De fanfarrões à trapalhão: o que vale é ser criativo

dezembro 28, 2007

Tem jornalista que não gosta. Declaradamente, se diz contra a esse tipo de cobertura. Professa, aos quatro cantos do mundo, que jamais, por dinheiro nenhum, faria isso. Mas eles não sabem o que estão perdendo: cobrir a área policial é sensacional. Mas não só cobrir e fazer um lead padrão. Gosto de investigação. de pegar uma história e ir além! Para mim, se tornou quase um vício. Confesso que gosto de outros tipos de de editorias, como cultura, informática e política, mas a cobertura policial fala do cotidiano, das coisas da cidade e sempre tem um fato inusitado ou uma tragédia que repercute na sociedade.

Aprendi a gostar da cobertura policial quando trabalhei como apurador. Não basta somente repercuti a tragédia, mas sim prestar serviço e esclarecer alguns temas para o público, que desconhece os direitos e deveres, na esfera judicial, por exemplo. Defendo muito a prestação de serviço no jornalismo, não basta só trazer o novo, muitas vezes tem que ser didático, perpiscaz e criativo.


O Super Notícia, do dia 27/12, trouxe na capa, na minha opinião, a manchete mais criativa do ano: "Policiais fanfarrões detidos no quartel". O fanfarrão é uma referência direta ao filme Tropa de Elite, sucesso do cinema brasileiro que mostra a guerra diária do BOPE carioca contra o tráfico de drogas. As expressões usadas no filme ganharam a boca do povo e são usadas freqüentemente pelos programas de humor. A paródia de maior sucesso, chamada de BOFE de Elite, exibida no Show do Tom, da Rede Record, ganhou uma versão copilada nos camêlos e pode ser encontrada por R$ 3. De acordo com rumores no meio artístico, a sátira de Tom Cavalcanti deve ganhar uma versão nas telas dos cinemas, em 2008.

Voltando a notícia dos "fanfarrões", um cabo da Polícia Militar, de 36 anos, e um soldado, de 32 anos, foram detidos no quartel da 7ª Companhia de Meio Ambiente, em Ribeirão das Neves, sob acusação de agredirem com tapas funcionários e clientes de uma padaria, no bairro Pedra Branca. De acordo com as vítimas, os policiais estavam bêbados e a abordagem agressiva assustou a todos. O fato teria acontecido na noite de quarta-feira (26/12). De acordo com o comando geral da corporação, a dupla de PMs estava fardada e em horário de serviço. O caso será apurado pela justiça militar e será abero um processo administrativo. O motivo da abordagem óstil dos PMs ao estabelecimento não foi divulgada à imprensa.

Mudando de pato para ganso, ou melhor de fanfarrão para trapalhão. A tentativa de assaltar um república de estudantes, no bairro Centenário, em Lavras, no sul de Minas Gerais, levou à morte de um jovem que ficou preso asfixiado numa janela, em estilo basculante. De acordo com o delegado Matusalém da Silva Machado, o homem conseguiu passar pela cerca elétrica da residência, passou pelo quintal, mas ao tentar entrar no interior da casa ficou com a cabeça presa no basculante e o corpo para fora. A pressão para tentar sair desse desconforto de ficar preso na janela teria forçado o pescoço do assaltante que, posteriormente veio a falecer.

Sensacionalistas ou não, vale a pena conferir a cobertura jornalística policial e se divertir com o jogo de palavras usadas nas manchetes dessas notícias. Haja criatiavidade!!!




Essa semana eu volto com mais Café com Notícias.




Jornalista

MAIS CAFÉ, POR FAVOR!

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