que ela apresentava o Jornal Hoje (Bons tempos, por sinal), não estreia o seu novo programa nas manhãs da Globo, fico aqui do outro lado da telinha me sentido agraciado por ver esse momento de transição do JN de uma maneira ímpar na história da TV. Quem é jornalista e já produziu e editou um jornal sabe o quanto o programa acaba se tornando um filhote querido.

E no caso do JN não é apenas um filhote da produção, da TV Globo, mas do Brasil inteiro. O brasileiro tem uma relação íntima com o Jornal Nacional, de amor e ódio. E de dar “boa noite” para a TV quando o telejornal acaba. Trata-se do programa mais tradicional da TV brasileira. Se olharmos na linha do tempo, o noticiário já mudou muito: graças a Deus. Creio eu que essa década de 2000 foi as que tiveram as mudanças mais intensas.

Hoje, os apresentadores se olham, interajam e são mais formais com a notícia e não apenas a lêem. Basta ir no YouTube e procurar uma escalada do JN de 2001 e outra de 2011 para ver, apenas dessa parte, o quanto o noticiário já mudou. E, a partir da semana que vem, seremos testemunha de mais uma nova mudança na história do JN. Uma mudança que não se limita apenas a uma troca de apresentadores, mas uma nova etapa que se inicia. Como telespectador, jornalista e fã da linguagem televisiva, só posso desejar boa sorte a todos os envolvidos. Viva as mudanças!




Fotos/Imagens: Soza Caricaturas / Alexandre Durão.




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*Observação: Este artigo faz parte da minha participação na seção Ponto de Vista, do site do Cena Aberta, onde três jornalistas publicam um artigo mostrando pontos diferenciados sobre o mesmo assunto. Todo sábado você vai encontrar artigo escritos por Endrigo Annyston, Emanuelle Najjar e Wander Veroni.





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3 comentários

  1. Ei Wander! Que dó que me deu de ver a Fátima Bernardes saindo do JN...tenho certeza que vou chorar na segunda-feira quando ela passar o bastão. Parabéns pela análise, meu querido. Beijos

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  2. Francisco de Castro Almeida3 de dez de 2011 17:26:00

    Já eu gosto da Patrícia Poeta. Acho ela super competente e me passa credibilidade. Acho que ela vai inaugurar uma fase mais informal no JN, pelo menos torço para isso.

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  3. Oi, Amigo!
    Concordo com você quando diz que a Fátima está em busca de novos desafios. Perfeito. Entretanto, acredito que a maior beneficiada nessa história toda será a própria Globo.
    As manhãs da emissora passam por uma verdadeira gangorra, não consegue se manter num patamar aceitável pelos executivos de lá. A Fátima tem competência, credibilidade e é muito querida por todos os brasileiros ou seja, sucesso na certa.
    Para quem está com o Mais Você e o Bem estar patinando uma Fátima Bernardes com jornalismo e entretenimento é tudo que se sonha.
    Além do mais há que se observar as mudanças na postura da emissora no que diz respeito a avaliar e acatar novos projetos dos seus profissionais. Talvez uma lição aprendida com a rejeição de projetos como o de Brito Jr., que fez sucesso posteriormente na Record.
    Como você, fico na torcida pelo sucesso da Fátima em seu novo projeto e da Patrícia Poeta na bancada do JN.

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