#Educação: Por favor, salvem a professorinha!

outubro 27, 2007

"Algumas pessoas nunca aprendem nada porque entendem tudo muito depressa". A frase é de Alexander Pope, um dos mais renomados poetas britânicos do século XVIII e autor de diversos ensaios sobre estética e filosofia. Apesar de não ser contemporâneo, Pope traz à tona uma preocupação muito atual: a passividade na educação. 

Ainda mais na velocidade com que as informações são repassadas nos meios de comunicação, nas escolas e a ausência da qualidade no ensino fundamental é médio, ser um sujeito crítico está se tornando raro - uma verdadeira omissão social: culpa do professor intransigente, do aluno que só quer passar de ano e do governo que investe pouco na educação.


O senso comum diz que a boa educação é a base de tudo. Mas como educar um filho de pais que não receberam educação adequada? Como educar uma criança com fome e que enxerga na criminalidade a saída mais emergencial para resolver os problemas dela? Educar é um processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral do ser humano. Por ser justamente um processo é algo que demanda tempo e, principalmente qualidade.

Paulo Freire, educador da década de 1990, que influenciou um movimento chamado de Pedagogia Crítica, diz o seguinte: "A educação já foi tida como mágica, podia tudo, e como negativa, nada podia. Chegamos à humildade: ela não é a chave da transformação da sociedade". Concordo com essa afirmativa. 

A educação, por si só, não é capaz de mudar a sociedade. A partir da educação, o indivíduo torna-se crítico. Daí tem a possibilidade de questionar as coisas da sociedade e, principalmente, o pensamento, tanto dos autores quanto os valores culturais, que foram construídos antes dele. Só assim, depois de educado e crítico, será capaz de fazer revolução.


A base da educação é o questionamento. Questionar sempre. Por em xeque aquilo que é discutido até que se chegue a um entendimento ou a uma resposta satisfatória. Pode ser que essa resposta seja rápida ou demorada para ser concluída, porém é de extrema importância fazê-la. De uns tempos para cá, cerca de menos de 20 anos, é que os professores começaram a ter essa nova postura: excluir a decoreba da sala de aula e provocar a crítica nos alunos.

Um dia, não muito distante, pretendo ser professor na minha área de atuação: o jornalismo. Quero lecionar telejornalismo e webjornalismo que são duas vertentes das quais me despertam interesse. O fato de estar cursando uma especialização que me habilite a dar aula no ensino superior já é algo que me faz encher os olhos para uma possível alternativa no mercado de trabalho.


Ser professor é algo que demanda muita responsabilidade. É uma profissão que mexe com o imaginário do outro: é um profissional que irá passar conhecimento a quem não o tem e o fará capaz de questionar aquilo que a pouco começou a entender. 

Já na pós-graduação, no sentido mais literal da palavra "pós", estou me deparando com uma outra realidade: em breve me tornarei especialista. Tenho mais tempo de ler os assuntos que me interessam e ainda produzo material mais dirigido as esferas que pretendo trabalhar.

Falo isso no seguinte sentido: na graduação, aprendi de tudo. Na pós estou mais focado, não preciso de tanta pressa para apreender o todo dentro do jornalismo. Creio que educação é algo que exige pesquisa e tempo para aprofundar. 

Não dá tempo de aprender tudo em um semestre ou de uma hora para outra. Todos nós precisamos de tempo e calma para dedicarmos ao aprendizado. Penso que ser professor é ser pesquisador. Não basta simplesmente saber, tem que ter vocação e paixão em ensinar, pois o aprendizado é uma via de mão dupla.

"A professora interiorana, com uma saia rodada de chita e um toco de giz na mão, escreve no quadro: por favor, salvem a professorinha!". Quem não lembra desse antigo bordão de Caco Antibes, do extinto programa Sai de Baixo, da TV Globo, sucesso no final da década de 1990 e início dos anos 2000. 


A fala da personagem no programa de humor fazia uma sátira a situação dos docentes no Brasil, principalmente da péssima qualidade do ensino público e da falta de professores qualificados no interior. Salvemos os professores!!! Corremos o risco de perdê-los.


Navegando pela internet, encontrei um xará, o Café Docente. É um blog que fala sobre a questão da educação e do docente no Brasil. Assim como a Fernanda Ramirez, dona do blog, quero compartilhar com vocês este texto, de um autor desconhecido, que nos incita para uma reflexão de como está a situação do professor no nosso querido país. Leia abaixo:



Prezado amigo: Bom dia!


Sou professor de fisica de ensino médio de uma escola pública em uma cidade do interior da Bahia e gostaria de expor a você o meu salário bruto mensal: R$650,00. Eu fico com vergonha até de dizer, mas meu salário é R$650,00. Isso mesmo! 

E olha que eu ganho mais que outros colegas de profissão que não possuem um curso superior como eu e recebem minguados R$440,00. Será que alguém acha que com um salário assim, a rede ensino poderá contar com professores competentes e dispostos a ensinar?


Não querendo generalizar, pois ainda existem bons professores lecionando, mas atualmente a regra é essa: o professor faz de conta que dá aula, o aluno faz de conta que aprende, o governo faz de conta que paga e a escola aprova o aluno mal preparado. Incrível, mas é a pura verdade! Sinceramente, eu leciono porque sou um idealista e atualmente vejo a profissão como um trabalho social. Mas nessa semana, o soco que tomei na boca do estomago do meu idealismo foi duro!


Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2 milhões por ano. São os parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte R$11.545. Na Itália, são gastos com parlamentares R$3,9 milhões, na França, pouco mais de R$2,8 milhões, na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$850 mil e na vizinha, Argentina, R$1,3 milhões.

Trocando em miúdos um parlamentar custa ao Brasil por baixo:688 professores com curso superior!Diante dos fatos, gostaria muito, amigo, que você divulgasse minha campanha, na qual o lema será: "TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES". (*) Poderia ter colocado no lema para 688 professores, mas coloquei a metade (344), pois assim, sobra uma verba para aumentar o nosso salário, que é uma vergonha...

Atenciosamente,prof. de física, interior da BA.





É ou não é para refletir?






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Wander Veroni
Jornalista

MAIS CAFÉ, POR FAVOR!

5 comentários

  1. É vergonhoso a educação pública no Brasil...nossos professores são verdadeiros heróis. Adorei o blog!

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  2. Só sei de uma coisa: ñ quero ser professor!

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  3. Sou professor e faço minhas as palavras desse professor de física. Precisamos de mais professores do que de deputados!

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  4. Helena de Oliveira29 de out de 2007 10:32:00

    O artigo me fez refletir sobre como fui educada na escola, na época em que estudava. Era só decoreba, ninguém estava preocupado em entender a matéria, só passar de ano. Só agora, que estou mais madura e vou fazer vestibular percebo o quanto que essa percepção crítica faz falta. Gostei muito do blog, continue assim! Parabéns!

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  5. Realmente, ser professor é uma missão social...até mais que uma vocação.

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