Chuva forte castiga o Sudeste brasileiro

dezembro 08, 2009


Desde o o final do mês de outubro, os estados do sudeste brasileiro têm sofrido com as fortes chuvas dessa estação. A manhã de terça-feira (08/12) marcou a vida do paulistano. Todos os noticiários deram ampla cobertura ao “alagão” na cidade de São Paulo que fez uma das cidades mais importantes do país parar, literalmente. Várias pessoas ficaram completamente ilhadas nas ruas da capital paulista e o trânsito sofreu retenção nas principais ruas e avenidas.

Ainda, de acordo com informações oficiais, até o fechamento desta edição, seis pessoas já morreram devido à chuva, somente na Grande São Paulo, desde a madrugada. A jornalista e blogueira @rosana, autora do blog Querido Leitor, publicou um vídeo interessante com os tweets de pessoas que ficaram alagadas pela capital paulista, numa espécia de "povo-fala" da web 2.0. Assista:



Segundo dados divulgados pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), São Paulo possuía, somente no horário de 09h10, mais de 125 km de lentidão. Naquela hora, as marginais Tietê e Pinheiros estavam em estado de alerta, assim como os bairros de Itaim Paulista e Ipiranga.

Já no Rio de Janeiro, a situação não foi diferente. Na última sexta-feira (04/12), a Defesa Civil fluminense decretou estado de atenção depois que a chuva causou congestionamento no trânsito em vários pontos da capital, deslizamento de terra em algumas regiões, falta de luz e alagamento em importantes vias da cidade, como as avenidas da Lagoa, na zona sul, e a Avenida Brasil, no subúrbio.

Ainda de acordo com o órgão, as principais ocorrências foram quedas de árvores na Ilha do Governador e no Alto da Boa Vista, na zona norte. Também houve rolamento de uma pedra em um morro do bairro das Laranjeiras, na zona sul. Até agora, três pessoas morreram por causa da chuva nas cidades de Duque de Caxias, Macaé e Petrópolis. Ao todo, são 228 desalojados, 77 desabrigados e cinco feridos.

O local litorâneo preferido dos mineiros também sofre com a chuva. No Espírito Santo, um bebê de 11 meses morreu no sábado (05/12) em um deslizamento de terra ocorrido em Brejetuba. A Defesa Civil capixaba informou que 10 municípios registraram alagamentos, que deixaram 261 desabrigados e 2.780 desalojados. Pelo menos 1.600 imóveis foram danificados. Ainda, em decorrência da tempestade, a prova do Enem, no último final de semana, foi suspensa por causa das inundações. Os estudantes terão de fazer as provas nos dias 5 e 6 de janeiro.

E em Minas Gerais a chuva forte continua castigando a população. Desde o final de outubro, Belo Horizonte sofre com a tempestade, ao lado da forte ventania, que causa problemas no trânsito, alagamentos em algumas das principais avenidas, falta de energia em alguns bairros e queda de árvores. Desde o dia 25 de outubro, as enchentes já deixaram nove mortos e 28 feridos em todo o Estado e uma pessoa está desaparecida.

De acordo com a Defesa Civil estadual, 19 pontes, em cidades do interior, ficaram danificadas e dezesseis cederam. Cerca de 68 mil pessoas foram afetadas pelas chuvas. Até o momento, 4.284 pessoas desalojadas e 906 desabrigadas. Além disso, 28 municípios decretaram situação de emergência e 44 cidades tiveram algum prejuízo em razão dos temporais.

Com o último final de semana chuvoso, a queda de árvores deixou o trânsito de Belo Horizonte compliado em algumas regiões. De acordo com o Portal Uai, de sábado (05/12) até as 14h de domingo (06/12) o Corpo de Bombeiros registrou 28 quedas na Grande BH por causa das chuvas. Quinze delas já foram cortadas e 13 aguardam atendimento. As ocorrências não geraram vítimas.

Em Sabará, na Grande BH, a chuva provocou a queda de um muro de arrimo e deixou duas pessoas feridas. No último sábado (05/12), a chuva ao lado do engarrafamento nas avenidas Antônio Carlos, Afonso Pena, Cristiano Machado, entre outras, deixaram vários estudantes impossibilitados de fazer a prova, gerando vários protestos à BHTrans.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia mostram que entre às 22h de sexta-feira (04/12) e às 9h de domingo (06/12), o acumulado de chuva em BH foi de 129,8 milímetros - o que corresponde a 41% a mais do normal de chuva para dezembro. De acordo com a Defesa Civil mineira, até o momento, foram registrados 11 mortes em decorrência da chuva.

Se você é de Belo Horizonte e quer ficar por dentro do que pode acontecer na previsão meteorológica dos próximos dias, o mestre em Geografia (Análise Ambiental) pela UFMG, Rafael Franca, de 25 anos, criou o blog BH Tempo, onde ele publica as informações sobre o clima da capital mineira com análises precisas baseadas nos principais centros de meteorologia do Estado.

Em seu perfil, Rafael diz que faz pesquisas na área de Climatologia e Variabilidade Climática em Minas Gerais. Seu trabalho mais recente investiga a relação entre a atuação de anticiclones e o comportamento da umidade relativa do ar na capital mineira.

Já no Anel Rodoviário, um buraco formado em razão da tempestade se transformou numa verdadeira cratera no do dia 08/12 e tem prejudicado a vida de vários motoristas. De acordo com o Departamento Nacional de Infra-instrutora de Transportes (Dnit) os trabalhos de recuperação serão iniciado de forma imediata, bem como no buraco de dois metros de diâmetro por um metro de profundidade na avenida Senhora do Carmo, região Centro Sul de Belo Horizonte. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia mostram que entre às 22h de sexta-feira (04/12) e às 9h de domingo (06/12), o acumulado de chuva em BH foi de 129,8 milímetros, o que corresponde a 41% a mais do normal de chuva para dezembro.

De acordo com a Defesa Civil mineira, até o momento, foram registrados 11 mortes em decorrência da chuva. Ao todo, são 4.284 pessoas desalojadas e 906 desabrigadas. Além disso, 28 municípios decretaram situação de emergência e 44 cidades tiveram algum prejuízo em razão dos temporais.

No réveillon 2008/2009, mais precisamente na madrugada do dia 1º de janeiro, as fortes chuvas castigaram os belo-horizontinos. Uma enchente no Ribeirão Arrudas, deixou um rastro de destruição na avenida Tereza Cristina, alagando toda via, que teve ainda parte do asfalto arrancada. Várias outras regiões de BH também sofreram alagamentos e fortes ventos dessa tempestade.

A correnteza destruiu carros, caminhões e ônibus e levou lama e muita sujeira a várias casas. Ainda, naquela época, a tempestade castigou as regiões Oeste e do Barreiro, inundando casas, ruas e avenidas. O prefeito recém-empossado Márcio Lacerda (PSB) teve a difícil missão de colocar a Casa em ordem, logo no início do ano. A Defesa Civil da capital mineira já está em alerta e tem atuado de forma preventiva em vários pontos da cidade.

A meteorologia já prevê que teremos um mês de fortes chuvas em dezembro e, provavelmente, no início de janeiro de 2010. Será que estamos preparados? Por mais que haja iniciativas, o final de 2009 mostra a fragilidade das principais capitais do Sudeste brasileiro quando o assunto é chuva. A população fica refém dos fenômenos meteorológicos e da própria sujeira que produz.




Fotos: Portal Uai, Terra, Uol e O Globo.





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Wander Veroni
Jornalista

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15 comentários

  1. É amigo a coisa ta feia, mais vamos crer que tudo vai se acalmar e as coisas voltarão ao normal.
    Abraços forte

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  2. Oi, Wander!

    A situação tende a se normalizar MOMENTANEAMENTE, mas todos sabemos que em cidades como São Paulo basta uma chuva um pouco mais forte ( não precisa ser nessa intensidade absurda com esta última) para trazer sérios problemas. As grandes capitais estão cada vez mais "paradas", o problema do espaço urbano não vem sendo tratado da forma séria como deveria ( Salvador é um exemplo - qualquer chuva a cidade já para).

    A natureza está "na dela", para toda ação há uma reação. Em Copenhagem está acontecendo a conferência sobre Mudanças climáticas no planeta. Pelo visto, é mais uma conferência destinada ao fracasso e ao "blá-blá-blá".

    PS: olhaí as mídias sociais prestando um papel importante para a cidadania. E ainda há quem subestime ou trate-as como 'bobagem'.

    Um abraço.

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  3. Oi Wander, acho que essa situação é a conjugação de época chuvosa do ano com desastre ecológico....
    seria bom que esse acontecimento servisse para a coscientização da população...muito cimento, asfalto, pouca terra com raiz etc, etc, etc.
    abs

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  4. É, tá foda a coisa, no RS também deu uns toró que deixaram várias cidades sob a água, vários municípios já declararam estado de emergencia ou calamidade.

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  5. e ninguem faz porra nenhuma né
    população continua jogando lixo na rua
    autoridades num fazem nada e as pessoas continuam perdendo todas suas coisas ¬¬

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  6. Excelente matéria,Wander!

    Contudo,é lamentável ver que essa situação é contínua.Todos os anos,o mesmo castigo,só muda a potencialidade.
    Creio que deveria existir um trabalho de prevenção,pela política pública.
    Apenas uma pergunta:Quem pagar por isso?
    Bjos!

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  7. As tempestades de chuvas e ventos têm feito muito estragos, é um tempo em que não se vê mais chuva normal, quando chove é sempre tempestade.
    Catarino

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  8. Realmente choveu muito aqui hoje em São Paulo. Prejudicou a vida de todo mundo. Só espero que pare de chover, amanhã.

    Wander, também vou votar no Café com Notícias no The Bobs. Boa sorte, abraços.

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  9. Maria Tereza Andrade9 de dez de 2009 15:10:00

    Muito bom o texto, Wander. E a coisa está feia mesmo. Até em Montes Claros tem chovido muito.

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  10. Na verdade, não estou lembrada de uma época de chuvas tão fortes como agora. Hoje mesmo choveu horrores durante o dia e isso não deixa de gerar um sentimento de tensão nas pessoas, pois existe risco iminente de mais desabamentos e problemas ocasionados pela força da natureza. A gente pensa que nunca acontecerá com a gente, mas já passou da hora de mudarmos essa mentalidade. O mundo está mudando muito depressa!

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  11. A-m-o chuva, mas acho lamentável esse tipo se situação, porém, não consigo entender quem insiste em morar em zonas de risco. Tipo, com tanto lugar no mundo??????????

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  12. Wander, desculpa pela demora... rsr Olha, choveu um pouco aqui em Niterói na quarta e quinta, mas hoje [sexta] está um sol bonito. Bem, vi essas cenas que você citou em SP. Fique impressionado, será que isso continuará acontecendo? Provavelmente, a desordem urbana e falta de investimento público atrapalham a nossa vida. Acho que a tendência desses desastres é piorar..

    Abração

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  13. É, compadre, eu ando até com medo de voltar pra Sampa e encontrar as marginais alagadas e não poder entrar... Os temporais de BH tenho acompanhado de perto tb, uma loucura e atrapalhando a vida de todo o mundo.

    Aliás, cadê o post de aniversário de BH??? Vi no Twitter, tô esperando! rs

    Adoraria estar aí pra comemorar a data com vcs, mas, vc sabe, estou de coraçao e pensamento.

    Beijocas e aproveita o sabadão, viu? ;)

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  14. Foda que isso tudo não é só no sudeste, né meu caro amigo?

    O sul anda tão pior que isso, ano passado foi SC.. logo depois RS, agora SP...

    E assim vai indo.

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  15. É, Wander... a natureza não está mesmo pra brincadeira! São Pedro tá mandando ver...

    As autoridades que se movimentem para conter as ações do tempo, pois estas não parecem ter dia pra cessar, pelo contrário!

    Jr.

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